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Futebol na Rede

12/02/2008

A magia dos dribles

HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Para alguns técnicos pragmáticos e até para alguns cronistas, o drible não deve ser utilizado em uma partida. Defensores de uma objetividade, que, aliás, não existe no futebol, eles argumentam que as firulas tiram de um time a rapidez que o futebol moderno exige. Parece que até os jogadores estão sendo levados por esse tipo de pensamento e poucos arriscam um drible. Quando fazem um lance desconcertante são advertidos pelos seus adversários que não se conformam de serem driblados.

Eu penso exatamente o contrário. Com os times igualados tecnicamente e com a forte marcação, os dribles são essenciais. Muitas vezes, um único drible desarma todo o sistema defensivo do adversário. Sem dizer que uma finta é um lance mágico, muitas vezes, um único drible é tão bonito, que equivale à marcação de um gol.

Um outro motivo para o número de dribles ter diminuído sensivelmente durante as partidas está no fato de que os pontas não existem mais. Esses jogadores, que jogavam perto da lateral do campo, tinham que ter uma habilidade incomum para em um espaço restrito conseguir driblar o zagueiro adversário e chegar à linha de fundo. Muitas vezes, um único drible não era suficiente para se livrar do marcador. Assim, o extrema dava várias pequenas fintas, para finalmente conseguir deixar o marcador batido.

Tivemos grandes ponteiros que fizeram das dimensões reduzidas das extremas do gramado um latifúndio. Entre eles destaco: Julinho Botelho, Canhoteiro, Edu, Joãozinho, Ney, Lula... a lista seria imensa. Todos tinham prazer em driblar e deixar seu adversário batido. É lógico que não poderia esquecer de Garrincha e seus dribles. O seu principal drible (que para alguns era sua única jogada) era uma rápida arrancada pela direita. Todos sabiam sua jogada, mas nunca sabiam qual o momento que Garrincha iria fazer para deixar mais um João (nome que ele dava aos seus marcadores) para trás.

Alguns dizem que a "irresponsabilidade" de Garrincha fez com que ele ficasse de fora das duas primeiras partidas da nossa seleção na Copa do Mundo de 1958. Tudo porque em um dos últimos amistosos de preparação do time, na Itália, o ponta, depois de uma jogada brilhante em que driblou o goleiro adversário e com o gol livre, esperou a chegada desesperada de um zagueiro adversário para lhe aplicar outra finta desconcertante e, aí sim, marcar o gol.

Existem vários tipos de dribles, mas dois são especiais e marcantes. O primeiro é o chapéu, jogar a bola por cima do adversário. O outro é colocar a bola entre as pernas do adversário.

Como os gols, todos têm seus dribles inesquecíveis. Sem fazer um grande esforço de memória me lembro de alguns. Não dá para esquecer o drible de corpo que Pelé deu no goleiro uruguaio Mazurkiewicz, na semifinal da Copa do Mundo de 1970. Também não dá para esquecer os vários elásticos dados por Rivellino (quantos desprovidos de habilidade não caíram no chão ao tentarem imitar o lance). Também é inesquecível a série de dribles, em velocidade, que Maradona deu para marcar o segundo gol da Argentina, contra a Inglaterra, na Copa do Mundo de 1986.

Um lance que sempre vejo e me impressiona é um drible do ponta Kaneco, do Santos. Correndo com a bola, ele levantou a bola a com os calcanhares e deu um chapéu no incrédulo zagueiro adversário (recentemente o meia Fábio Baiano fez o um lance parecido jogando pelo Grêmio). De mais recente, me lembro a seqüência de pedaladas de Robinho (Santos) diante de um perplexo Rogério (Corinthians), na final do Campeonato Brasileiro de 2002. Perdido com a jogada, o lateral corintiano cometeu um pênalti.

Desculpe os pragmáticos, mas no futebol driblar continua sendo obrigatório.

LATERAIS
Muitos leitores se manifestaram sobre a lista de laterais que fiz na última edição de Futebol na Rede. Os nomes mais citados dos que eu deixei fora foram: Branco, Leonardo, Marco Antônio e Zé Maria. Já os mais criticados da minha escolha foram: Cafu e Roberto Carlos.
Valeu pela participação de todos.

Até a próxima.

Nos Campeonatos Estaduais, enquanto os principais times do Rio de Janeiro estão nas semifinais da Taça Guanabara, com promessa de grande público e jogos no Maracanã, os "grandes" do futebol paulista lutam para recuperar os pontos perdidos para derrubarem os times do interior da ponta da tabela e conseguirem um vaga na fase semifinal. Já no Paraná, o grande destaque é o invicto Atlético-PR, que faz uma campanha perfeita com dez vitórias consecutivas.

Ninguém discute a qualidade do elenco do São Paulo, mas não se pode negar que o número de jogadores é limitado para os inúmeros compromissos que o time vai ter na temporada, principalmente a Taça Libertadores e o longo Campeonato Brasileiro. Já no início do ano, o técnico Muricy Ramalho está tendo sério problemas para completar o banco de reservas nas partidas. Sem dizer que ao perder Leandro e Souza, o time sofreu a baixa de dois jogadores que atuavam em duas ou três posições.

Humberto Luiz Peron, 40, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, redator da revista Monet e colaborador do Diário Lance. Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@folha.com.br

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