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19/08/2007 - 13h18

Porteiro blindado é arma principal contra arrastão em prédios

GIOVANNY GEROLLA
colaboração para a Folha de S.Paulo

A blindagem do porteiro, o responsável por sinalizar polícia e moradores de que algo não vai bem, é a principal medida para evitar arrastões em condomínios, segundo empresas especializadas em segurança.

"A função da segurança é detectar o bandido, avisando moradores de que há problema, através de um sinal, ou mesmo chamando a polícia", reforça Chen Gilad, diretor de planejamento do Grupo Haganá.

"Ela também tem que "informar" o invasor de que já foi descoberto, quebrando, assim, o fator surpresa."
Para o profissional desempenhar bem essas tarefas, a tática é fornecer condições para que ele permaneça sempre dentro da guarita, afirma Gilad.

"O segurança deve estar em ambiente blindado, com tudo de que necessita lá dentro, até banheiro, para que não saia de lá nem por um minuto durante o período de trabalho", explica.

O preparo do profissional para estar em vigília permanente também é fundamental. Ao contratar um segurança, deve-se avaliar seu histórico ou buscar uma empresa que invista na reciclagem de funcionários.

Cerca elétrica em muros, por exemplo, só será efetiva se estiver ligada a sistema de sensores e câmeras, monitorado pelo porteiro. "Ele precisa visualizar onde o edifício está sendo invadido", comenta Gilad.

Já a iluminação deve ser máxima no espaço entre muros e edifício e mínima dentro do prédio, para que pessoas de fora não observem o movimento dos moradores.

Terror

Os arrastões têm duração média de quatro horas, podendo chegar a até dez horas, dependendo do tamanho do condomínio.

Normalmente, após a dominação de funcionários da portaria, os moradores são rendidos dentro da propriedade.

A estudante I. V. A., 19, lembra de ter ficado duas horas presa em um quarto na garagem do edifício, com outros moradores, enquanto bandidos "limpavam" os apartamentos, atrás de jóias, dinheiro, notebooks e celulares.

"Eles seguravam todos que desciam de manhã para a garagem e voltavam com alguém da família para roubar o apartamento", relata.

"Não disfarçavam o rosto, usavam terno e gravata, comunicavam-se por rádio, tinham granadas e metralhadoras, além de informações precisas sobre todos os condôminos."

Ela conta que o grupo invadiu o prédio no momento em que o porteiro deixava a guarita para apagar as luzes que permanecem acesas à noite.

"Nossa guarita não era blindada, e o funcionário foi mandado embora. Agora temos eclusa, guarita fechada e sistema de alarmes", descreve.

"Mas acredito que, se quiserem entrar de novo, conseguirão, mesmo com todo o esquema de segurança", pondera.


     

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