Brasília Online
Por 2010, Serra evita polarizar com Lula
KENNEDY ALENCAR
colunista da Folha Online
O governador de São Paulo, José Serra, resiste às pressões do PSDB e do DEM para polarizar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Avalia que poderia inviabilizar seu projeto presidencial. Para Serra, a polarização agora só interessaria a Lula e à potencial candidata do PT ao Palácio do Planalto, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Em conversas reservadas, Serra tem dado essa resposta à pressão de aliados para elevar o tom das críticas a Lula. Exemplo: recentemente, o presidente alfinetou o governador, ao dizer que esperava que não se entregasse mais aos estudantes do país um mapa com dois Paraguais. Foi alusão direta a livro didático distribuído pelo governo paulista.
A pressão para Serra endurecer o discurso aumentou com a pesquisa Datafolha que apontou redução de oito pontos percentuais da vantagem sobre Dilma no período de três meses. Na pesquisa de 16 a 19 de março, o tucano tinha 41% contra 11% da petista. No levantamento de 26 a 28 de maio, ele caiu para 38% enquanto ela subiu para 16%. A vantagem de 30 pontos diminuiu para 22.
Apesar de Serra continuar líder e favorito, a pesquisa mostrou que a popularidade de Lula voltou ao nível pré-crise econômica. Para aliados, Serra deveria atacar Lula e Dilma a fim de desgastar o governo e quebrar a tendência de alta da potencial candidata petista.
Mas Serra acha que essa polarização só reforçaria Dilma porque se daria contra Lula, um político popular. Mais: boa parte dos que aprovam Lula são simpáticos a Serra.
Para o tucano, o debate deverá acontecer em 2010 com Dilma, que, por ora, recusa-se a assumir a candidatura. Agora, poderia correr o risco de afastar em benefício da ministra os "lulistas simpáticos" a ele, Serra..
Em 2010, pensa o tucano, será mais conveniente enfrentar Dilma. Agora, caberia aos senadores e aos deputados do PSDB e do DEM desgastar o governo e Dilma. Ou seja, quem deve bater não é ele.
Serra sabe que a estratégia de postergar o combate direto é arriscada, mas considera que precisa construir um discurso voltado para o futuro e não para a comparação entre as administrações federais do PT (governo Lula) e do PSDB, que esteve no poder central entre 1995 e 2002 com Fernando Henrique Cardoso.
Recentemente, Serra citou Lênin (1870-1924): "Para ser um bom bolchevique, é preciso duas coisas: paciência e ironia. Vamos ter de ter as duas coisas neste ano e no ano que vem".
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Kennedy Alencar, 42, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal "RedeTVNews", de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas "É Notícia", aos domingos à meia-noite. E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br |

