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07/06/2009 - 10h11

Tecnologia sofisticada para acionar comandos do carro coloca motoristas em apuros

FELIPE NÓBREGA
da Folha de S.Paulo

Para não chegar atrasada ao chá de cozinha da filha, a aposentada Maria José Francisco, 62, tomou coragem e pegou, pela primeira vez, o Honda Civic do marido.

Mas não era só o relógio que conspirava contra ela. "Assim que estacionei, comecei a apertar tudo quanto era botão para tentar destravar a porta do sedã. O máximo que consegui, nos primeiros minutos, foi abrir o porta-malas", lembra.

A falta de padrão no posicionamento e no funcionamento dos comandos do carro também complica a vida de manobristas, que entram em pane com a sofisticação tecnológica.

"Causei o maior congestionamento quando peguei um [Mercedes] Classe A [semiautomático]. Como ia mover um carro com alavanca de câmbio normal, mas sem pedal da embreagem?", diz Alex Rocha, 33.

Já o manobrista Manuel Vieira, 40, conta que "quase enfartou" por causa de um botão. "Fui descer o vidro, mas apertei uma tecla errada. O Citroën abaixou até o chão, pensei que tivesse quebrado o carro!"

Orientação

Para evitar esses problemas, as concessionárias costumam instruir o comprador sobre como operar o veículo adquirido.

Mas até quem foi orientado pode ser vítima da pegadinha tecnológica. Nesse caso, a saída é ter à mão o telefone do consultor técnico da concessionária ou do SAC do fabricante, além do manual do carro.

O Renault Mégane nacional é um dos que mais intrigam funcionários de estacionamentos. "Como não tem chave, é um botão no console que desliga o motor. Até descobrir isso, foi uma missa, e com o motor do sedã ligado", comenta o manobrista Lindomar Alves, 33.

Outro que coça a cabeça quando entra em um veículo sofisticado é Cícero Xavier, 26. "O [VW] Passat alemão não tem alavanca de freio de mão. Um botão no painel aciona o freio. Nem a Mãe Dináh adivinharia como funcionam importados "high-tech"."

No Sindicato dos Empregados em Estacionamento e Garagens não há curso de orientação sobre como lidar com a tecnologia. "É um "manobra" que ensina o outro", explica o manobrista Robson Missias, 30.

Para evitar que a sofisticação dos comandos atrapalhe o manobrista e, com isso, provoque um acidente, o gerente de estacionamento Ulisses Dias, 43, aconselha o proprietário a entregar o automóvel sempre com uma orientação técnica.

"Mesmo os carros antigos têm manhas. Uns nem possuem mais a indicação de como se deve engatar a ré", lembra.


     

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