Futebol na Rede
Excelente somente para a Série B
HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online
O sofrimento dos corintianos está muito perto do fim. Nesta semana, o time deve conquistar matematicamente o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro do próximo ano. Aliás, a passagem do Corinthians pela Série B foi muito tranqüila. O time comandado pelo técnico Mano Menezes dominou completamente o torneio --foi líder desde a primeira rodada e não deu chances para os seus rivais. Em nenhum momento da competição o time esteve ameaçado de não estar entre os quatro mais bem colocados.
Para os torcedores dos outros times, que esperavam continuar gozando os corintianos, a passagem do Corinthians pela segunda divisão foi frustrante. O máximo que os rivais conseguiram comemorar foi o gol do CRB logo no início do primeiro jogo do time na Série B, mas dois minutos depois o jogo já estava empatado.
Quando um time vence um torneio com grande facilidade, assim como o Corinthians está fazendo, é comum valorizá-lo demais. Por exemplo: os mais exaltados --ou seriam fanáticos-- afirmam que, com esse elenco, o Corinthians estaria brigando pelo título da Série A.
Afirmo, sem medo de errar, que se o Corinthians estivesse na Série A, no máximo, com o atual elenco, brigaria para estar no meio da tabela. A diferença de qualidade entre os times da principal divisão e da Série B é bem acentuada.
Na segunda divisão, por exemplo, com a fragilidade das outras equipes, o técnico Mano Menezes pode montar a equipe da maneira que nunca conseguiria na principal divisão. Em várias partidas, ele escalou três atacantes e dois meias ofensivos, o que seria impensável na Série A.
Jogando no principal torneio, os times não iriam respeitar tanto o Corinthians. Em algumas partidas, os adversários dos corintianos se armavam para perder de pouco, somente ficando na defesa. Na segunda divisão existe tempo para respirar. Uma coisa é você perder do Palmeiras, no domingo, e na quarta jogar no Maracanã com o Flamengo. Outra bem mais tranqüila é jogar com o Bragantino, em casa, e depois jogar com o Marília em campo neutro.
Com a qualidade dos times da primeira divisão, dificilmente o lateral André Santos teria tanta facilidade para estar em todos os momentos no ataque, perto da área do adversário. No mínimo, os seus constantes avanços se tornariam uma grande avenida para que adversários explorassem. Mesmo jogadores que se destacam, como Douglas e Dentinho, não teriam tanto espaço para jogar. Com a fragilidade dos ataques adversários, fica difícil julgar a qualidade da dupla de zagas formada por Chicão e William.
Historicamente também se prova que os times que sobem para a Série A dificilmente conseguem sucesso. Se for feito um pequeno retrospecto das dez equipes que subiram para a Série A do Campeonato Brasileiro, desde 2004, vamos observar que apenas duas equipes conseguiram terminar entre os cinco primeiros.
Em 2004, o Palmeiras terminou na quarta colocação com a base do time que conquistou o título da Série B um ano antes, mas fracassou nos momentos decisivos quando não mostrou força para vencer, em casa, times como o Guarani e o Flamengo, equipes que ocupavam as últimas colocações naquele torneio.
Há dois anos, o Grêmio terminou na terceira colocação mas com um time bem diferente daquele que conseguiu o acesso na célebre partida conhecida como "A Batalha dos Aflitos". Aliás, o técnico do time gaúcho era Mano Menezes. Ele percebeu logo no início da participação gremista na Série A que a base da segunda divisão não faria sucesso no principal torneio e remontou, com muita competência, a equipe durante a competição.
Voltando ao retrospecto das últimas equipes que conseguiram o acesso, apenas mais uma conseguiu terminar entre os dez mais bem colocados. Foi o Atlético-MG, que no ano passado terminou na oitava colocação.
Outros quatro times que subiram também não empolgaram. Em 2004, o Botafogo ficou apenas na 20ª colocação, apenas uma acima da zona do rebaixamento. No ano seguinte, o Fortaleza ficou apenas na 13ª posição. Já no ano passado, os pernambucanos Sport e Náutico não empolgaram e terminaram em 14º e 15º lugares, respectivamente.
Três times sentiram logo a diferença entre a segunda divisão e a Série A. O Brasiliense (2005), o Santa Cruz (2006) e o América-RN (2007) não agüentaram uma temporada entre os melhores do nosso futebol e desceram rapidamente.
O Corinthians dominou com méritos a Série B, mas isso não quer dizer que o atual elenco é um time de primeira.
Até a próxima.
Muito bom o clássico entre Palmeiras e São Paulo, no último final de semana. Foi um belo jogo com muitas alternativas e chances de gol. O Palmeiras, no primeiro tempo, permitiu ao São Paulo jogar da maneira que mais gosta: nos contra-ataques. O time de Luxemburgo se lançava ao ataque e tinha um time lento, que demorava demais para voltar para a defesa. No segundo tempo, com Pierre atuando na frente dos zagueiros, o Palmeiras conseguiu parar os contra-ataques do adversário e chegou ao empate no momento em que o São Paulo relaxou pensando que a partida já estava decidida.
Com o final empolgante do Campeonato Brasileiro, muitas pessoas querem pegar carona no sucesso do torneio para aparecer. São dirigentes com declarações absurdas e manifestos fora de hora que não ajudam em nada as partidas, muito pelo contrário. Também são os membros do tribunal que a cada rodada levam, no mínimo, um jogador a julgamento, graças às imagens de TV. O pior é que na maioria das vezes os atletas são absolvidos e, quando são punidos, sofrem penas absurdas, que logo são derrubadas pelos efeitos suspensivos.
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Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br |

