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24/01/2005 - 12h00

Chrysler 300C mistura estilo retrô e esportividade do motor V8

JOSÉ AUGUSTO AMORIM
enviado especial da Folha a Detroit

Ele nasceu como conceito em 2003. Um ano depois, ganhou as linhas de montagem de Brampton (Canadá). Começou 2005 levando o título de melhor carro dos Estados Unidos. Mas os brasileiros, que já o viram em outubro no Salão de São Paulo, vão ter de esperar até o segundo semestre para dirigir o Chrysler 300C.

Um de seus maiores trunfos é o motor. Reedição do Hemi famoso 50 anos atrás por equipar os esportivos da marca, o propulsor 5.7 chega com oito cilindros em "V", 340 cavalos e 53,6 kgfm. Segundo números da Chrysler, acelerar até 100 km/h leva 5,3s. Ao volante, é fácil perceber sua disposição, mas a neve obrigou a uma condução mais comportada.

Num país onde até as crianças se preocupam com o preço da gasolina, o 300C não poderia abandonar a questão. É o primeiro carro feito na América do Norte que desliga quatro cilindros quando o motorista não pisa fundo. O resultado é uma economia de combustível de até 20%. Diz a fábrica que o sedã faz 7,2 km/l na cidade.

O exterior também evoca o passado. A idéia era resgatar linhas que um dia causaram inveja na concorrência. Mas o design sofreu interferência da mecânica: um Chrysler, depois de dez anos, tem tração traseira. Assim, foi possível construir um capô longo.

É impossível não notar a enorme grade cromada. Os retrovisores foram desenhados em túnel de vento para não prejudicar a aerodinâmica. No interior, há uma mistura de acabamentos em madeira, plástico e alumínio --mas o melhor são os mostradores analógicos, redondos e prateados.

Americanismo

A começar pelos cinco metros de comprimento, o 300C conseguiu reunir todas as características de um legítimo veículo americano. Disponível com outros três motores --dois mais fracos e um esportivo recém-lançado--, o sedã não pára nas concessionárias.

O que poucos americanos devem saber é que ele teve influência da Mercedes-Benz. A tração traseira e a plataforma adaptada do Classe E são obra da parte alemã do grupo DaimlerChrysler. Na Europa, é produzido em parceria com a Magna Steyr, empresa que faz, entre outros, o BMW X3.

Nascido numa região do universo que, nesta época do ano, está coberta de neve, o 300C abandona o aspecto retrô em nome da segurança. Além da estabilidade, a eletrônica controla a tração para as rodas não deslizarem em contato com o asfalto. E é dirigindo em temperaturas negativas que o motorista entende a razão de os modelos de luxo virem com aquecimento dos bancos de couro.

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