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13/09/2009 - 10h28

BRP Spyder chama atenção nas ruas por onde passa

FABIANO SEVERO
da Folha de S.Paulo

Esqueça Mini Cooper, smart fortwo ou qualquer outra coisa que se mexa. Nada na rua chama mais a atenção do que o BRP Spyder amarelo-ovo.

Fred Chalub/Folha Imagem
Por R$ 80mil, triciclo canadense vem equipado com motor de 106 cv
Por R$ 80mil, triciclo canadense vem equipado com motor de 106 cv

Ninguém ao certo sabe o que ele é especificamente. Perguntam se deriva de carro, moto ou coisa parecida. Está mais para coisa parecida: vem com três rodas e tem forma de "Y".

Se o dono quiser, dá para usá-lo no dia a dia? E se bater uma fome exatamente em frente a um McDonald's, ele encara? A Folha levou o triciclo canadense para um passeio inusitado numa das unidades da lanchonete em São Paulo.

Ao chegar, a primeira dúvida: parar o Spyder em vaga de carro ou de moto? O estacionamento de automóveis costuma ficar cheio, e o de motocicletas tem uma barreira para evitar que veículos de 1,50 m de largura roubem espaço das motos.

A segunda opção é tentar a sorte no "drive-thru". Logo na entrada, as "tartaruguinhas" no chão mostram que a suspensão dianteira de duplo braço em "A" --igual à de carros de corrida-- é dura e absorve pouco impacto. Nem poderia ser diferente. Num triciclo, se não houver aderência, há risco de capotamento.

Só que, no BRP (sigla para produtos de recreação da Bombardier), quando você se livra da "tartaruguinha" com as rodas dianteiras, cai com o pneu traseiro de 225 mm de largura. A sensação de superar um buraco sem senti-lo só dura 1,72 m, sua distância entre-eixos.

Sensação de touro mecânico

Dez metros depois vem a primeira curva para a esquerda. Não tente deitar como na moto nem segurar o corpo como no carro. A pegada é de quadriciclo. É preciso girar o guidão, travar a perna na carenagem e rezar para não ser arremessado para o lado de fora da curva.

O Spyder, com controles eletrônicos e freios ABS, puxa para o outro lado. Há quem o compare a um touro mecânico no auge de sua forma.

A 10 km/h, porém, não há o que temer. A questão é escolher o sanduíche e pagá-lo. "Seu pedido, por favor", pergunta a atendente, talvez pensando no que aquela coisa estranha estava fazendo ali.

Três funcionários colocam a cabeça por cima do ombro da atendente para tentar ver o triciclo. Afinal, não é todo dia que o barulho forte daquele motor Rotax austríaco V2 de 998 cm3 (106 cv) ecoa pelos corredores de um "drive-thru".

Começa o ritual: passa o ponto morto, tira a luva, fica em pé, tira a carteira do bolso, seleciona as notas e paga.

Sabendo que não haverá lugar para carregar muita coisa, não dá para pedir nada mais do que sanduíche e refrigerante.

Com o dedão esquerdo, engata-se a primeira marcha do cambio semiautomático de cinco marchas para levar o Spyder até a cabine seguinte. É só acelerar com a mão direita e frear com o pé direito.

E agora, onde acomodar o lanche? Sobre o painel analógico é uma opção, mas não a solução. Na frente, até existe um compartimento à prova d'água para levar um capacete e uma mochila, mas sua refeição não chegará sã e salva em casa.

Com esse brinquedinho de R$ 79.500, o jeito é filar uma vaga de carro no McDonald's ou comer numa churrascaria. Resta saber se o manobrista saberá tirar o BRP do lugar.


     

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