Futebol na Rede
13/02/2006
Colaboração para a Folha Online
Virou moda achar e noticiar crises nos clubes de futebol. Problemas das mais diversas ordens sempre ocorrem nas equipes, mas nos últimos anos, parece que o noticiário dos times se resumem a relatar situações de crises e problemas internos. Muitas vezes, são comentados problemas antes que eles aconteçam.
A simples contratação de um jogador já é motivo para inúmeras situações de hipotéticas crises. Comentários de que o atleta é indisciplinado, tem problemas de relacionamentos com o treinador, não gosta de treinar, são feitos antes de o profissional vestir a camisa do clube. Depois, todos parecem "torcer" para que o atleta cometa um deslize para que o passado do jogador seja lembrado e ele tenha seu nome ligado a mais uma crise. Estamos com um pouco mais de um mês de atividades no futebol profissional em 2006 e todos os grandes times de São Paulo já tiveram (ou têm) crises no noticiário.
O Santos, por exemplo, começou o ano com uma crise pré-anunciada. No mesmo dia em que anunciou a contratação de dois goleiros de nível --Fábio Costa (ex-Corinthians) e Roger (ex-São Paulo)-- começaram as especulações que os dois criariam problemas para Vanderlei Luxemburgo, fato que até agora não aconteceu. Depois veio o episódio das dispensas de Giovanni, Luizão e Cláudio Pitbull, outro momento de turbulência, já que a maioria preferiu criar polêmica sobre a decisão do treinador, no lugar de analisar qual o motivo da dispensa dos três jogadores.
No São Paulo, não faltaram tentativas de transformar fatos comuns em problemas de proporções gigantescas. Primeiro, foi falado que o time tinha maus resultados devido à acomodação pelo tricampeonato mundial. Depois da derrota para o Juventus, o trabalho de Muricy Ramalho, que estava começando, foi questionado. Como o time entrou em fase de vitórias, já foi deflagrada uma nova crise agora envolvendo o clube e o fornecedor de material esportivo, devido a um problema ocorrido na partida de Marília.
No Palmeiras e no Corinthians, até os pequenos problemas se tornam casos complicados e de difícil solução.
No time do Parque São Jorge, aparece um "grande problema" por dia. São problemas de salários, relacionamento entre o clube e a MSI, entre membros da diretoria. A simples internação de Tevez na semana passada se tornou um problema interminável. O motivo da estadia do argentino no hospital se transformou em uma verdadeira onda de boatos, de infecção intestinal, passando por um problema dentário, complicações após tomar uma injeção e terminando em excesso de consumo de bebidas alcóolicas. Um problema banal, que cresceu e agora ameaça a demissão um médico do clube. Após a derrota para o Santos, no clássico do último domingo, vão começar os boatos sobre a competência do técnico Antônio Lopes.
O mundo perfeito do Palmeiras desmoronou em apenas uma semana. Um derrota normal para o São Paulo foi o que faltava para que aflorassem crises no clube. Foi nítido como o time e o técnico ficaram descontrolados após a partida contra o São Paulo. Em Campinas, contra o Guarani, o que se viu foi um time sem confiança. Até o técnico Leão se descontrolou e agrediu repórteres (esta sim uma crise grave que tem que ser reportada). Depois desse episódio, o cenário ideal para a crise estava montado. Faltava mais um mau resultado, e ele aconteceu contra o Bragantino, para que a crise fosse instalada e muito comentada. Com certeza, os problemas médicos e a demora de recuperação dos jogadores se tornará, em pouco tempo, mais um foco de crise no clube.
Acho que muitas vezes, nós, que escrevemos sobre futebol, temos mais que nos preocupar com o que acontece dentro dos gramados, na prepararação das equipes, nos esquemas táticos, do que transformar o noticiário esportivo em uma revista de celebridades.
Mudando de Assunto
Parabéns ao Botafogo pela conquista da Taça Guanabara. Que essa conquista seja o início da recuperação do clube e que em pouco tempo o time consiga voltar a ser um dos mais fortes do futebol brasileiro. Destaque também para o América, que na última semana voltou a ser lembrado como um time que tem história, tem que ser lembrado.
Até a próxima.
No futebol, queremos crises
HUMBERTO PERONColaboração para a Folha Online
Virou moda achar e noticiar crises nos clubes de futebol. Problemas das mais diversas ordens sempre ocorrem nas equipes, mas nos últimos anos, parece que o noticiário dos times se resumem a relatar situações de crises e problemas internos. Muitas vezes, são comentados problemas antes que eles aconteçam.
A simples contratação de um jogador já é motivo para inúmeras situações de hipotéticas crises. Comentários de que o atleta é indisciplinado, tem problemas de relacionamentos com o treinador, não gosta de treinar, são feitos antes de o profissional vestir a camisa do clube. Depois, todos parecem "torcer" para que o atleta cometa um deslize para que o passado do jogador seja lembrado e ele tenha seu nome ligado a mais uma crise. Estamos com um pouco mais de um mês de atividades no futebol profissional em 2006 e todos os grandes times de São Paulo já tiveram (ou têm) crises no noticiário.
