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31/05/2009 - 10h50

Sedãs médios nacionais são "lanterninhas" de vendas

FELIPE NÓBREGA
da Folha de S.Paulo

Imagine o Pedro Bial apresentando um "Big Brother" às avessas. Ao invés do eliminado na votação deixar o programa, seria o "queridinho" dos telespectadores quem faria as malas. Assim, no final do reality show, sobrariam apenas os BBBs com menos carisma.

Esse é o clima deste paredão, protagonizado pelos quatro lanterninhas em vendas entre os sedãs médios "nacionais" --Fiat Linea, Ford Focus, Peugeot 307 e Renault Mégane.

Vendem tão pouco que nem juntos empatam com o Chevrolet Vectra (1.986 unidades em abril). Pior só se estivessem na prova do líder contra o Toyota Corolla, que emplacou 4.201 unidades no mês passado, duas a mais que o Honda Civic.

Imunidade só para o Citroën C4 Pallas, que ainda figura entre os quatro mais comercializados na soma do ano, apesar de ter escorregado em abril --vendeu apenas 750 unidades, 38% a menos que em março.

Era tudo o que o Focus queria. Com 922 unidades comercializadas no mesmo período, o sedã da Ford é o primeiro a se livrar do incômodo reality show às avessas.

"Bastou normalizar a distribuição do carro para que a situação começasse a mudar", comemora Adriana Carradori, gerente do produto.

Vencedor técnico

Com fila de espera de 20 dias, o Focus GLX 2.0 automático desponta como o vencedor técnico desse comparativo. Reestilizada em agosto, a versão agrada pela boa dirigibilidade. É racional e dispensa futilidade para ser uma das mais baratas da categoria (R$ 61.595). Só não espere a supremacia do motor de 145 cv (cavalos), que nem "flex" é. Mas em quatro meses isso muda, preveem lojistas.

Sem o Focus pelo caminho, quem se livra do paredão seguinte é o Linea. Com 887 unidades emplacadas em abril, o caçula do segmento vem galgando posições no ranking.

No entanto, está longe de alcançar o montante de 2.500 unidades mensais estimadas pela Fiat no lançamento do carro, em setembro passado.

Sem imunidade num segmento em que a Fiat se iludiu --e iludiu-- com o finado Marea, o Linea está longe de virar celebridade instantânea.

De acordo com fontes ligadas à marca, o erro da montadora foi adiar o lançamento do modelo em quase um semestre. Queriam que o carro chegasse no auge. Não o da crise, como acabou acontecendo.

Aos trancos

Sem o brilho esperado, o Linea acabou apelando para o velho truque de ex-BBBs. Apareceu 'pelado': sem 5 cv de potência, sem as roda de liga e sem alguns mimos de conforto. Tudo para custar R$ 53.990.

Mas é a configuração intermediária HLX (R$ 59.350) com o motor 1.9 de até 132 cv que chega bem vestida para o comparativo Folha-Mauá.

Parado, o veículo impressiona pela tecnologia. É o único, por exemplo, a ter GPS integrado ao painel (opcional). Mas, andando, os trancos do câmbio automatizado incomodam e não ajudam nas retomadas.

Comparando com um automático de verdade, dirigir um carro automatizado vira prova de resistência. Talvez o Bial, num daqueles ensejos poéticos, batesse mais no Fiat por esse detalhe.

Sem ter como ignorar os números de vendas, o paredão final é entre os lanterninhas Mégane e 307 Sedan. Só resta saber qual deles leva o título desse 'Big Brother' às avessas.

As montadoras cederam os carros para teste


     

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