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09/12/2007 - 16h14

Gás e segurança separam Brasil da Europa

FABIANO SEVERO
enviado especial da Folha de S.Paulo a Bolonha

Enquanto o Brasil passa por uma das piores crises de abastecimento de gás natural, a Itália usa o Salão de Bolonha para incentivar seu uso.

Para eles, com o barril de petróleo cotado a quase US$ 100, o GNV é a solução mais barata, rápida e eficaz para diminuir as 12,5 milhões de toneladas de CO2 despejadas todos os anos.

Além disso, a Itália já tem um abastecimento bem estruturado, que hoje move cerca de 1,8 milhão de carros no país -na Europa, os veículos convertidos chegam a 12 milhões. Os cálculos são da Tartarini, uma das maiores convertedoras para a gás no continente.

Mas os híbridos (carros que combinam motores a gasolina e elétrico) ainda parecem um sonho de americanos e japoneses --Honda e Lexus (marca de luxo do grupo Toyota) mostraram até esportivos com as duas propulsões, que já haviam debutado em Frankfurt e Tóquio.

Em Bolonha, a Citroën é uma das que levantam a bandeira do gás. Mostrou sua C4 Picasso 1.8 com quatro botijões transversais de gás natural no bagageiro. Vermelhos, ficam escondidos sob um acabamento de veludo e roubam parte do espaço para as malas. A minivan é prometida para chegar ao Brasil em abril, mas só com a motorização 2.0 a gasolina.

O brasileiríssimo Volkswagen Fox também aderiu ao gás natural. Seu motor 1.4 (o mesmo usado na Kombi) foi desenvolvido na Alemanha para rodar também com o combustível gasoso. Agora ele gera 88 cv (cavalos) e emite 125 g/km de CO2 contra os 75 cv e 159 g/km do motor só a gasolina.

A Volkswagen nega qualquer intenção de vendê-lo no Brasil.

Até o Kia Picanto teve sua dose de gás. O porta-malas, que já era pequeno, quase sumiu com o botijão: caiu de 280 litros para 112 litros. São 61 cv.

ESP e ABS

As discussões de segurança são outra prova de que o mercado europeu está longe do brasileiro. A mesma Bosch, que há três meses inaugurou uma fábrica de freios com ABS (antitravamento) no Brasil --para, assim, barateá-lo--, incentiva o uso de ESP (controle eletrônico de estabilidade) na Europa.

Como o ABS e o airbag já são obrigatórios na maioria dos países europeus, nada mais óbvio que incentivar um outro equipamento que ajuda a reduzir o número de acidentes.

Cinco pessoas fantasiadas de "dummies" (bonecos com sensores usados em crash-tests) passeavam pela feira com a frase "Choose ESC" (escolha o ESC, nome que a Bosch dá para o sistema de estabilidade). Fora do pavilhão, uma pista molhada mostra como o sistema eletrônico corrige o carro que sai da trajetória numa curva.

A Fiat também tem estratégias diferentes de incentivo à segurança no Brasil e na Itália. Aqui ela reduz o custo do kit que traz airbag duplo e ABS, de R$ 5.000 para R$ 2.900. Na Europa, faz o mesmo, mas com o ESP. Até o pequeno 500 vem com o controle de estabilidade. Já imaginou o ESP num Mille?


     

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