O Santos, por exemplo, começou o ano com uma crise pré-anunciada. No mesmo dia em que anunciou a contratação de dois goleiros de nível --Fábio Costa (ex-Corinthians) e Roger (ex-São Paulo)-- começaram as especulações que os dois criariam problemas para Vanderlei Luxemburgo, fato que até agora não aconteceu. Depois veio o episódio das dispensas de Giovanni, Luizão e Cláudio Pitbull, outro momento de turbulência, já que a maioria preferiu criar polêmica sobre a decisão do treinador, no lugar de analisar qual o motivo da dispensa dos três jogadores.
No São Paulo, não faltaram tentativas de transformar fatos comuns em problemas de proporções gigantescas. Primeiro, foi falado que o time tinha maus resultados devido à acomodação pelo tricampeonato mundial. Depois da derrota para o Juventus, o trabalho de Muricy Ramalho, que estava começando, foi questionado. Como o time entrou em fase de vitórias, já foi deflagrada uma nova crise agora envolvendo o clube e o fornecedor de material esportivo, devido a um problema ocorrido na partida de Marília.
No Palmeiras e no Corinthians, até os pequenos problemas se tornam casos complicados e de difícil solução.
No time do Parque São Jorge, aparece um "grande problema" por dia. São problemas de salários, relacionamento entre o clube e a MSI, entre membros da diretoria. A simples internação de Tevez na semana passada se tornou um problema interminável. O motivo da estadia do argentino no hospital se transformou em uma verdadeira onda de boatos, de infecção intestinal, passando por um problema dentário, complicações após tomar uma injeção e terminando em excesso de consumo de bebidas alcóolicas. Um problema banal, que cresceu e agora ameaça a demissão um médico do clube. Após a derrota para o Santos, no clássico do último domingo, vão começar os boatos sobre a competência do técnico Antônio Lopes.
O mundo perfeito do Palmeiras desmoronou em apenas uma semana. Um derrota normal para o São Paulo foi o que faltava para que aflorassem crises no clube. Foi nítido como o time e o técnico ficaram descontrolados após a partida contra o São Paulo. Em Campinas, contra o Guarani, o que se viu foi um time sem confiança. Até o técnico Leão se descontrolou e agrediu repórteres (esta sim uma crise grave que tem que ser reportada). Depois desse episódio, o cenário ideal para a crise estava montado. Faltava mais um mau resultado, e ele aconteceu contra o Bragantino, para que a crise fosse instalada e muito comentada. Com certeza, os problemas médicos e a demora de recuperação dos jogadores se tornará, em pouco tempo, mais um foco de crise no clube.
Acho que muitas vezes, nós, que escrevemos sobre futebol, temos mais que nos preocupar com o que acontece dentro dos gramados, na prepararação das equipes, nos esquemas táticos, do que transformar o noticiário esportivo em uma revista de celebridades.
Mudando de Assunto
Parabéns ao Botafogo pela conquista da Taça Guanabara. Que essa conquista seja o início da recuperação do clube e que em pouco tempo o time consiga voltar a ser um dos mais fortes do futebol brasileiro. Destaque também para o América, que na última semana voltou a ser lembrado como um time que tem história, tem que ser lembrado.
Até a próxima.
| Para o técnicoVanderlei Luxemburgo, que armou o Santos muito bem no clássico contra o Corinthians. Com um time em formação e inferior tecnicamente ao adversário, ele escalou três zagueiros (Manzur, Luiz Alberto e Domingos) e dois volantes de marcação (Maldonado e Fabinho) e anulou Ricardinho, Carlos Alberto, Tevez e Nilmar, as principais peças ofensivas do Corinthians. A surpresa de Luxemburgo na escalação do Santos pegou de surpresa Antônio Lopes, que dentro do gramado, pouco antes do início do jogo, teve que chamar alguns jogadores para mudar o esquema tático do Corinthians. | Já está virando rotina no Campeonato Paulista o atraso do início das partidas devido a troca de uniforme dos jogadores. Recentemente, Fábio Costa, do Santos teve que trocar a camisa, discutiu com o árbitro e ainda levou um cartão amarelo. No jogo entre São Paulo e Portuguesa Santista, o goleiro Ronaldo, do time de Santos teve que trocar a camisa e Rogério Ceni (São Paulo) teve que trocar o seu par de meias. Esses casos me fazem perguntar: o que fazem os quartos árbitros que não observam, com a devida atenção, detalhes dos uniformes dos times antes de eles entrarem em campo? | |
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Humberto Luiz Peron, 40, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, redator da revista Monet e colaborador do Diário Lance. Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br |
