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Blog do João

09/02/2004 - 20h42

Festa de arromba

Quando dei por mim, estava ali, entre dois palhaços, imitando uma galinha, ciscando para uma platéia repleta de bebês, crianças, familiares e amigos. Parece, mas não se trata de uma "pegadinha", mas da festa de aniversário de dois anos do João, que aconteceu no último sábado, na casa dos meus pais, em Ribeirão Preto.

No início de tudo, confesso que tremi pelo futuro do evento. Afinal, ainda toda a produção estivesse muito bem azeitada (bexigas multicoloridas, salgadinhos, docinhos e bebidinhas em geral), as crianças não reagiram muito bem à grande aparição do casal de palhaços, "Gotinha" e "Pingo D'Água".

Não sei se foi a música estridentemente alta, a coreografia extremamente movimentada ou a esfuziante alegria da dupla, mas o fato é que bastou eles aparecerem com aquelas caras de palhaços para muitos dos presentes abrirem o berreiro --inclusive o anfitrião.

Aos poucos, no entanto, eles foram ganhando a confiança da jovem platéia com brincadeiras e músicas, que, aprendi, têm lugar de destaque no toca CD de muitos dos presentes, como Xuxa, Kelly Key e a insuportável, mas sempre presente, Luka "Tô nem aí, Tô nem aí...". (Tá certo, fiz de propósito, agora vocês também vão ficar cantando essa música pentelha).

O ponto alto, no entanto, foi a rodada de dança, com o tio Vivi, o mais pé-de-valsa de todos os convidados, dando um show no quintal, com participação especialíssima da Vovó, que não apenas dançou, mas também participou das brincadeiras, como aquela que todos vão passando sob uma corda que a cada rodada vai ficando mais próxima ao chão. Um verdadeiro clássico. Nesse momento, 45 minutos depois do início, o duo de palhaços --também chamados de "Goteirinha" e "Pingo N'Água" pelo João-- finalmente havia conquistado a exigente platéia mirim, atraindo para o recinto até aquele garoto que, em pânico, havia se refugiado na cozinha com medo dos cara-pintada quando tudo começou.

Pouco depois, por sugestão dos próprios, foi emendado o "Parabéns a Você", com efusiva participação de todos os presentes. Melhor impossível, não fosse a moça do carrinho de mini-doguinho ter aproveitado a chance para escapulir, me deixando com aquele gostinho de 'quero-mais'...

Mas tudo bem. A festa foi ótima. O menino --tenho certeza, pois ele me contou-- adorou, e foi emocionante observar a satisfação estampada nos rostos do avós, promoters de um evento tão bacana. Quanto a nós, pais, posso dizer que também nos divertimos --e muito. Afinal, além de tudo, foi uma oportunidade de reunir um grupo de amigos que há muito se conhece (alguns há mais de 25 anos!), botar o papo em dia, olhar as crianças brincando juntas e sair dali com a certeza de que a vida pode ser boa, muito boa.
Luiz Rivoiro é jornalista, editor-chefe do Núcleo de Revistas da Folha. Começou a escrever quando descobriu que a Mãe estava grávida, em agosto de 2001.

E-mail: lrivoiro@uol.com.br

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