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Futebol na Rede

19/08/2008

Os times precisam de ídolos

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HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

O esporte não vive sem ídolos. A Olimpíada, que está na sua semana final, não teria tanta repercussão se não fossem os grandes nomes da competição. Sem atletas como Michael Phelps, Usain Bolt, Ielena Isinbaieva, Kobe Bryant e César Cielo as competições não iriam atrair tanto. Ficamos horas e madrugadas esperando esses nomes mostrarem o que eles são capazes de fazer.

A mesma coisa acontece no futebol. Sem ídolos, os clubes perdem seu poder de atração para os torcedores. Mesmo com a pressão paterna, você não torceria por um determinado clube se ele não tivesse um grande ídolo no momento em que você fez a escolha do clube. Pode ser um exagero, mas muitos vão ao estádio apenas para verem seu ídolo no gramado.

Atualmente, muitos ainda ficam espantados porque os garotos cada vez mais compram a camisa dos times europeus e sabem de cor as escalações das equipes do velho continente. A explicação é simples. Estão nesses times os ídolos da garotada, como Ronaldinho e Kaká (ambos do Milan) e Robinho (Real Madrid), e eles não se restringem apenas aos jogadores brasileiros. Já fazem parte da rotina dos nossos jovens torcedores nomes como Drogba (Chelsea) e até Ibrahimovic (Inter de Milão).

No Brasil fica fácil apontar --infelizmente-- quais são os grandes ídolos que atuam no nosso país, aqueles que são referência para seus torcedores. Acho que ficamos reduzidos a apenas dois goleiros: Rogério Ceni (São Paulo) e Marcos (Palmeiras). Tivemos muitos candidatos a ídolos de torcida, mas eles são vendidos antes de fazerem história em um clube. Nomes como Tevez (Corinthians), Mineiro e Josué (São Paulo), Lucas (Grêmio) e mais recentemente Diogo (Portuguesa), Fernandão (Inter) e Valdivia (Palmeiras) foram embora.

Não me conformo com a afirmação de que é impossível manter esses jogadores por aqui. Tudo bem que a questão econômica faz diferença, mas não dá para entender como os clubes fazem tudo para se livrar dos seus melhores jogadores e não demonstram a mínima vontade para os craques ficarem.

A saída de jogadores não resolve o desequilíbrio financeiro dos times. Uma venda de jogador resolve a situação em um ou dois meses. Em muitos casos, além de perder uma referência e acabar com uma campanha que poderia terminar com a conquista de título, os clubes acabam tendo prejuízos financeiros já que, no desespero, acabam gastando mais em contratações para suprir a saída do jogador que foi embora.

Não podemos esquecer também que a maioria dos nossos times grandes se tornou apenas vitrine para jogadores. Sim, os nossos dirigentes são tão incompetentes que dilapidaram o patrimônio de seus clubes. Cansaram de fazer contratações erradas, gastando muito dinheiro, e de repente perceberam que estavam sem time e enterrados em dívidas. Incompetentes para gerirem seus recursos, clubes viraram escravos de investidores e empresários.

É muita ingenuidade acreditar que os investidores querem que um jogador fique muito tempo em algum clube. O que eles querem é lucrar, de preferência rapidamente. Eles não têm a mínima preocupação com o aspecto técnico, eles só visam o lucro. Como quem aplica o dinheiro tem a promessa de retorno rápido, qualquer proposta já é logo aceita, para repassar o lucro aos investidores.

Não vai demorar muito. Em pouco tempo, nos campeonatos da Série A e da Série B, um elenco vai disputar um torneio com uma camisa de um clube no primeiro semestre e, na segunda metade do ano, vestirá a camisa de outro time, segundo o interesse dos investidores.

O futebol brasileiro precisa o mais rápido possível ser mais bem gerenciado. Os clubes precisam voltar a ter controle sobre o futebol. Aí sim poderemos ter orgulho de torcer e defender nossos times. Poderemos ver nossos ídolos por mais um tempo por aqui.

Os clubes precisam aprender que vale a pena ter um ídolo no time. Em médio prazo, o sacrifício de manter um bom jogador no elenco vai render muito mais lucro do que uma transação feita no desespero.

Até a próxima.

Para a seleção brasileira feminina de futebol que mais uma vez chega na final de um campeonato importante. Talvez a tão sonhada medalha de ouro no futebol olímpico chegue com as meninas. Vamos ver se agora, depois de mais uma boa campanha da equipe, os nossos dirigentes finalmente cumpram as promessas --que sempre aparecem depois de um bom resultado, mas que nunca passam de bravatas-- de organizar definitivamente o futebol feminino no país com apoio e a criação de campeonatos. As meninas não precisam provar mais nada e merecem uma atenção da CBF.

Perdemos para a Argentina, no masculino. Não morro de amores pelo trabalho do técnico Dunga, já disse que ele não deveria ocupar o posto na seleção. Mas na campanha nos Jogos Olímpicos, o treinador não deve ser colocado como o vilão de nosso fracasso. A CBF deu pouca importância para o torneio. A preparação do time foi ridícula, sem amistosos expressivos. Fomos longe mais pela fragilidade dos nossos adversários do que pelos nossos méritos. No primeiro rival forte que pegamos foi mostrado como nosso time estava mal preparado.

Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br

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