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20/04/2008 - 09h45

Assédio do mercado desorganiza região do Jaguaré

CRISTIANE CAPUCHINHO
Colaboração para a Folha de S.Paulo

No caos da metrópole paulistana, a Vila São Francisco e o Jaguaré se destacam por uma peculiaridade: a infra-estrutura de bairros planejados.

O primeiro foi fundado em 1935, e o segundo, 60 anos mais tarde, por uma grande construtora.

Unidos pela avenida Corifeu de Azevedo Marques, os dois dispõem de rede centralizada de serviços e comércio, além de áreas verdes e espaços de integração comunitária.

Parte da fazenda de Henrique Dumont Villares, o Jaguaré foi idealizado com três núcleos: residencial, comercial e industrial. O princípio era o de um bairro auto-suficiente, para não haver necessidade de locomoção para o centro da cidade.

"A população antiga do bairro é grande e muitos dos filhos compraram suas casas na região", conta o padre Roberto Grandmaison, 65.

"Há ainda um clima familiar em que os vizinhos se conhecem", afirma o vigário, alocado na paróquia do bairro em 1969.

"Nos anos 70, o Jaguaré era um bairro industrial com casas e bastante área verde, parecia uma cidade do interior", descreve Mário Bonassa, 73, que mora no bairro desde 1948.

O fechamento de indústrias e o adensamento populacional transformaram a aparência do bairro e trouxeram problemas de "cidade grande".

Se, por um lado, a estrutura de poucas vias de passagem e muitas ruas sem saída garante o clima tranqüilo, o número reduzido de acessos causa trânsito ainda dentro do Jaguaré, dificultando a saída dos habitantes em direção ao centro.

Do lado mais nobre, a Vila São Francisco situa-se no entorno de um grande clube de golfe, com a avenida Escola Politécnica lindeira, via direta entre a marginal Pinheiros e o Rodoanel Mário Covas.

Campo

Conhecido pelas grandes áreas verdes, a referência do bairro é o condomínio fechado Colina de São Francisco, que trouxe uma praça comercial luxuosa para a principal avenida.

O bancário Fernando Ueta, 26, conta que a abertura do condomínio foi responsável por melhorias na infra-estrutura e pelo trânsito.

"O lado negativo foi o aumento no número de carros. Mas agora tem uma boa lavanderia, um café confortável", pondera Ueta, que leva uma hora para ir de carro à avenida Paulista.

O trânsito, porém, não perturba a todos. No limite entre São Paulo e Osasco, muitos moradores levam a vida no contrafluxo, trabalhando e estudando na cidade vizinha.

É o caso da advogada Márcia Bonassa, 45, que se mudou para a Vila São Francisco há quatro anos, mas sempre morou na região. Nascida no Jaguaré, ela freqüentou escolas em Osasco, onde montou seu escritório.

Segundo Eduarda Soldera, da Sthulberger Engenharia, o distrito é procurado pela população da região e pela de Osasco.

Rogério Santos, diretor de planejamento e marketing da Abyara, destaca a proximidade com a avenida Brigadeiro Faria Lima e com a praça Panamericana na escolha do bairro por novos compradores que trabalham naquela área.


     

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