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Brasília Online

30/12/2007

Disputa entre Dilma e Amorim emperra abertura de arquivos

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KENNEDY ALENCAR
colunista da Folha Online

Uma disputa de bastidor entre os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Celso Amorim (Relações Exteriores) tem emperrado a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de abrir os arquivos oficiais da época da ditadura militar (1964-1985) e de estipular novas regras para acesso a documentos públicos confidenciais.

Dilma lidera um time de auxiliares de Lula que defende o fim do chamado sigilo eterno --possibilidade de manter indefinidamente em segredo documentos considerados ultra-secretos. Já Amorim sustenta uma posição que o Itamaraty defende desde o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002): manter em segredo documentos que se referem à demarcação de fronteiras do Brasil com países vizinhos ao final da Guerra do Paraguai (1864-1870).

Como Lula deseja tomar uma decisão para acesso a documentos oficiais de todos os períodos históricos do Brasil, o veto de Amorim emperra uma saída e, por tabela, a divulgação de arquivos da ditadura de 1964.

Em 2004, a Folha revelou que autoridades brasileiras subornaram árbitros que demarcaram fronteiras, subtraindo território do Paraguai no século 19. A Argentina, aliada do Brasil na Guerra do Paraguai, também teria usado o mesmo expediente e se beneficiado dele, de acordo com documentos ultra-secretos mantidos em sigilo.

O Itamaraty recomenda que uma nova regra para acesso a documentos públicos mantenha veto aos arquivos da Guerra do Paraguai. Amorim e diplomatas sustentam que a divulgação desses arquivos poderia criar novas crises diplomáticas.

O grupo de Dilma avalia que um sigilo que já passa dos 100 anos atenta contra o direito dos brasileiros de conhecer a sua história, por mais constrangedores que alguns episódios possam ser.

Em relação aos arquivos da ditadura, o governo avalia que os documentos têm pouco poder de gerar grandes polêmicas. As Forças Armadas sustentam que muitos documentos foram destruídos. No Palácio do Planalto, há desconfiança de que estejam em mãos privadas.

O governo Lula tem deixado a desejar na área dos direitos humanos. Em agosto, deu um passo adiante ao lançar o livro "Direito à Memória e à Verdade, primeiro documento do governo federal que acusa a ditadura militar de atos cruéis contra opositores que não podiam mais reagir --como decapitação, esquartejamento, estupro, tortura de modo geral, ocultação de cadáveres e execução.

O livro relatou os 11 anos de trabalho da Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos Políticos, instância que integra a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, órgão comandado pelo competente Paulo Vannuchi, ele próprio um ex-preso político.

Opinião pura

O Brasil merece conhecer integralmente a sua história. É um crime histórico continuar a ocultar eternamente ações desabonadoras do passado. Lula deveria abrir todos os arquivos oficiais e estipular regras claras e democráticas para acesso a documentos públicos. O fim do "sigilo eterno" seria uma excelente decisão presidencial.

Memória

Em dezembro de 2002, FHC alterou a legislação sobre a acesso público a documentos oficiais. O tucano ampliou para 50 anos o prazo de divulgação de documentos ultra-secretos e oficializou o "sigilo eterno", possibilidade de que uma comissão interministerial renovasse esse prazo de confidencialidade sem restrição de tempo.

No primeiro mandato, Lula alterou a lei. Reduziu o prazo de ultra-secreto para 30 anos. Previu renovação por mais 30. Mas manteve a possibilidade de que, antes do final dos 60 anos, uma comissão interministerial pudesse manter em sigilo documentos ultra-secretos que ameaçassem "a soberania, a integridade territorial nacional ou as relações internacionais do país", como diz a Constituição. Ou seja, "sigilo eterno".

Agora, o governo estuda um nova regulamentação que divide a Casa Civil e o Itamaraty. Nos bastidores, Lula prometeu tomar decisão no primeiro trimestre de 2008. Ele deseja abrir todos os arquivos sobre a ditadura, mas leva em conta ponderações da diplomacia para ocultar documentos sobre Guerra do Paraguai.

Kennedy Alencar, 41, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal "RedeTVNews", de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas "É Notícia", aos domingos à meia-noite.

E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br

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Comentários dos leitores
Santos Júnior (134) 02/07/2009 23h47
Santos Júnior (134) 02/07/2009 23h47
Sr. Alcides Emanuelli, se o Sr ler um pouco mais verá que a "ditadura militar" não atrasou o progresso e desenvolvimento do país, muito pelo contrário. Só para dar alguns exemplos, durante o regime militar foram construídas as pontes da Amizade, Rio - Niterói, as barragens de Itaipú, Boa Esperança, Sobradinho, Tucuruí, construídos alguns estádios de futebol,a criação da EMBRAER, da EMBRATEL, do Funrural, do PIS/PASEP, do FGTS, da SUDAM, da SUDENE e etc.O "milagre econômico" do Governo Médici fez o Brasil crescer 11% ao ano.Mesmo com todas estas conquistas, nada justificaria um regime "fechado" à liberdade como foi este se os verdadeiros inimigos da nação não quisessem "cubanizar" o Brasil.Concordo com o Sr que nosso querido país está "entregue" e ventos gelados, Sr Emanuelli, ainda estão por vir.Isso é só o começo! sem opinião
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João Carlos Gagliardi (1580) 30/06/2009 19h07
João Carlos Gagliardi (1580) 30/06/2009 19h07
Muito estranha a afirmação deste ex-soldado, que a "Secretaria de Direitos Humanos e do Ministério da Justiça" não querem encontrar os corpos dos terroristas Araguaia.
O que estas pessoas MAIS querem é justamente o oposto disso.
Querem corpos, querem mídia, cobertura nacional e internacional, quanto maior a repercussão, melhor...
O objetivo dessa turma, não é nem um pouco humanitário acredito eu...
sem opinião
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Alcides Emanuelli (1332) 30/06/2009 14h11
Alcides Emanuelli (1332) 30/06/2009 14h11
Não sei como o homem não consegue comprender os regimes de interesses corporativistas.
Ditaduras existem ainda no mundo, são regimes que oprimem um povo, são regimes que previlegiam seus donos e o poder corportativistas.
O regime de ditadura dos militares muito comprometeram nosso progresso e desenvolvimento, e todos os regimes totalitarios comprometem o desenvolvimento, porque a liberdade é tolhida.
O regime que o outro grupo queria implantar o comunismo tambem seria uma ditadura mas como dizem uma ditadura de esquerda, sendo que a que existiu e venceu foi a de direita.
Para o povo era e foi uma violencia em dose dupla, de um lado o poder do exercito que estava constitucionalizado forte e organizado, do outro lado, intelectuais, estudantes, artistas, e outros que queriam tambem estar no Poder para deles tirarem seus proveitos.
Para o povo infelizmente um deles seria o vencedor e foi os militares, hoje ao contrario o outro lado venceu e esta no poder, tambem mostrando sua incompetencia como foi a dos militares.
E a Nação que deveria ser mais justa, menos sofrida, salva de todos as dificuldades socias como fica!
Fica ao lento ou ao vento para ir para onde ele a levar.
São ventos gelidos, fortes e incessantes que agredim a Nação a aos poucos vão destruindo toda e qualquer tentativa de se erguer, levantar suas vozes, para serem ouvidos e poderem gritar por liberdade.
Liberdade significa por fim a violencia, a reconstituição da familia brasileira.
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