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25/03/2007 - 09h06

Operação urbana breca casas

RENATA DE GASPARI VALDEJÃO
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Criadas pela prefeitura para revitalizar algumas regiões de São Paulo, as operações urbanas não mudaram o cenário dos bairros como era esperado.

Das 13 previstas, só 4 foram iniciadas e, destas, duas estão em andamento: Água Branca e Água Espraiada. Seu principal efeito foi verticalizar dois bairros em sua área de atuação.

Na operação Água Branca (zona oeste), 18 projetos de empreendimentos foram aprovados pela Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), órgão da prefeitura, de 2001 a 2006.

Já o Campo Belo (zona sul), no perímetro da operação Água Espraiada, teve 16 lançamentos no biênio 2005 e 2006, segundo a Amaral D'Ávila Engenharia de Avaliações/Geoimóvel. Para os moradores, a região está virando um "paliteiro", com casas cercadas por prédios.

"Grandes incorporadoras estão vindo para cá, mas a infra-estrutura é precária para esse adensamento", teme Cibele Sampaio, presidente da Associação de Amigos do Brooklin Novo (Sabron), já que as obras públicas não estão no mesmo compasso da verticalização.

"A Água Espraiada deveria ser uma avenida com parques. A prioridade seria ligá-la à rodovia dos Imigrantes. Depois, tirar a favela. Está invertido."

Há cerca de 10 mil famílias vivendo em barracos ao longo da avenida que batizou a operação, hoje chamada de Jornalista Roberto Marinho.

"Não há empresário que compre terrenos ali e, com isso, não há como continuar a construção da avenida nem terminar a ponte do complexo viário Real Parque", aponta a urbanista Regina Monteiro, conselheira consultiva do movimento Defenda São Paulo.

Outro lado

"A operação urbana pressupõe adensamento e intervenções para que ele não seja desastroso", diz Vladir Bartalini, gerente de operações urbanas da Emurb. Para Bartalini, a operação Água Espraiada é bem-sucedida e está dentro do cronograma de execução.

Segundo ele, a ponte deve estar concluída na metade de 2008.
"Água Branca e Água Espraiada são as duas operações mais produtivas de todas. O "paliteiro" vai aparecer na Água Branca também", prevê.

Das outras nove operações propostas no Plano Diretor Estratégico, oito terão de aguardar ainda mais para serem regulamentadas. A prefeitura prorrogou por seis meses o prazo da revisão do plano, que antes estava prevista para dezembro de 2006. A revisão abrange os estudos de impacto ambiental das operações. Só depois deles elas seguem para aprovação.

"Antes de revisar o plano, a prefeitura tem de implementá-lo", diz o arquiteto Nabil Bonduki, professor da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), ex-vereador e relator do plano. Para ele, é preciso retomar as operações paradas [Faria Lima e Centro] e concluir a infra-estrutura.


     

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