27/09/2009
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10h32
Antecipar-se ao IPI não garante desconto do carro; data da entrega define isenção
RICARDO RIBEIRO
colaboração para a Folha
O preço do carro novo vai subir cerca de 1,5% a partir de quarta-feira (30). Será o primeiro de quatro reajustes mensais equivalentes programados até dezembro, quando finda o desconto do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) concedido pelo governo para incentivar as vendas do setor.
No entanto, nem toda compra fechada neste mês é garantia de isenção de aumento.
Como o valor do IPI é calculado com base na data da nota fiscal, emitida na entrega do veículo, qualquer carro retirado a partir de outubro poderá vir reajustado, mesmo que a encomenda tenha sido feita antes. Algumas lojas, no entanto, prometem prorrogar o desconto e absorver o aumento.
"Se o carro entrar em produção antes de outubro, conseguiremos manter a redução, mesmo que a fábrica entregue o veículo só no mês seguinte", afirma Guilherme Kogan, gerente da VW Itavox.
Outra concessionária que apostará na manutenção dos preços para atrair clientes é a Da Vinci. "Como o repasse de 1,5% está dentro da margem de negociação, é possível que em certos casos ele seja absorvido pela loja", diz o supervisor de vendas José Maria Silva.
Populares em falta
Para evitar surpresas, o consumidor deve pedir à concessionária que discrimine o valor do IPI no contrato, diz Valéria Cunha, assistente do Procon.
No caso de um carro de R$ 25 mil, o aumento de 1,5% do IPI elevaria o seu preço em cerca de R$ 320 a partir de outubro. Segundo a Anfavea (associação de fabricantes de veículos), cada ponto percentual do IPI equivale a 0,85% do preço sugerido pela fábrica, pois incide sobre o valor de produção.
A quatro dias do reajuste, nem todos os modelos são encontrados para pronta entrega. De acordo com lojistas, o estoque de "populares" em versões de entrada, por exemplo, já foi quase todo liquidado.
O consumidor deve atentar também para o financiamento. "Se o juro for maior do que 2%, o benefício obtido com a redução do imposto será em vão", calcula o professor de economia da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo) Keyler Rocha.