13/09/2009
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11h36
Construtoras estão sujeitas a multa em caso de atraso na entrega do imóvel
CRISTIANE CAPUCHINHO
da Folha de S.Paulo
Quem compra um imóvel na planta se vale da data de entrega definida no contrato para planejar seu futuro. A estimativa ali impressa, porém, nem sempre é base forte para os planos, uma vez que costuma ser alterada sem aviso prévio.
Falta de materiais de construção, problemas com licenças ambientais e atrasos na documentação são alguns dos fatores que podem retardar a entrega das chaves --e mudar os projetos dos compradores.
Para parte dos atrasos, há tolerância no prazo, e ao comprador resta se informar. Legalmente, construtora e incorporadora têm uma margem de seis meses para adiar a entrega.
"Dentro desse período, devem comunicar os clientes sobre o andamento da obra", aconselha o vice-presidente imobiliário do SindusCon-SP (sindicato de construtoras), Odair Senra. Se demorar mais que os seis meses, a empresa poderá ter de pagar multa ou, em casos extremos, devolver integralmente os valores pagos, caso não tenha justificativa.
Quando o atraso se dá por motivos alheios à empresa, como a interdição da obra por problemas no terreno vizinho, não há punição. O ponto crucial para a maioria dos adquirentes é a falta de notícias confiáveis e o despreparo dos atendentes.
"Se há explicações, não tomamos nenhuma medida. O problema é quando a empresa não dá notícia sobre o andamento e as previsões de entrega", esclarece o advogado Marcelo Dornellas, especialista em direito imobiliário.
Foi o que aconteceu com Vanessa Palleta, 24, que em 2007 comprou um apartamento da Tenda em Cotia (Grande São Paulo). Com a previsão de entrega para dezembro de 2008, a assistente administrativa programou seu casamento para abril deste ano.
Até hoje Palleta não recebeu as chaves do imóvel --tampouco se casou. "Ninguém me dá a data certa de entrega. A construção está pronta [ela costuma visitar a obra] há meses e não posso entrar", conta.
Procurada pela Folha, a Tenda não justificou o atraso e disse que procuraria os clientes nos próximos dias. Casos de falta de informação se repetem em várias construtoras.