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Brasília Online

20/06/2007

Mantega deve vencer debate sobre inflação

KENNEDY ALENCAR
Colunista da Folha Online

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deverá vencer a disputa interna contra o presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, a respeito da meta de inflação de 2009.

Nas duas últimas semanas, Lula se inclinou pela defesa de Mantega: manter a meta de 2009 em 4,5% ao ano, exatamente a mesma de 2007 e 2008. Meirelles e Bernardo defendem redução da meta para 4%.

Lula chegou a considerar a redução da meta para 4%. Auxiliares importantes também.

No entanto, o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre, que veio abaixo do esperado por Lula, e um forte argumento de Mantega levaram o presidente a avaliar que a manutenção da meta em 4,5% seria mais conveniente política e economicamente.

O argumento apresentado pelo ministro da Fazenda: reduzir a meta significaria diminuir o espaço do Banco Central para baixar os juros, o que poderia ter impacto negativo no crescimento da economia. A prioridade de Lula é elevar a taxa de crescimento da economia, não o controle da inflação, algo que ele considera já realizado.

Mantega disse a Lula que o BC sempre mira abaixo da meta de inflação. Exemplo: a meta de 2007 é 4,5%, mas as projeções indicam que a taxa deverá terminar o ano em 3,6%.

Ou seja, esse resultado, quase 1 ponto percentual abaixo do centro da meta, seria prova do excesso de conservadorismo monetário do BC. Reduzir a meta de inflação a partir de 2009 só estimularia esse conservadorismo, disse o ministro da Fazenda ao presidente.

Lula ficou sensibilizado pelo argumento de Mantega. Até a semana que vem, o presidente se reunirá com os ministros da Fazenda e do Planejamento, além do presidente do BC, para bater o martelo. A meta de 2009 deve ser fixada com 18 meses de antecedência. Tudo indica que Mantega levará a parada.

O ministro da Fazenda, visto com ressalva por Lula na virada do primeiro para o segundo mandato, tem conquistado espaço na cúpula do governo. Passou a ser mais ouvido pelo presidente. Ganhou a posição, dizem integrantes da cúpula do governo.

Mais: economistas com os quais Lula se reúne freqüentemente também acham que Mantega tem razão ao apontar o suposto excesso de conservadorismo do BC. Reduzir a meta de inflação de 2009, pensam, poderia comprometer as metas de crescimento do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Elas são de 4,5% em 2007 e de 5% de 2008 a 2010. Faz um sentido danado, levando-se em conta o retrospecto do BC.

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Intervalo da meta

Atualmente, a meta de inflação tem um intervalo de variação de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Com o centro da meta em 4,5%, a taxa de inflação poderia variar entre 2,5% e 6,5%.

Uma eventual redução do intervalo a partir de 2009 poderia ser analisada, como forma de fazer alguma concessão a Bernardo e Meirelles. Mantega, porém, também é contra essa mudança.

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Pacote fechado

Prevalecendo a posição de Mantega, a meta de inflação de 2010 também deverá ficar em 4,5% ao ano. Ou seja, durante todo o segundo mandato de Lula.

Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos. Também é comentarista do telejornal "RedeTVNews", no ar de segunda a sábado às 21h10.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

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