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Futebol na Rede

25/09/2007

O futebol ainda me emociona

HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Um dos meus maiores receios desde quando comecei escrever sobre futebol era perder o encanto com o esporte. Também pudera: acompanhar futebol diariamente, o que era um prazer, passaria a ser uma obrigação. Sem dizer que, vivendo no mundo do esporte, você muitas vezes se decepciona com os bastidores, com seus antigos ídolos e se depara com um mundo não muito ético. Mas, felizmente, mesmo após alguns anos de estrada, confesso que o futebol ainda me emociona e me dá vários momentos de satisfação e alegria. Ainda bem que eu continuo gostando do jogo tanto ou mais do que quando eu era um simples torcedor de arquibancada.

Impossível não se emocionar quando se vê lances como o que a aconteceu na semana passada na partida entre Nottingham Forest e Leicester pela Copa da Liga Inglesa. A atitude do time do Leicester, que deixou o goleiro do adversário conduzir a bola até o seu gol para que fosse restabelecida a vantagem da partida que havia sido interrompida, mostra que mesmo com tantos interesses econômicos em campo, ainda há espaço no futebol para o espírito esportivo. A atitude do time inglês nos lembra que do outro lado do campo temos um adversário e não um inimigo, e que o futebol é apenas um jogo e que não vale tudo para se conseguir uma simples vantagem.

Agora, fica impossível não torcer pelas garotas da seleção brasileira que estão disputando o Mundial na China. Não dá para não se emocionar com um time que, mesmo com o mínimo apoio, está entre os melhores do planeta. Só a atacante Marta e suas companheiras sabem a luta que elas tiveram que passar e, principalmente, os dribles que tiveram que dar no preconceito para que pudessem se tornar jogadoras de futebol.

Também não dá para ficar imune quando se vê como os torcedores gostam de seus clubes e são apaixonados por eles. Outro dia, estava vendo um DVD que mostra a campanha do Atlético-MG na conquista da Série B do ano passado. Até quem não é torcedor do clube se emociona com a comunhão que aconteceu entre a torcida e o time, desde as lágrimas de tristeza que caíram após o rebaixamento até a confirmação do título da segunda divisão e, principalmente, o retorno da equipe à Série A.

Não que seja bom cair de divisão, mas também foi comovente a demonstração de amor das torcidas do Palmeiras, Botafogo e Grêmio quando esses caíram para a Série B. Agora vemos a demonstração de força da massa do Bahia, que não deixa de empurrar o time, que, pelo segundo ano consecutivo, disputa a Série C do Campeonato Brasileiro.

Fico comovido em ver como os torcedores de times que não têm um grande contingente de fãs lutam, defendem e amam suas equipes. O seu clube pode não ter a mínima chance de disputar um título, pode não aparecer no noticiário, mas eles sempre estão lá, na arquibancada, fiéis.

Fico extremamente feliz quando vejo que as pessoas ainda discutem futebol. É muito gratificante quando você observa que um jogo mexe com a rotina das pessoas. Começando com a ansiedade dos torcedores antes das partidas e só terminando no outro dia após várias horas de discussão.

Não dá para deixar de sentir uma alegria com o futebol quando você vê crianças que mal sabem caminhar já tentando chutar uma bola, gritando nomes de jogadores e escolhendo os times que irão torcer pela vida toda. Ou ver os mais velhos disputando animadas peladas, seja nos campos de várzea, nas praias, nas ruas, ou em qualquer lugar em que se possa improvisar um par de traves.

Que o futebol sempre emocione a todos.

Até a próxima.

Para a justa vitória do Palmeiras sobre o Corinthians no clássico do último domingo. O time de Caio Júnior foi melhor a partida inteira. Se contasse com um lateral-esquerdo mais eficiente e com um centroavante de nível teria dado uma sonora goleada no seu rival --sem contar as defesas de Felipe. Já o Corinthians mostrou que tem um time horrível, com vários jogadores medíocres que não conseguem dominar a bola. Agora aposta em Nelsinho Baptista para salvar o time do rebaixamento. Resta saber se o técnico vai conseguir fazer isso num tempo tão curto, ou seja, em 11 partidas.

Para a boa fase que vive o Fluminense. Já garantido para a próxima Taça Libertadores, o time dirigido por Renato Gaúcho ganhou 16 pontos nas últimas seis partidas. Vale a pena ressaltar no time do Fluminense o talento do meia Thiago Neves. Um jogador raro no atual momento do futebol brasileiro. Ele é um armador canhoto, com boa visão de jogo e que ainda tem a capacidade de finalizar muito bem, inclusive de longa distância. Se o Fluminense quiser fazer uma boa campanha na Libertadores, é fundamental que o clube faça um esforço para ter o jogador no início da próxima temporada.

Humberto Luiz Peron, 40, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, redator da revista Monet e colaborador do Diário Lance. Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@folha.com.br

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