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20/04/2008 - 09h58

Soluções improvisadas colocam segurança em risco

DENISE RIBEIRO
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Nem sempre a enfermeira Kênia Hubner, 53, e o publicitário Hélio Potts, 53, casados há 18, encontraram uma almofada ergonômica o suficiente para dirigir com conforto. Por isso Potts, quando começou a dirigir, aos 18 anos, usava uma almofada larga no banco do seu Volkswagen Fusca.

O recurso é necessário para que as pernas dos portadores de nanismo dobrem no ângulo certo para alcançar os alongadores de pedais. "Muitos anões ainda usam almofadas improvisadas para dirigir", reconhece ele, dono de um Honda Fit.

Depois de adaptar por conta própria uma almofada de sofá, o publicitário mandou cortar uma espuma de densidade semelhante e forrou uma tapeçaria. É essa que ainda usa, alternando com a produzida pela Cavenaghi, a empresa que mais faz adaptações no Brasil.

"Eles fazem exatamente no formato do encosto, na densidade e na espessura que você escolher", comemora Hubner, que tem 1,23 m de altura -10 cm a menos que o marido.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 70% dos 24,5 milhões de brasileiros com algum grau de limitação funcional vivem abaixo da linha de pobreza. Para eles, comprar um carro não é prioridade, e os que têm, muitas vezes, deixam de adaptá-lo.

Improviso

"A situação na periferia das cidades é de arrepiar", atesta a deputada estadual Célia Leão, paraplégica que dirige há 20 anos. Moradora de Campinas (95 km a noroeste de São Paulo), ela já viu deficientes "se virando como podem", o que inclui usar pedaços de pau para acionar os pedais.

"Há muita gente com seqüelas de poliomielite dirigindo carros sem adaptação. Eles empurram, com a mão, o joelho da perna que acelera. Com cabo de vassoura, acionam o freio e a embreagem", narra a deputada.

Entre os que têm acesso a um veículo pelo menos mecânico, fazer adaptação é a única saída. A artista plástica Adriana Broun, 31, paraplégica desde os 17, quando sofreu um acidente de carro, comprou um Fiat Mille zero-quilômetro. Teve a isenção dos impostos, mas gastou R$ 3.000 na adaptação feita pela Guidosimplex, hoje representada pela Technobras.

"O carro tem embreagem com fotocélula, além de acelerador e freio manuais. Já saiu da concessionária do jeito que pedi", conta, satisfeita com o resultado. "Bom mesmo seria um automático", contrapõe.

"Barrigada"

Entre os que já fizeram a passagem do mecânico para o automático está o ex-modelo Ranimiro Lotufo, 47, hoje produtor de multimídia. Sem a parte inferior da perna direita (caiu do parapente num fio de alta tensão), Lotufo acaba de comprar um Honda Fit.

Antes disso, tinha um Volkswagen Gol mecânico adaptado (embreagem manual e pedal invertido). "Não dá nem para comparar a diferença. É outro mundo dirigir só acelerando e freando. Traz segurança."

Ele entende de insegurança. Meio sem graça, Lotufo revela que, nos tempos do Gol, às vezes o sistema da embreagem (que funciona a vácuo) travava, e ele também improvisava uma "perna extra" com a muleta.

"Não tinha paciência de esperar o conserto. Tirava a adaptação e usava a embreagem normal, com a muleta. A parte de baixo punha no pedal, e a de cima apoiava na barriga", revela, rindo.

ONDE ENCONTRAR
Cavenaghi: 0/XX/11/3719-3739
Hand Drive: 0/xx/11/2901-3072
Technobras: 0/xx/11/3836-2990


     

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