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27/04/2008 - 10h23

Bairro preserva perfil residencial, mas surgem bares e restaurantes

da Folha de S.Paulo

Um bairro com cara de bairro. A redundância refere-se ao perfil residencial que caracteriza a Pompéia, sem a isolar de pólos comerciais da cidade: tem bons acessos para a avenida Paulista e para as marginais Tietê e Pinheiros.

O presidente do Secovi-SP, João Crestana, compara-o a Vila Mariana (zona sul) e Santana (zona norte): "São bairros onde se vêem mulheres passeando com crianças em carrinhos de bebê. Não são claustros de alta ou de baixa renda".

O caráter residencial é reforçado pela presença de sobrados. Gilmar Altamirano, da Appa, estima que ainda existam cem vilas construídas em razão das indústrias Matarazzo.

"Pedimos o tombamento das vilas na esperança de barrar a verticalização", afirma Altamirano, para quem os bares e restaurantes que despontam no bairro contribuem para a preservação dos imóveis antigos que ocupam.

Pontos baixos

Um dos problemas do bairro é a ausência de área verde. "Como é uma região de colinas, não há uma praça decente. É preciso pegar o carro para ir aos parques Água Branca [Barra Funda] ou Villa-Lobos [Alto de Pinheiros]", diz Altamirano.

Outro destino dos moradores é a praça São Domingos Sávio, no Sumaré, mais conhecida como praça da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

Inspirados pela criação da área vizinha há 20 anos, moradores da Pompéia pediram à concessionária de água que o reservatório da rua Cajaíba também seja aberto ao público.

A Sabesp informou, por meio de sua assessoria, que não há espaço no local, onde um segundo reservatório está em obras e outro está previsto.

Nos vales formados pelo relevo íngreme da Pompéia, outro problema são enchentes, que atingem trechos das ruas Venâncio Aires, Turiaçu, Augusto Miranda e Miranda de Azevedo. O nível da água chega a 1,5 m de altura, segundo a moradora Maria Antonieta Lima e Silva.

Para evitar alagamentos, o Grupo Zaffari construiu dois piscinões -de 1,5 milhão de litros e 415 mil litros- na fundação das rampas do Bourbon.

Parte da água será aproveitada pelo shopping na limpeza, na irrigação de jardins e nas torres de arrefecimento do sistema de ar-condicionado.

A subprefeita da Lapa, Luiza Eluf, é contrária à construção de piscinões. Para ela, a solução é reformar as galerias pluviais e aumentar seu porte. "Elas foram malfeitas. Em alguns pontos, são interrompidas", afirma.

Segundo Eluf, obras para solucionar o problema das enchentes na região estão em fase de licitação conduzida pela Siurb (Secretaria de Infra-Estrutura Urbana e Obras).


     

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