19/08/2007
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13h14
Bandidos usam brechas na segurança para assaltar condomínios
GIOVANNY GEROLLA
colaboração para a Folha de S.Paulo
Alguns bandidos viram "homens-aranha" para driblar cercas elétricas e porteiros sonolentos. Outros se disfarçam de entregadores de pizza. E há os que clonam placas de veículos que saem das garagens.
Dificuldades impostas pelos sistemas de segurança de condomínios de médio e de alto padrão têm instigado a "criatividade" dos ladrões para inventar táticas que burlem a vigilância.
O que mais assusta os moradores é que, na grande maioria dos condomínios de luxo assaltados neste ano na cidade, havia monitoramento eletrônico e botão de pânico, informa Edison Santi, delegado da 2ª Delegacia de Investigação de Crimes Patrimoniais.
Esse tipo de equipamento é ligado à polícia ou a uma empresa de segurança contratada.
O pulo-do-gato dos gatunos, então, tem sido a rendição da portaria. Em todos os casos de arrastão, a segurança da portaria é sempre a primeira a ser dominada, por estratégias diversas, segundo a polícia.
Pizza e manutenção
Entre os relatos colhidos pela Folha na polícia e em empresas de segurança, estão os golpes de entregadores uniformizados, como os de pizza, que abrem caminho para o bando.
Há ainda empregadas domésticas que levam "sobrinhos" desconhecidos para fazer reparos hidráulicos na casa do patrão, estando elas mesmas rendidas pelo bandido.
Na semana passada, em um condomínio no Real Parque (zona oeste), um dos assaltantes se disfarçou de empregado da companhia de manutenção dos elevadores.
Outra tática é distrair o porteiro com, por exemplo, a simulação de um desmaio na rua --o empregado deixa a guarita para ajudar no socorro.
Mesmo assim, a participação de pessoas de dentro do prédio ainda é pouco comprovada.
"Dos 13 casos em 2007 na cidade, só temos certeza da conivência de porteiros ou funcionários da segurança em um deles", contabiliza Santi.
O presidente do Sesvesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Segurança Eletrônica, Serviços de Escolta e Cursos de Formação do Estado de São Paulo), José Loiola, admite ser possível a participação de funcionários ou de ex-funcionários nos roubos.
"Até comentários inocentes podem deixar escapar alguma informação importante para quem quer invadir o prédio."
Assim, especialistas ponderam que a segurança requer, mais que aparatos eletrônicos, informação e orientação de empregados e condôminos e foco na proteção à portaria.
"Ao mesmo tempo em que o funcionário não deve dar qualquer informação sobre o que acontece dentro do condomínio, ele não é obrigado a saber se é o morador mesmo quem entra com o carro na garagem", considera Hubert Gebara, vice-presidente do Secovi-SP.