Futebol na Rede
O futebol no futuro
HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online
O futebol jogado dentro de cinco ou dez anos será melhor do que o praticado atualmente. Acho que, finalmente, a modalidade vai conseguir conciliar a técnica com o preparo físico. Vai acabar o mito de que mais vale um jogador com excelente preparo físico do que um atleta técnico. Com a volta dos talentos ao campo, o jogo tende a ficar mais ofensivo, com os times procurando mais o gol.
Taticamente, também antecipo que o 3-5-2 será sepultado, e os times jogarão no 4-4-2, com uma linha de quatro zagueiros bem definida, outra linha de quatro meias e dois atacantes, ou seja, cada time será armado com, no mínimo, seis jogadores com vocação ofensiva. Também será padrão para os times marcar a saída de bola do time adversário.
Diante desse cenário, projeto como será a evolução das posições nos próximos anos.
Goleiros - A média de altura dos goleiros continuará crescendo, já que eles começarão a jogar mais fora do gol, pois terão que fazer a função de líbero, além de serem fundamentais no corte de bolas aéreas. Será essencial que além de jogar embaixo das traves, o goleiro saiba utilizar os pés para sair jogando. Também será prioritário que os goleiros se aprimorem na reposição de bola, tanto com as mãos, como com os pés.
Zagueiros - Os zagueiros terão que se adaptar a jogar sem a proteção de volantes. Por isso, os defensores terão que dar combate direto aos atacantes. Não haverá mais espaço para aquele zagueiro que fica na sobra é e apenas um rebatedor de bolas. Por isso, os zagueiros terão que ser rápidos e eficientes na antecipação. Os beques também terão que diminuir o número de faltas, já que o rigor com o jogo violento só aumentará nos próximos anos. Qualquer defensor deverá ter um bom passe para que sua equipe tenha uma boa saída bola.
Laterais - Os laterais terão uma função mais defensiva do que ofensiva nos próximos anos. Eles atuarão mais na marcação do seu setor. Caberá aos laterais também a função de cobrir os zagueiros. Eles serão fundamentais nas bolas cruzadas no segundo pau. Na parte ofensiva, atuarão como um elemento-surpresa, principalmente se receberem a bola após uma virada de jogo.
Volantes e meias - Os dias dos volantes que só sabem correr e marcar estão contados. Jogadores com essas características irão desaparecer (talvez os atletas com esse perfil possam tentar jogar como zagueiros). O futebol nos próximos anos precisará de meio-campistas que sejam rápidos, tenham a capacidade de dar velocidade aos seus times com toques rápidos e lançamentos longos e exigirá que os meias fiquem próximos dos atacantes. Também será necessário que os jogadores do setor tenham a capacidade de chutar de longa distância. Na marcação, eles terão que ter uma boa noção tática para ocupar os espaços e evitar que o adversário construa as jogadas. Sem o apoio seguido dos laterais, caberá aos meias as jogadas pelas laterais do campo.
Atacantes - Continuaremos com dois tipos: os velocistas e os que jogam fixos na área. Aos rápidos será exigido um deslocamento contínuo pelos dois lados do campo, procurando abrir espaços para os meias e o outro atacante. Já para os que ficarão mais presos na área, será fundamental que eles sejam precisos nas finalizações, principalmente nas cabeçadas. Acho que terminará a fase de se exigir que o atacante se preocupe em preparar bolas para seus companheiros. Se cobrará dos atacantes que eles façam gols. Também serão valorizados os atacantes que sejam efetivos na marcação da saída de bola dos adversários.
Na esperança que o futebol fique mais atrativo, vamos ver, daqui a alguns anos, se fui feliz nas minhas previsões.
Até a próxima.
Uma pena a queda de Santa Cruz e Remo para a Série C do Campeonato Brasileiro. Os dois times possuem grandes e fanáticas torcidas que não mereciam passar por esse sofrimento. Também é péssimo que a cidade de Belém não tenha nenhum time nas principais divisões do nosso futebol. Falando em Série B, é preciso que se apure com rigor as denúncias do Santa Cruz sobre um esquema de arbitragem. Só achei estranho que o clube não tivesse revelado o esquema quando começou a ser procurado.
Depois de quase quinze dias de parada, devido aos jogos das Eliminatórias, o Campeonato Brasileiro volta para suas duas últimas rodadas, com a luta por vagas na Taça Libertadores e para escapar do rebaixamento. Minha curiosidade nesse retorno é saber como a parada irá se refletir no desempenho dos times e quais se prepararam direito para a reta final do torneio. Também chama atenção como irão se comportar as equipes que não brigam por mais nada no torneio.
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Humberto Luiz Peron, 40, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, redator da revista Monet e colaborador do Diário Lance. Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@folha.com.br |
