Futebol na Rede
Rodada para ser esquecida
HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online
Horrível. Não existe outra palavra para resumir a última rodada do Campeonato Brasileiro. Estádios vazios, baixa média de gols, jogos sem emoção e de baixo nível técnico, brigas e, principalmente, faltas em excesso. Tudo bem que nossos melhores jogadores estão jogando no exterior, mas isso não serve de desculpa para termos jogos tão ruins.
Não posso deixar de culpar nossos treinadores pelas partidas ruins. Eles, cada vez mais, armam seus times defensivamente. Com tanto medo de não perder as partidas, armam seus times cada vez mais na defesa. Só vemos treinadores dizendo que precisam arrumar seus setores defensivos, mas nunca temos declarações dos técnicos falando em criar alternativas ofensivas.
Afirmo, sem medo de errar, que temos uma geração de técnicos que, na sua grande maioria, são medíocres, que só sabem armar times defensivos e que só sabem dar pontapés. Como quase todos os medíocres, algumas vezes, não lhe faltam sorte e alguns conseguem um título em algum lugar. Uma conquista --vale até campeonato no chamado "Mundo Árabe"-- serve de cartão de visita. Esses treinadores péssimos sempre encontram lugar para treinar times ditos grandes.
Não sei qual o lobby --ou empresário-- que alguns treinadores ruins têm, mas sempre seus nomes são lembrados quando um time fica sem técnico. Desculpe, não é possível que um comandante de nível tenha comandado três ou quatro times num curto espaço de tempo.
Repare bem. Agora, a maioria dos técnicos está tendo uma semana para preparar seus times, mas mesmo assim as equipes não apresentam nenhuma evolução técnica. Isso prova como os nossos técnicos não sabem preparar equipes.
Acontece com os nossos treinadores o mesmo que acontece com os nossos cartolas. Os poucos que se destacam, mesmo não sendo brilhantes, são tratados como gênios.
Nós da imprensa também temos uma culpa enorme na proliferação de técnicos retranqueiros. Por vários anos classificamos como estrategistas treinadores que só pensavam em se defender. Até a malfadada expressão "nó tático" sempre é utilizada quando um treinador consegue evitar que o time adversário consiga jogar.
Também não dá para tirar a responsabilidade dos jogadores em partidas ruins. Não é novidade nenhuma que no futebol brasileiro as partidas têm muitas faltas. Está certo que os nossos árbitros adoram segurar o jogo apitando faltas, mas nossos jogadores abusam em parar o jogo.
Tudo bem que as faltas sempre vão existir e algumas vezes são necessárias. O que não se pode admitir são as infrações bobas. Não me conformo, por exemplo, com um jogador fazendo a falta quando o adversário está de costas para o gol. De repente um atacante acuado e de costas consegue, graças a um defensor afoito, uma falta da qual pode ocorrer um cruzamento na área do adversário.
É incrível como o jogador brasileiro adora empurrar o adversário para levar vantagem. São zagueiros que deslocam o adversário numa bola aérea que está na intermediária. Já os atacantes agora tentam ganhar espaço a qualquer custo, querendo se livrar do marcador atirando o adversário na força dos empurrões.
Continuando a falar de faltas, é sempre bom lembrar que o jogador brasileiro é extremamente desleal. Não faltam cotoveladas, entradas violentas principalmente em carrinhos e soladas com o jogador entrando com a chuteira na canela do adversário. Toda partida tem duas ou três entradas criminosas.
Fica impossível acompanhar um jogo com 50 ou 60 faltas. Além de o jogo ficar extremamente truncado, todos que assistem estão sendo roubados. Só em cobranças de faltas, entre 15 e 20 minutos de jogo são perdidos.
Já escrevi, mas não custa nada repetir, que nos últimos tempos virou moda no nosso futebol dar chutões para a arquibancada. O pior é que esses chutões são dados sem nenhum motivo. Tudo bem aliviar um perigo na área dando um bico para a lateral, mas agora qualquer desarme vem acompanhado com um chute para a arquibancada. O que me deixa abismado é que o autor da jogada comemora um chute para a lateral como se fosse um gol. O pior é que alguns torcedores aplaudem.
Temos o direito de assistir jogos melhores no Campeonato Brasileiro. Por isso, não resta outro caminho a não ser cobrar arbitragem, técnicos e, principalmente, jogadores.
Até a próxima.
Inadmissível que ainda somos obrigados a assistir cenas como as que aconteceram na partida entre Náutico e Botafogo. No caso, todos erraram. O zagueiro André Luís por ter ficado tão descontrolado; a polícia que agiu com extremo rigor com os jogadores do time carioca, e a administração do estádio por deixar trancada a porta do vestiário do visitante. Se o jogador tivesse conseguido sair de campo, muito do que aconteceu seria evitado.
Vocês sabem que sou contra os amistosos da seleção, principalmente contra adversários fracos. Mas os amistosos contra o Canadá e a Venezuela têm sua importância. Além de Dunga ter um bom tempo para ficar com os jogadores e fazer treinamentos, as partidas são importantes para que os atletas que jogam na Europa continuem com o ritmo de jogo, já que os próximos dois jogos pelas eliminatórias, Argentina e Paraguai, serão complicados.
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Humberto Luiz Peron, 40, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, redator da revista Monet e colaborador do Diário Lance. Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@folha.com.br |
