Futebol na Rede
O fundamental agora é jogar bem
HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online
"O importante não é jogar bem e sim ganhar os três pontos." Essa vai ser a frase mais repetida por treinadores e jogadores na fase decisiva do Campeonato Brasileiro. E o chavão não vai ser dito apenas pelos integrantes dos times que lutam pelo título, mas também pelas equipes que lutam desesperadamente para escapar da queda para a Série B.
Um time que joga bem tem muito mais chance de ganhar uma partida. Isto parece óbvio, mas desconfio que muitos treinadores não sabem o que é jogar bem. Uma boa atuação de uma equipe passa longe de ser aquele espetáculo inesquecível, de um time que joga no ataque e marca três, quatro, cinco gols por partida. Até porque, atualmente, no nosso futebol, infelizmente não existem times capazes de serem armados dessa maneira, já que são raros os talentos que estão atuando em gramados brasileiros.
Ou seja, existe uma grande diferença entre jogar bem e dar espetáculo --mesmo considerando que quem dá show sempre joga de maneira convincente.
Jogar bem se entende por um time que rende o máximo dentro das limitações do seu elenco. Não dá para entender, por exemplo, quando um time que luta pelo título --isso também vale para quem está no final da tabela-- e atua em casa faz um gol logo no começo e abdica de jogar para ficar apenas se defendendo.
Para ter uma atuação boa é preciso que os nossos treinadores sejam arrojados. Não custa nada mandar os atacantes marcarem a saída de bola do adversário e escalarem no setor de armação jogadores com características mais ofensivas. Não adianta só confiar que as bolas paradas vão decidir as partidas. Atualmente, as jogadas em escanteios e faltas são decisivas, mas não custa nada os treinadores cobrarem que os seus jogadores se movimentem mais, procurando criar espaços.
Também colabora muito para um time ter uma boa atuação o treinador saber escalar seu time conforme os pontos fortes do adversário. Não adianta, por exemplo, ele improvisar um volante lento como lateral se o rival tem como uma das suas principais jogadas os avanços pelo lado do campo.
O jogador improvisado vai levar um baile, todo o sistema de marcação vai ser prejudicado e o time corre um sério risco de tomar uma goleada. Por isso, para ter uma atuação boa, também é preciso que o time consiga acabar com as principais jogadas dos adversários.
Você deve estar perguntando qual o exemplo de um time que jogou bem. É lógico que poderia citar uma lista interminável de clubes, como o Vasco do final da década de 1940, o Santos de Pelé, o Botafogo de Garrincha, o Cruzeiro com Tostão, as duas academias do Palmeiras nas décadas de 1960 e 1970, o Inter de Falcão, o Flamengo e o Grêmio que foram campeões do mundo e por aí vai, já que qualquer grande clube do nosso futebol já teve um time extraordinário.
Mas vou dar um exemplo de um time que não tinha craque e que todos viram jogar: o São Paulo que conquistou o Campeonato Brasileiro do ano passado. O time não dava espetáculo, mas era extremamente eficiente e o técnico Muricy Ramalho conseguiu tirar o máximo do elenco que tinha. Se não tinha um grande armador, era perfeito na execução das jogadas de bola parada. Tanto jogando em casa ou como visitante tinha um padrão de jogo que dificilmente dava chances ao adversário.
Jogando mal, um time pode vencer uma ou duas partidas na sorte, mas para ganhar um campeonato de pontos corridos, tão equilibrado como o atual Campeonato Brasileiro, é preciso sempre ter o rendimento máximo, principalmente nos momentos decisivos.
Até a próxima.
Para o excelente trabalho do técnico Márcio Fernandes. Aos poucos, durante o torneio, o treinador que conhece muito bem os bastidores da Vila Belmiro remontou o time tanto na escalação quanto na parte tática, e conseguiu tirar a equipe das últimas posições do campeonato.
A cada rodada surge um novo favorito para conquistar o Campeonato Brasileiro. Já foi o Cruzeiro, o Palmeiras, o Flamengo e agora é o São Paulo. Quase sempre o Grêmio é esquecido. Mas vale lembrar que o time gaúcho há muito tempo se mantém na liderança e não é ultrapassado pelos seus rivais.
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Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br |

