Futebol na Rede
Legião estrangeira
HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online
Não faltam estrangeiros no atual Campeonato Brasileiro, nas Séries A e B. Só num pequeno esforço de memória, já lembramos de Petkovic (Atlético-MG), Valencia (Atlético-PR), Castillo (Botafogo), Espinoza (Cruzeiro), Maxi (Flamengo), Conca (Fluminense), Perea (Grêmio), Bustos, Orozco e Guiñazú (Internacional), Valdívia (Palmeiras), Gavilán (Portuguesa), Molina, Trípodi e Quiñonez (Santos), Reasco (São Paulo), sem dizer Herrera e Acosta (Corinthians), na Série B.
O fenômeno da contratação de tantos estrangeiros deve-se, atualmente, a três motivos bem claros. O primeiro está no êxodo dos nossos jogadores para a Europa. É preciso repor as peças para os clubes formarem seus elencos. O segundo é econômico. Com a valorização do real, fica mais atraente para os jogadores aceitarem propostas dos nossos clubes. Os atletas preferem ganhar o mesmo salário, nos principais times brasileiros, do que jogar em times pequenos da Europa. Por fim, existe o trabalho dos empresários, que tentam usar o Campeonato Nacional como vitrine para colocar seus pupilos no futebol europeu.
Estrangeiros fazendo sucesso no Nacional não é um fenômeno recente. Para quem não sabe, coube a um estrangeiro, o argentino Scotta, que atuava no Grêmio, fazer o primeiro gol da história do Campeonato Brasileiro, numa partida contra o São Paulo. Mas muito antes desse gol, muitos estrangeiros já faziam sucesso no nosso futebol.
Na década de 1940 era comum os times brasileiros contratarem jogadores argentinos, principalmente, e uruguaios. No período, o América do Rio, chegou a ter nove argentinos no seu elenco. Entre os times paulistas, o São Paulo, teve sucesso com dois platinos: Sastre e o goleiro Poy.
Depois de um período sem grandes contratações de estrangeiros e com a limitação na escalação de jogadores de fora, os brasileiros começaram a investir em estrangeiros de novo na segunda metade da década de 1960 e nos início dos anos 1970. Num curto período, os clubes trouxeram vários jogadores que fizeram sucesso no nosso futebol. Como exemplos cito os goleiros Cejas (Santos), Mazurkiewicz (Atlético-MG) e os zagueiros Figueroa (Internacional), Ancheta (Grêmio), Ramos Delgado (Santos), Reyes (Flamengo) e Perfumo (Cruzeiro). Não faltaram também grandes meias e atacantes. Além do já citado Scotta, vieram jogadores com Artime, Hector Silva e Madurga (Palmeiras), Doval (Flamengo), Fischer (Botafogo) e Pedro Rocha (São Paulo).
Se até meados da década de 1970 os clubes acertaram na contratação de estrangeiros, na segunda metade tivemos vários fracassos. O mais notório deles foi o meia argentino Hector Bambino Veira, que após uma acirrada disputa entra Palmeiras e Corinthians acabou indo parar no Parque São Jorge. Mas o seu desempenho no clube foi pífio e ele logo foi dispensado. O Atlético-MG trouxe o goleiro Ortíz. Com uma cabeleira e usando longas bermudas, o arqueiro não ficou muito tempo no time mineiro e logo depois já estava dando shows no Comercial de Ribeirão Preto. O Corinthians de novo errou feio na contratação do uruguaio Taborda, que jogava de volante e de zagueiro --portanto era ruim em duas posições. O Palmeiras trouxe o também ruim defensor chileno Mario Soto.
Entre as contratações estrangeiras no final dos anos 1970 que deram certo, se destacam o uruguaio Ramires (Flamengo), Daniel González (Portuguesa e depois Corinthians) e, principalmente, o uruguaio Dario Pereira, que se tornou um dos melhores zagueiros da história do São Paulo.
Com a crise econômica do início dos anos 1980, os investimentos em estrangeiros caíram muito. Apesar dos fracassos das contratações como o boliviano Aragonés (Palmeiras), o argentino Luque (Santos). Ainda houve espaço para grandes craques importados que fizeram sucesso. No Santos, o goleiro uruguaio Rodolfo Rodriguez. No Internacional, o meia Ruben Paz tinha tanta habilidade no pé esquerdo que chegava a ser comparado a Maradona. Também tiveram algum brilho, o goleiro argentino Fillol (Flamengo), o lateral uruguaio Diogo (Palmeiras) e o zagueiro equatoriano Quiñonez (Vasco). Mas o grande jogador estrangeiro da década foi o paraguaio Romerito, que comandou o Fluminense no tricampeonato carioca de 1983, 84 e 85 e no Campeonato Brasileiro de 1984.
