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25/09/2005
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09h54
Desembaçador faz caco do vidro do Astra
LUCAS LITVAY da Folha de S.Paulo
Enquanto estava parado em um semáforo, o taxista Sebastião Santos ouviu um estrondo. "Achei que tivesse tomado um tiro. O vidro traseiro estava estilhaçado, mas não havia sinal de bala." O que ocorreu passa longe das estatísticas de criminalidade: ele foi vítima de um defeito no desembaçador do Chevrolet Astra.
Segundo especialistas, o problema está na fiação e no chicote do desembaçador --há casos com faíscas nos filetes do equipamento. Agildo Bacelar, proprietário da Inter Vidros, aponta outro agravante: "Mesmo se o motorista desligar o dispositivo, ele continuará a funcionar. Isso provoca uma sobrecarga na corrente".
Ele afirma que recebe pelo menos um Astra com o vidro traseiro estilhaçado por semana. Ao passar por uma vidraçaria, pode-se constatar que, assim como os cacos e as máquinas de resina, o Chevrolet --sedã e hatch-- é parte do cenário. "Disparado, é o carro em que mais faço serviço", diz Francisco Munhoz, da Pompéia Vidros. "Estranho quando passa uma semana sem ter um."
Fim do casamento
Outra vítima do Astra "explosivo" é a engenheira Sandra Marrano, mas seu susto foi menor. "Numa noite fria, eu usei o desembaçador. Mal havia chegado em casa, e o porteiro me chamou porque o alarme havia disparado. Quando desci, vi algo inacreditável: o vidro estava começando a se desintegrar." Depois do temor, veio o prejuízo. Ela foi obrigada a desembolsar R$ 95 para que seu carro voltasse a ter um vidro.
Já o gasto do comerciante Paulo Freitas foi R$ 215 maior. "Eu trafegava na Rio-Santos quando o vidro explodiu. Fico feliz que não havia ninguém sentado no banco traseiro, pois os estilhaços se espalharam por todos os cantos. Imagine se meu filho estivesse lá?"
Santos diz conhecer mais três pessoas que enfrentaram a explosão. "O defeito é grave." Por isso data para o fim do mês o término da sua relação com o carro, que já dura cerca de quatro anos. "Depois do susto e do prejuízo, vou vendê-lo o mais rápido possível."
Outro lado
A General Motors registrou casos isolados, comunicados pelas autorizadas. Contudo a fábrica afirma que, muitas vezes, a explosão do vidro traseiro do Astra foi causada por impacto de agentes externos.
Em nota enviada à Folha, a montadora diz que fez análises técnicas para identificar os motivos das quebras, mas nenhuma irregularidade foi constatada durante a montagem do Astra.
Por fim, a empresa se coloca à disposição, por meio do serviço de atendimento ao consumidor, para prestar esclarecimentos e auxiliar os donos de Astra cujo vidro traseiro tenha explodido. O telefone é 0800-7024200.
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