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Brasília Online

05/02/2006

Datafolha tira Lula do inferno político

KENNEDY ALENCAR
Colunista da Folha Online

Pesquisa Datafolha dá fôlego ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na hora em que ele mais precisa: o começo de um ano eleitoral. O levantamento tira Lula de seu inferno político.

O presidente não recuperou a condição de favorito, hoje ainda com o prefeito de São Paulo, o tucano José Serra, mas voltou a ser um candidato competitivo no segundo turno. É uma excelente notícia para quem enfrenta uma crise política da dimensão da atual.

A pesquisa tem duas boas notícias para Lula: a melhora de sua avaliação como presidente e a redução da desvantagem relação a Serra na simulação do segundo turno.

A pesquisa também traz algumas preocupações para o PSDB. Serra deverá ficar numa tremenda dúvida. Sair da Prefeitura de São Paulo, o terceiro posto mais importante do país, ou ficar no cargo com aquele sentimento de ter jogado fora a chance de ser presidente. Nunca Serra esteve tão bem nas pesquisas para tentar conquistar o Palácio do Planalto.

Hoje, Serra venceria Lula no segundo turno por uma diferença de oito pontos percentuais. Em dezembro, essa vantagem era de 14 pontos. Ou seja, Lula está em recuperação.

Até onde o petista chegará? É lícito supor que o novo salário mínimo de R$ 350 a partir de abril e uma série de obras que pretende inaugurar ainda renderão a Lula bons momentos políticos. O presidente tem chance de voltar a vencer Serra no segundo turno.

Já o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que sentiu nesta semana o avanço de Serra na disputa tucana, não tem muito a comemorar. Pelo contrário. Perde de Lula no primeiro e no segundo turno. Alckmin será candidato se o PSDB achar que Lula vai vencer e se Serra amarelar. Hoje, o prefeito de São Paulo levaria a indicação.




Promessa ou fiasco?

Alckmin é um político que não tem a história de Lula e Serra. Ainda precisa ser testado numa campanha presidencial, na qual o grau de inquirição e exposição é enorme. O governador reage mal a cobranças. Perguntas incômodas o levaram a fugir da raia, a tergiversar pura e simplesmente.

Muita gente próxima a Alckmin, realmente próxima, que conviveu com ele de perto nos últimos anos, espantou-se ao saber da ligação do governador com a Opus Dei, organização religiosa ultraconservadora. Assustou tomar consciência de um lado secreto de uma figura tão pública.

Alckmin ainda precisa se apresentar ao país. Poderá se dar muito bem, mas poderá se dar muito mal.




Os números do Datafolha

A pesquisa mostra que Lula recuperou os índices de aprovação que tinha antes da crise do "mensalão". Segundo o levantamento, 36% dos entrevistados consideram o desempenho de Lula ótimo ou bom --contra 23% que julgam o atual governo ruim ou péssimo. O Datafolha ouviu 2.590 pessoas em 153 cidades, nos dias 1º e 2 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Na pesquisa anterior, de dezembro, 29% dos entrevistados achavam o governo ruim ou péssimo, contra 28% que o consideravam ótimo ou bom. O número de pessoas que considera o governo regular caiu de 41% para 39%.

Antes do início da crise do "mensalão", em junho do ano passado, o índice de aprovação do presidente também era de 36%. Nas pesquisas seguintes, o número caiu sucessivamente, até chegar ao nível mais baixo (28% em outubro). O presidente deve a melhora na avaliação aos mais pobres, segmento no qual tem investido, como antecipou a Folha em dezembro.

Sobre a sucessão, os números são os seguintes: empate técnico entre Serra (34%) e Lula (33%) no primeiro turno. No segundo turno, o prefeito de São Paulo teve 49% contra 41% do presidente.

Lula bate Alckmin nos dois turnos. No primeiro, o placar é de 36% para o presidente contra 20% para o tucano. No segundo turno, Lula tem 48% das intenções de votos, contra 39% para o tucano.
Kennedy Alencar, 41, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal "RedeTVNews", de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas "É Notícia", aos domingos à meia-noite.

E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br

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