Futebol na Rede
Os Ressuscitados
HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online
Palmeiras e Ponte Preta vão fazer a final do Campeonato Paulista. Nada mais justo. A Ponte Preta, das 19 rodadas da fase de classificação, esteve entre os mais bem colocados em 18 delas. Além disso, o time de Campinas venceu nas semifinais as duas partidas contra o primeiro colocado da fase de classificação, o Guaratinguetá. Já o Palmeiras conseguiu uma reação espetacular no final do campeonato, conseguindo uma série de vitórias seguidas e, ainda por cima, chegou à final eliminando o São Paulo, time que vinha tirando o Palmeiras de torneios importantes nos últimos anos.
A chegada desses dois times mostra o ressurgimento de ambos os clubes, que há muito tempo não montavam equipes que pudessem empolgar as suas torcidas. A Ponte Preta, por exemplo, que desde de 1981 não chegava à decisão do Paulista, há vários anos não tinha um time tão qualificado. Como fez com sucesso, no final da década de 1970, o clube, agora em 2008, conseguiu montar um elenco com várias revelações (caso de Wanderley), jogadores experientes, como o zagueiro César, e profissionais que não foram aproveitados em outros times, caso do meia Elias, que pode ficar de fora das finais, e Renato, que não jogará a primeira decisão.
Até a tradição de ter grandes goleiros o time campineiro fez ressurgir. A atuação de Aranha na segunda partida lembrou as melhores partidas de Waldir Peres, Carlos (que é o atual treinador de goleiros do clube) e Sérgio, arqueiros que começaram na Ponte Preta e chegaram à seleção brasileira.
Já que falei em Sérgio, o ex-goleiro, e agora treinador Sérgio Guedes, também merece destaque. Ele formou o elenco que faz sucesso no Campeonato Paulista e tem se mostrado um excelente treinador --indicá-lo como melhor do torneio não é nenhum exagero. O técnico montou um time muito bem postado, que marca bem e também sabe atacar. Também chama a atenção como Sérgio Guedes é claro quando fala.
Já o Palmeiras, depois de muitos anos, conseguiu formar um time com chances reais de ser campeão. Apoiado pelo investimento da Traffic, o clube conseguiu trazer reforços de nível, a começar pelo treinador Vanderlei Luxemburgo. Não se pode deixar de reconhecer que ele é um excelente técnico. Com a chegada dele o Palmeiras se tornou outra equipe, com muito mais personalidade. No passado, o time tomava um gol e desmontava. Nesse ano, o time venceu vários jogos de virada. Alguns jogadores que não rendiam no clube se transformaram desde a chegada de Luxemburgo.
Não se pode ser injusto, mas o treinador é o grande responsável pela virada na carreira do agora volante Léo Lima, outro que ressuscitou no Campeonato Paulista. Para quem não se lembra, o meio-campista foi eleito o pior jogador do futebol carioca no ano passado e hoje é o jogador mais importante do Palmeiras. O meia Valdívia pode fazer a diferença com seu talento, mas é Léo Lima quem dita o ritmo do time em campo.
Pode reparar, se Léo Lima tem uma atuação boa, o Palmeiras joga bem. Na primeira partida das semifinais contra o São Paulo, ele jogou mal, errou muito passes e, por isso, o Palmeiras pouco fez naquele jogo. Já na segunda partida, o volante fez a diferença entrando com a bola dominada no campo do adversário, inclusive marcando um gol (aliás um frango de Rogério Ceni, tudo bem que a bola muda de trajetória, mas ela foi no meio do gol e o salto do goleiro para o lado não se justifica, principalmente quando ele afirmou que não via a bola na hora do chute).
Outra volta por cima no Palmeiras é de Marcos. Depois de dois anos vivendo no departamento médico, até com dúvidas se ele voltaria a jogar, o goleiro voltou muito bem ao gol do Palmeiras. Aí, o mérito não é só de Luxemburgo, que o colocou como titular. Merecem crédito o fisioterapeuta Filé e o preparador de goleiros Carlos Pracidelli.
Palmeiras e Ponte Preta deram a volta por cima no Campeonato Paulista. Agora, nas finais, é a hora de a arbitragem também ressuscitar, pois o nível dela durante o todo o torneio foi sofrível.
Para não dizer que não falei do gás - Lamentável o que aconteceu no vestiário do São Paulo no Palestra Itália. Infelizmente foi o último ato de uma semana em que alguns dirigentes, de ambos os clubes, quiseram aparecer mais do que os jogadores. O caso deve ser esclarecido, até porque o imbecil que fez o ato já deve ter espalhando que foi o autor desse episódio deprimente. É aquele negócio, não basta fazer, tem de contar. Se alguém souber quem fez essa palhaçada tem de denunciar o bandido, até para livrar de acusações times que têm história e a tradição de Palmeiras (dono do estádio) e o São Paulo (não acho que o clube faria atentado contra seus próprios jogadores). Para terminar, acho que o Palmeiras deve ser punido pelo que ocorreu no Parque Antarctica, mas dizer que pelo episódio o estádio não tem segurança é uma grande distância. Até porque, problemas em vestiários acontecem com muita freqüência. São problemas de falta de água, pintura nova, proibição de entrada no gramado, roubo e pressão em cima dos jogadores e arbitragem (até agressão).
Se nos campeonatos Paulista e Gaúcho teremos a disputa entre um time da capital contra uma equipe do interior, três dos principais Estaduais terminam com clássicos que decidiram o torneio. No Rio de Janeiro, Botafogo e Flamengo levam para o gramado a rivalidade aumentada nas últimas decisões. Em Minas Gerais, o Cruzeiro tenta evitar que o Atlético-MG conquiste o título no ano do seu centenário. Já no Paraná, Coritiba e Atlético-PR voltam a decidir um título, o que não acontecia desde 2005.
O meia Alex, do Internacional, tem feito uma temporada excelente. Sem nenhum exagero, ele é um dos três melhores jogadores do futebol brasileiro no momento. Em uma época em que não temos grandes armadores é bom ver um jogador fazer muito bem essa função. Além de estar jogando muito bem na armação, o jogador tem feito muitos gols, alguns muito bonitos. Uma pena que esse excelente momento pode ser interrompido devido a uma contusão.
Até a próxima.
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Humberto Luiz Peron, 40, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, redator da revista Monet e colaborador do Diário Lance. Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@folha.com.br |
