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13/08/2006 - 10h57

Cinemas mantêm a tradição de ver filmes em drive-ins

MARCELO BORTOLOTI
Colaboração para a Folha de S.Paulo, no Rio

O radialista Fernando Pantera, 46, tem três Volkswagen Fusca na garagem, todos de 1978. Uma vez por semana, pega o mais confortável -um vermelho, com bancos de couro- para ir ao cinema. Vai até a Ilha do Governador (zona norte do Rio), um dos poucos lugares do país onde ainda é possível curtir um filme sem sair do carro.

Pantera é freqüentador do Ilha Auto Cine, que, ao lado do Cine Drive-in, de Brasília, é o derradeiro estabelecimento do gênero no país. O radialista estaciona perto da tela, abaixa o banco e assiste ao filme em um clima nostálgico de anos 70. "Aqui fico à vontade, dá para fumar, não é um lugar fechado."

No Rio, são R$ 10 por pessoa; em Brasília, R$ 14. O som é transmitido via FM e pode ser sintonizado no rádio do automóvel. Além disso, bastam duas piscadas de farol para chamar o garçom, que vende cerveja, refrigerante e sanduíches.

Comodidades para quem não gosta de deixar o volante, mas que não impediram a debandada do público nos últimos 15 anos. Os sócios Mauro Silveira e Arnélio Tinoco possuíam outros três cinemas drive-in no Rio. Todos fecharam.

Poucos clientes cativos aparecem toda semana, como a médica Sônia Pacheco, 58. Dona de um Ford Escort 1995, ela conta que seu marido é apaixonado por carros e que ela não gosta de lugares fechados. "Então, aqui é perfeito." Pacheco passou o gosto a seu filho. Hoje com 26 anos, ele freqüenta regularmente o cinema, agora no seu próprio automóvel.

O doutorando em medicina Sérgio Augusto, 30, foi, com sua namorada, conhecer o Ilha Auto Cine, a 30 km de sua casa. Ele viu o anúncio na internet e decidiu arriscar. "Gosto de passear de carro, e parecia ser um programa interessante", conta ele, que tem um Fiat Mille 1997.

Concorrência

O Ilha não tem hoje um décimo da audiência que tinha há 30 anos. "Recebíamos, em média, 400 carros por sessão. De 1995 em diante, o movimento caiu para 1.600 espectadores por semana. Hoje, dependendo do filme, são oito ou dez carros por sessão", conta Silveira.

Dentro de uma área da aeronáutica, o que lhe dá segurança, o Ilha enfrenta a violência nas vias de acesso e a concorrência com salas modernas, com melhores projeção e som. "Temos público de todo tipo, mas a maioria é de classe média", define Silveira. "Carros de luxo não aparecem por aqui."

Inaugurado em 1974 e localizado na Asa Norte, o Cine Drive-in tem capacidade para 400 veículos. Uma lotação que há muito tempo não é atingida. "Recebemos cerca de 50 carros por sessão nos fins de semana", diz a gerente, Marta Fagundes.

Segundo ela, é intenso o fluxo de jovens e de casais atrás de um canto escuro. "Mas também vêm muitas famílias, idosos e deficientes físicos que não podem descer do carro."

Fagundes acredita que o problema seja a defasagem das atrações, exibidas numa tela de 320 m2. "Abriram muitas salas em shoppings, e os distribuidores demoram para liberar um lançamento para o drive-in."

     

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