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09/12/2007 - 16h10

Sem personalidade, Bolonha é cenário de Salão do Automóvel

FABIANO SEVERO
enviado especial da Folha de S.Paulo, a Bolonha

Bolonha é uma cidade curiosa. Não é charmosa como Veneza, não tem a tradição de Roma nem a elegância de Milão. Assim, sem muita personalidade, é seu salão do automóvel. As montadoras investem muito menos do que nas mostras americanas, alemã e francesa. Isso, porém, não afasta o público. Em 2006, 1,2 milhão de pessoas esteve no Bologna Fiere, calcula a organização.

Até o próximo domingo, 1,3 milhão deve cruzar os seus 12 pavilhões. É pouco mais do que o dobro de público do último Salão de São Paulo --620 mil.

Aliás, Bolonha é o salão dos números. São 343 expositores, 10,7 mil vagas no estacionamento, 67 mil test-drives e oito pizzarias. E os carros? Eles também estão lá, discretos, como se não fossem novidade. Na Europa, as más línguas dizem que a Itália é como marido traído: é sempre o último a conhecer as novidades. Ao todo, são cem novos carros, com 13 estréias mundiais.

Metade dos seis lançamentos europeus é da indiana Mahindra, que apresentou os mesmos modelos que estavam em São Paulo. As atrações alemãs já deram as caras em Frankfurt, em setembro, e as japonesas, em Tóquio, em outubro.

O presidente da Ford na Itália, Gaetano Thorel, revelou a Focus Style Wagon e a versão esportiva ST. Ele não confirma, mas diz que, tradicionalmente, o Focus é lançado na Europa e, em seguida, produzido na Argentina. Assim, o Brasil receberia a nova geração já em 2008.

Ele segue as novas linhas Kinetic --cuja missão é fazer com que, mesmo parado, o carro passe a idéia de estar em movimento, como o Fiesta-- e dificilmente terá no Brasil as versões perua e esportiva.

Em Bolonha, debutaram ainda os Renault Modus e Grand Modus -16 cm maior que o primeiro, chegando a 4 m de comprimento. Para a Renault, é tamanho suficiente para concorrer com o Honda Fit, que, no salão, não ostentava as atualizações exibidas em Tóquio.

É até uma opção para a Renault do Brasil, já que ambos compartilham a plataforma "B" do Logan e do Sandero. Já o Hyundai i10, também uma estréia mundial, só deve chegar ao Brasil caso seja fabricado em Anápolis (GO).

A surpresa maior foi o Audi A3 Cabriolet. Era esperado para Genebra, em março, mas a Audi preferiu o impacto da mostra italiana. O motor é o mesmo 2.0 turbo de 200 cv do TT. A capota se recolhe em apenas 9s, e as vendas na Europa começam em abril, mas ainda não há previsão para o Brasil.

Mais do mesmo

Antes disso estarão nas ruas as várias versões de modelos que já existem. Entre elas está o Alfa Romeo 147 Ducati Corse, que, assim como o Spider, homenageia a marca campeã deste ano de MotoGP.

O Hummer H3, a Opel Zafira e o Porsche Boxster Spyder também receberam versões, que chegam ao mercado europeu no início do ano que vem.

FABIANO SEVERO viajou a convite da Promotor International S.p.A.


     

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