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09/09/2007 - 10h54

Coleta seletiva de lixo atende 5,6% dos prédios em São Paulo

MARIANA DESIMONE
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Além do lixo, outros itens são reciclados com a implantação da coleta seletiva em condomínios, como a saúde ambiental e até o orçamento dos prédios.

Os paulistanos dão sinais de que estão atentos a esses benefícios. Dados do Limpurb (Departamento de Limpeza Urbana) apontam que a adesão ao sistema pelo programa da prefeitura ainda é de apenas 5,6%, ou 1.500 dos 27 mil edifícios da cidade. Mas já significa uma adesão 30% superior à de 2006, de acordo com estimativa do órgão.

Em shopping centers e condomínios comerciais, um "incentivo" à coleta seletiva é uma lei estadual (nº 12.528/2007), publicada em julho, que obriga esses estabelecimentos a reciclarem lixo. A legislação, porém, aguarda regulamentação.

Adotar a reciclagem pede cuidados específicos, que começam pela conscientização de moradores.

"Fiz muitas circulares educativas para explicar tudo aos condôminos", afirma Isabel Pires, consultora ambiental que comandou a implementação da coleta seletiva no seu condomínio, há quatro anos.

O esforço seguiu na busca de alguém para coletar o lixo e de um lugar, no edifício, em que ele pudesse ser armazenado.

Para manter a motivação dos moradores, a síndica Eugenia Tonidandel, responsável pelo projeto de coleta seletiva no seu prédio, chama a atenção dos condôminos para outros beneficiados com o processo.

"Sempre conto para os vizinhos as melhoras da ONG que coleta nosso lixo", diz. "Hoje, eles têm uniformes, dois caminhões, uma fábrica de telhas. Acho importante mostrar que, só com a separação do lixo dos nossos apartamentos, contribuímos para a melhoria de vida dessas pessoas."

Os catadores da ONG Vira-Lata, responsáveis pela coleta no prédio, tiveram acréscimo de 30% no seu rendimento, em relação a 2005. "Nosso volume de reciclados quase dobrou em dois anos", contabiliza Wilson Pereira, diretor do projeto.

Incremento no caixa

Embora esse não seja o foco principal da coleta seletiva, há quem consiga pequenos ganhos para o próprio condomínio, como é o caso do Residencial Aricanduva (zona leste).

"Com a venda do lixo, compramos um aparelho de som para o salão de festas", conta a síndica Katia da Silva.

O Secovi-SP (sindicato de administradoras e imobiliárias) promove a reformulação de sua cartilha de implementação de coleta seletiva, que deve chegar aos associados em outubro.

"Poderá ser comprada pelo e-mail biblioteca@secovi.com.br", afirma o vice-presidente da instituição Hubert Gebara. Seu preço, ainda não fechado, deverá ser de "no máximo R$ 8".

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