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Futebol na Rede

08/05/2007

O título para o melhor

HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Seria muito injusto o Santos não ficar com o título de campeão Paulista de 2007. Não se pode negar que o time da Vila Belmiro foi o melhor da competição. Na fase de classificação, a equipe sobrou e garantiu com tranqüilidade o primeiro lugar. Enquanto todos se preocupavam apenas em ficar entre os quatro mais bem colocados, o time, mesmo disputando a Taça Libertadores, lutou para assegurar a liderança, pois a vantagem de resultados iguais em jogos decisivos é muito importante.

Graças a esse direito, o Santos ainda teve a oportunidade de jogar três das quatro partidas decisivas muito abaixo do que pode apresentar e ainda assim ficar com o título. No jogo decisivo, o Santos provou porque foi o grande time do Campeonato Paulista. Muitos dizem que o São Caetano se acovardou e "tremeu" na decisão.

Não concordo com essa tese. O Santos é que acabou encurralando o São Caetano, com um primeiro tempo que beirou a perfeição. Graças à ousadia de seu treinador, que já tinha usado a formação com Maldonado atuando na marcação do setor direito da defesa santista e Pedrinho como um meia-atacante, quando o seu time estava em situações adversas.

O título prova que desde o Campeonato Brasileiro de 2002 o Santos voltou à rotina de conquistas e coroa o investimento do clube em sua estrutura. Graças ao seu moderno centro de treinamento, o técnico Vanderlei Luxemburgo, apoiado por boas equipes de preparação física e médica, teve quase sempre o máximo de jogadores em condições para as partidas, além de encontrar o equilíbrio para usar os atletas nas duas competições que o clube disputava simultaneamente.

Não se pode tirar o mérito de Luxemburgo. Quando ele fica preocupado apenas com a parte técnica e tática da partida, continua sendo o melhor treinador do país. Como provou na segunda partida da decisão do Campeonato Paulista. Infelizmente o técnico tem o seu nome envolvido em certas situações que acabam tirando todo o foco do seu excelente trabalho.

Seria um grande erro não citar Fábio Costa como um dos responsáveis pelo bicampeonato do Santos. Tecnicamente o goleiro vive um momento muito bom, mas para se tornar um atleta de seleção talvez falte um melhor controle emocional. Em muitas ocasiões ele perde o controle e gera problemas para o time. O arqueiro foi decisivo nas partidas semifinais, contra o Bragantino, quando com suas defesas garantiu os dois empates sem gols, resultados que asseguraram a equipe na decisão.

O volante Maldonado e meio-campista Cléber Santana também fizeram um campeonato muito bom. O chileno, além de ser perfeito na cabeça-de-área, também mostrou muita eficiência quando precisou jogar cobrindo o lado direito da defesa santista. Já Cléber Santana, mesmo caindo de produção na fase final do torneio, mostrou que é um jogador capaz de fazer várias funções. Nesse campeonato ele atuou com destaque como volante e meia-armador com a mesma eficiência, além de ter sido o artilheiro do Santos na competição.

A regularidade do lateral-esquerdo Kléber também foi fundamental para a conquista do Santos. Seus avanços pelo lado esquerdo e a precisão de seus cruzamentos (inclusive o do passe que originou o gol do título) foram uma das principais forças ofensivas do time. Muito bom tecnicamente, o lateral também foi bem quando deslocado para jogar no meio-campo.

Mas o grande jogador do Santos foi mesmo o meia Zé Roberto, o melhor jogador que atua no Brasil no momento. Sempre deixado de lado e tratado como coadjuvante, o jogador provou que é um craque e pode liderar times para grandes conquistas. Além disso, mostrou que não foi nenhum absurdo ser considerado como o melhor jogador do Brasil na última Copa do Mundo.

Por fim, não poderia esquecer de parabenizar outros times que conquistaram campeonatos estaduais, como Flamengo, Grêmio, Atlético-MG, Vitória, Sport, Paranavaí, Chapecoense, Brasiliense, Fortaleza, ABC, Atlético-GO, Remo, América-SE e todas as demais torcidas que puderam comemorar a conquista de seus clubes. Pena que o tempo de festa seja curto, pois muitos desses times ainda têm jogos importantes pela Copa do Brasil, Libertadores e o início do Campeonato Brasileiro.

Até a próxima.
O destaque   O que deveria ser destaque
Tudo bem que foi apenas um título do Campeonato Paulista da Série A-2, mas que essa conquista sirva como o ponto de partida para que a Portuguesa volte a ocupar o seu lugar entre os grandes do nosso futebol. Que o título também impulsione a equipe na Série B do Campeonato Brasileiro. Todos criticam o monopólio das transmissões esportivas no Brasil. Principalmente como a detentora dos direitos interfere nos horários nas transmissões dos jogos e, muitas vezes, como não transmite alguns eventos para não mudar sua grade de programação. Só que o problema é que quando outras redes conseguem os direitos agem exatamente do mesmo jeito.
Humberto Luiz Peron, 40, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, redator da revista Monet e colaborador do Diário Lance. Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@folha.com.br

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