12/07/2009
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09h58
Fãs organizam campeonatos em simuladores de corrida com plateia
FELIPE NÓBREGA
da Folha de S.Paulo
Quando Juan Manuel Fangio corria na Fórmula 1 dos anos 50, os carros não tinham sequer cinto de segurança. Hoje, a vida de piloto é muito menos arriscada, principalmente a dos que competem do sofá de casa.
A evolução dos videogames e dos simuladores, além da possibilidade de conectá-los à rede, proporcionou a criação de uma nova categoria no automobilismo (provavelmente uma das que mais cresce no mundo): a das competições virtuais.
No Brasil, já existem vários sites apostando nesse filão, como o Racebrasil (www.racebrasil.com.br) e o Gridtv (www.gridtv.com.br). Eles organizam e transmitem campeonatos virtuais em diversas categorias, da F-1 à DTM (campeonato alemão de turismo).
As etapas "ao vivo" mais importantes chegam a ter cerca de 1.500 "telespectadores" -um terço do que havia na arquibancada do autódromo de Interlagos na última etapa da GT3 (corrida de supercarros).
"Não esperava tanto. As corridas têm até narrador e comentarista. É melhor do que muita transmissão de TV", diz o fã de velocidade Ricardo Rossi, 24, que descobriu essas corridas "zapeando" pela internet.
Segundo o narrador Alex Alvim, uma espécie de Galvão Bueno das corridas virtuais, "até os pilotos Valdeno Brito [Stock Car] e Beto Monteiro [Fórmula Truck] participam".
Piquet
Correr em um campeonato virtual, dependendo da categoria, exige quase a habilidade de um Nelson Piquet -o pai. Além de contornar "chicanes" a mais de 200 km/h, ainda é preciso conhecimento mecânico.
Do carro, podem ser configurados a suspensão, as asas, a cambagem, a pressão dos pneus... E cada autódromo exige um ajuste para tempo seco ou chuvoso, como na vida real.
Assim, pagar a taxa de inscrição do campeonato (R$ 40 por dez corridas) é tarefa simples.
As competições virtuais exigem outros investimentos, como um console (PC ou videogame) de última geração e acessórios para jogos de simulação.
O ilustrador Fernando Emetério, 23, diz ter investido cerca de R$ 500 em um kit com pedaleira e volante. "Agora, quando passo sobre uma zebra, por exemplo, sinto a direção tremer e ficar mais dura. É como se eu estivesse lá na pista."
Até pilotos de verdade treinam em corridas de mentira
Para o ex-piloto de Fórmula 3000 Marcelo Battistuzzi, os simuladores têm um papel importante na formação e no treino para competições reais.
O próprio Lewis Hamilton não esconde que aprendeu parte dos macetes da F-1 em um joystick. O inglês, em sua primeira temporada, decorou os circuitos que não faziam parte da GP2 (categoria de acesso à F-1) e quase foi campeão.
Thiago Camilo, da Stock Car, segue este caminho. "Estou correndo também na TC2000 [campeonato argentino de turismo] e não conhecia todos os circuitos. Uso os simuladores para decorar o traçado."
Camilo e outros pilotos frequentam a academia V10, em São Paulo. Ela tem um simulador que, além do cockpit, tem cabos no capacete para simular a força da gravidade nas curvas.
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