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Blog do João

02/02/2004 - 10h59

Quando bate uma saudade

Segunda-feira. Esse é o dia. Sempre bate. Depois de um final de semana inteirinho ao lado dele, do despertar à hora de dormir, é difícil encarar a segundona, quando voltamos ao trabalho e ele vai para a escolinha.

Neste dia, o que foi tão intenso até o dia anterior dá lugar a uma saudade boa, quase uma melancolia "paternal". Esse sentimento não é só meu. Dia desses, a Mãe veio com essa e conseguiu verbalizar um sentimento que há muito eu experimentava, mas ainda não tinha identificado ao certo: "Puxa, o final de semana já acabou e amanhã começa aquela correria de novo. Já dá uma saudade, vamos ficar longe dele o dia todo, e como demora até a hora de a gente ficar junto de novo...". Na mosca. Era esse sentimento que me atingia em cheio toda segunda.

Saudade do pequeno, das risadas, travessuras, musiquinhas, carinho, sinceridade, enfim, um pouco disso tudo misturado. Pensando bem, no meu caso, o bicho começa a pegar já na noite de domingo, quando o colocamos para dormir e também nos preparamos para ir para cama.

Normalmente, quando o sono custa a chegar, fico relembrando como foi o fim de semana, mixando memórias recentes com antigas, até adormecer embriagado pelo banzo. Perigoso, esse jogo. Ainda que a segunda seja um dia difícil e a saudade "bata" em cheio, o melhor mesmo é empurrá-la pra lá, aproveitar todos os momentos e cair na farra com ele todos os dias.
Luiz Rivoiro é jornalista, editor-chefe do Núcleo de Revistas da Folha. Começou a escrever quando descobriu que a Mãe estava grávida, em agosto de 2001.

E-mail: lrivoiro@uol.com.br

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