Futebol na Rede
Campeonato caseiro
HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online
Depois de quinze rodadas é possível afirmar que na atual edição do Campeonato Brasileiro os times que jogam em casa levam grande vantagem. Das primeiras 150 partidas do torneio, em 86 delas o time que jogava em casa conseguiu sair vencedor, ou seja 57,3% das partidas --aconteceram também 42 empates e apenas 22 triunfos dos times que atuaram como visitantes. Se somados os números de igualdades, em 128 partidas (85,3%) os mandantes não foram derrotados.
Os números impressionam. No ano passado, foram necessárias 184 partidas (34 jogos a mais), para que os times jogando em seus domínios conseguissem as mesmas 86 vitórias, que os mandantes já conseguiram no atual torneio.
Até agora não temos nenhum time que conseguisse marcar mais pontos na casa do adversário do que atuando nos seus domínios. A equipe mais equilibrada na conquista de pontos em casa e como visitante é o Goiás. Dos 17 pontos conquistados nas 15 primeiras partidas o time ganhou nove no Serra Dourada e oito jogando como visitante. O líder Grêmio tem 18 pontos, ou 63%, ganhos no Olímpico. Já o Flamengo conta com 16 pontos ganhos no Maracanã (57%) e 12 fora (43%). Isso sem contar que uma vitória do Flamengo, contada como visitante, ocorreu num jogo contra o Fluminense, no Maracanã.
Enquanto no atual torneio nenhum dos vinte times conseguiu fazer mais pontos atuando como visitante, em 2007 três times conseguiram depois das 15 rodadas iniciais melhor rendimento jogando longe de casa. Foram eles Palmeiras, Náutico e o lanterna América-RN.
Também impressiona nesse campeonato os times que não perderam em casa. São seis equipes invictas diante de sua torcida. Grêmio --líder do torneio após 15 rodadas, Palmeiras, Coritiba, Internacional, Atlético-MG e Atlético-PR. A campanha de Palmeiras e Internacional impressiona. Em 21 pontos disputados em casa, eles ganharam 19 pontos (90,5% de aproveitamento).
Em compensação a campanha dos gaúchos fora de casa é terrível. O time não venceu nos oito jogos iniciais que fez e só conseguiu míseros três empates. Aliás, além do Inter, mais cinco times não venceram como visitantes: Botafogo, Vasco, Santos, Fluminense e Ipatinga. Só sete times conseguiram vencer duas ou mais partidas longe de seus domínios --Grêmio e Flamengo (três vezes cada), além de Cruzeiro, Vitória, São Paulo, Sport e Goiás (duas vezes).
Vamos deixar os números de lado e para tentar explicar o motivo de os anfitriões estarem levando grande vantagem.
Parece que, finalmente, os times perceberam que nos pontos corridos ganhar em casa é fundamental para uma equipe lutar pelo título --ou escapar da degola do rebaixamento. Por isso, os times e as torcidas têm transformados os estádios que os times atuam em verdadeiros caldeirões. Com um campeonato composto por times tão equilibrados, os fatores torcida e conhecimento do campo fazem a diferença.
Os times que atuam em casa estão surpreendendo os adversários. No início de cada etapa de jogo partem para cima, inclusive marcando forte a saída de bola dos adversários.
Colabora para o excesso de vitórias dos mandantes a tabela mais racional do Campeonato Brasileiro nesse ano. Dificilmente um time joga duas ou três partidas em casa como mandante. Geralmente existe uma alternância --uma rodada um time é mandante e na próxima ele vai jogar fora. Isso faz com que um time que perdeu uma partida fora seja obrigado a vencer jogando em casa para evitar um prejuízo grande na classificação.
Essa alternância de jogos em casa e fora evita que um time dispare na classificação por jogar muitos jogos seguidos diante da sua torcida. Isso explica porque nessa edição não temos times que conseguem uma grande seqüência de vitórias seguidas. Aliás, vale lembrar que se uma equipe conseguir três ou quatro triunfos consecutivos num campeonato tão disputado vai abrir uma vantagem grande na classificação.
Em um campeonato tão caseiro, jogar fora de casa é uma decisão e uma simples vitória pode valer o título.
Até a próxima.
Temos agora uma discussão no futebol brasileiro: qual é a melhor maneira de um árbitro conduzir um jogo? Deixando o jogo correr ou marcando falta em qualquer encontrão? Eu acho que os árbitros têm que seguir a regra do jogo, sem inventar. Se acontecer a falta ele tem que marcar, sendo ela um simples empurrão ou uma entrada violenta. O que não pode acontecer é o árbitro deixar de marcar faltas, para teoricamente o jogo ser mais corrido. Árbitro não deve ter fama por não parar o jogo, ele tem que ser reconhecido por saber conduzir uma partida --marcando ou não muitas faltas.
Em apenas dez jogos, o atacante Kléber, do Palmeiras, já levou três cartões vermelhos e cinco amarelos, sem dizer a suspensão que levou por acertar uma cotovelada em André Dias, do São Paulo, no Campeonato Paulista. O jogador é o tipo de atacante que nenhum zagueiro gosta de enfrentar. É forte fisicamente e marca a saída de bola do adversário, só que em várias ocasiões ele é desleal. Ele precisa usar um pouco mais a cabeça, já que ficou marcado por árbitros. Eles, além da má vontade de marcar falta no atleta, não pensam duas vezes em punir o atacante em qualquer entrada.
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Humberto Luiz Peron, 40, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, redator da revista Monet e colaborador do Diário Lance. Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@folha.com.br |