Chega os anos 1990 e a contratação de estrangeiros não pára. O Internacional acerta mais uma vez e contrata o zagueiro paraguaio Gamarra. Já o Palmeiras traz o colombiano Rincón, que também faria sucesso, mais tarde com a camisa do Corinthians. O Grêmio aposta certo na dupla de defensores paraguaios Arce e Rivarola. Como novidade são importados jogadores da Europa, com o sérvio Petkovic --que fez sucesso primeiro no Vitória, para depois fazer sucesso no futebol carioca. Outro europeu que aportou por aqui foi o italiano Marco Osio que ficou um semestre como reserva no Palmeiras que conquistou o Campeonato Paulista e depois voltou para a Europa --onde desapareceu. O Atlético-PR trouxe Novak e Piekaski, dois poloneses que chegaram a fazer algum sucesso.
Como sempre não faltaram contratações que se não deram em nada como o sul-africano Mark Frank Williams (Corinthians), o paraguaio Villamayor (Corinthians), o chileno Sierra (São Paulo), o colombiano Lozano (Palmeiras), o volante argentino Mancuso (Palmeiras e Flamengo) e os norte-americanos Armstrong (Santos) e Tab Ramos (Vasco).
O Santos trouxe um atacante paraguaio chamado Edgar Baez mas dizem que o time contratou o Baez errado. O time gostaria de trazer o também atacante Richard Baez, que chegou a atuar na seleção paraguaia. A diretoria do clube negou, assim com desmentiu que tinha contratado erradamente o mexicano Antônio De Nigris em 2006, quando gostaria de contratar seu irmão Aldo De Nigris. No período outro estrangeiro mereceu destaque, mas não pelo seu futebol. Foi o meia paraguaio Struway que jogou a camisa da Portuguesa no chão após ter sido substituído.
No início do novo século, antes do período do boom da contratação de estrangeiros que vivemos agora, mais jogadores tiveram sucesso, como o argentino Sorín (Cruzeiro) e o uruguaio Lugano (São Paulo) e o chileno Maldonado (Cruzeiro e Santos). Em 2005, com os dólares da MSI, o Corinthians trouxe os argentinos Sebá (fracasso), Mascherano (pouco jogou) e Tevez principal jogador do time na conquista do Campeonato Brasileiro daquele ano. Só para lembrar as algumas tranqueiras do período: Rondon, Johnny Herrera e Florentín.
Como visto, os estrangeiros sempre tiveram papel importante no nosso futebol, agora, em muitos dos nossos times eles são fundamentais.
Até a próxima.
Participe
Citei vários estrangeiros, mas nesses casos sempre a memória falha. Se você acha que faltou algum gringo que eu deveria citar (tanto como destaque ou fracasso), mande um e-mail para: futebolnarede@folha.com.br
Com os times completos, só o Sport poupou seus titulares --mas isso não fez muita diferença já que os reservas pernambucanos atropelaram o Palmeiras--, o nível das partidas da última rodada do Campeonato Brasileiro melhorou muito. Os gols voltaram, as partidas foram movimentadas e o público aos poucos começa a se interessar pelo torneio. Destaque para as goleadas de São Paulo, Atlético-PR e Flamengo. Aliás, o time carioca aproveitou muito bem o fato de jogar quatro partidas no Maracanã nas cinco primeiras rodadas do torneio e, por isso, é um dos líderes da competição.
Depois das fracas atuações contra o Canadá (vitória) e Venezuela (derrota e vexame histórico), a seleção brasileira deve ter vários problemas nas partidas contra o Paraguai e a Argentina. Pelo que mostrou nos jogos nos Estados Unidos, o time de Dunga não tem como, com apenas uma semana de treinamento, evoluir muito. Para obter bons resultados nessas partidas, a seleção vai ter que apostar na superação dos seus atletas, principalmente na marcação, e na eficiência dos contra-ataques, como aconteceu na final da Copa América --jogo em que a Argentina era franca favorita.
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Humberto Luiz Peron, 40, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, redator da revista Monet e colaborador do Diário Lance. Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@folha.com.br |
