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08/05/2005
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10h08
Carros novos levam donos ao Procon
LUCAS LITVAY Colaboração para a Folha de S.Paulo
Economizar para comprar um carro e fugir do transporte público faz parte da história de muitos brasileiros. Mas a felicidade de sentir o cheiro do carro novo pode se tornar, em poucos dias, uma dor de cabeça constante.
Esse é o caso do aposentado Nicélio Roudão, 54, que perde mais de meia hora só para enumerar os problemas de seu Fiat Palio 1.8. O fim da lua-de-mel deu-se logo que ele saiu da concessionária. "O ar-condicionado não funcionava, e a roda apresentava um barulho ensurdecedor. A estabilidade era ruim e está ainda pior", reclama.
Roudão diz que, numa viagem à oficina da revenda, o estepe foi furtado. Quando levado para consertar a injeção eletrônica, o Palio voltou sem o manual do proprietário. "Estou vivendo um pesadelo e não vejo a hora de acordar."
Cansado dos problemas, ele procurou o Procon-SP (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) para pedir à Fiat um novo carro. Em resposta à notificação do órgão, a fábrica informou que o veículo foi analisado e estava em perfeitas condições de uso.
O consultor Newton Martini, 67, também transformou o arrependimento de comprar uma Fiat Strada em parte constante de seu discurso. Sua insatisfação começou em dezembro de 2004, quando sua picape foi batida. "Até hoje, não consertaram meu carro, pois a Fiat não entrega as peças."
Segundo ele, a falta do automóvel já provocou um prejuízo de R$ 50 mil. "Uso o carro para o trabalho e estou parado todo esse tempo." Em 18 de março, a montadora disse ao Procon que o caso estava sendo analisado com a revenda e que enviaria uma resposta definitiva posteriormente.
Os problemas mecânicos ou o mau atendimento nas concessionárias, contudo, não são os únicos fatores que provocam arrependimento da compra. A publicitária Marcela Lins, 33, "chora" toda vez que enche o tanque de seu Ford Fiesta Supercharger.
"Tinha uma Volkswagen Parati 1.6 e achei que economizaria gasolina comprando um carro 1.0", lembra. Ela afirma que o Fiesta provoca em seu orçamento um prejuízo mensal de R$ 400. "Jamais teria comprado esse carro se soubesse da sua "sede"."
Já o advogado Luís Fernando Gusmão, 35, adquiriu um Volkswagen Golf e não se deu conta, na hora da compra, de quanto gastaria com o seguro. "A minha felicidade foi embora ao ver que pagaria R$ 500 por mês para segurá-lo", afirma. Decidido a não gastar essa quantia, Gusmão está anunciando a venda do veículo.
Seguro salvador
Se o advogado reclama do seguro, há quem veja nele a tábua de salvação para se livrar do "carro-enxaqueca". É o caso da jornalista Verônica Mendes, 29, que teve sua Fiat Palio Weekend roubada. "Ela dava tanto problema que, quando os bandidos a levaram, fiquei feliz. Torci para que a polícia não conseguisse recuperá-la."
Segundo ela, o motor não pegava quando o nível de combustível estava na reserva, e o ruído interno era extremamente alto. Hoje Mendes está feliz com o Volkswagen Gol que comprou com a indenização da seguradora.
O engenheiro elétrico Gilmar Gonçalves também se alegrou com o furto de seu carro. "Eu não via a hora de me livrar dele", afirma. O motivo para essa reação no mínimo estranha estava na insistente vontade de seu Chevrolet Corsa de visitar a oficina. "Os ladrões acabaram com a minha dor de cabeça", diz, aliviado.
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