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Futebol na Rede

27/01/2009

O jogo da eficiência

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HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Na ânsia de mostrar as dificuldades e variedades que acontecem numa partida de futebol, jogadores e, principalmente, técnicos e jornalistas perdem muito tempo em teses e desculpas para determinarem o resultado de um jogo. É lógico que as escalações, os esquemas táticos e as substituições influenciam, mas o que decide mesmo o placar nos 90 minutos é a eficiência de uma equipe. Quanto melhor o aproveitamento de uma equipe nos mais diversos fundamentos, mais chances de sucesso ela tem.

Talvez poucos percebam, mas é nas finalizações que as equipes precisam ser mais eficientes. Como as oportunidades de gols diminuíram muito, é fundamental que as equipes aproveitem ao máximo as finalizações. Em jogos de equipes equilibradas, os times têm uma, duas, ou máximo, três chances, por isso é fundamental que as equipes não percam as chances. Não adianta chutar dez bolas no gol, criar jogadas e não ser eficiente na hora de chutar. Como se aumenta a eficiência nas finalizações? Aí não tem jeito, só com muito treinamento.

Como disse anteriormente, as chances numa partida são poucas, por isso, atualmente, os times precisam ser eficientes nas jogadas de bola parada, tanto no ataque, quanto na defesa. Na parte ofensiva, é fundamental que o time tenha um jogador que seja especialista nas cobranças de faltas e escanteios. Arrisco a dizer que um especialista neste tipo de jogada, da maneira que os jogos são disputados hoje, é tão importante quanto um centroavante ou um armador. Para a aproveitar as bolas aéreas, os técnicos precisam armar jogadas para surpreender o adversário.

Já para quem se defende nos cruzamentos é preciso um posicionamento preciso para evitar que os jogadores de ataque tenham chance de finalizar. Aqui é que está o problema. São poucos os clubes brasileiros --e até a seleção-- que conseguem ser eficientes em cortar as bolas cruzadas. Em alguns times, percebe-se que não existe orientação nenhuma de marcação. Neste último caso não tem jeito: só resta torcer para que os atacantes errem a conclusão.

Uma coisa que é tão óbvia, mas que poucos se tocam, é que quando um time tem a posse de bola ele não corre risco de levar um gol. Para isso, é preciso que o time tenha um grande índice no aproveitamento de passes.

Mais uma vez, entra o trabalho dos técnicos. É preciso que eles saibam posicionar os seus jogadores em campo, para que sempre exista uma opção de passe. Uma equipe só vai ter volume de jogo se os jogadores tiverem bem treinados para fazer algumas jogadas, como ultrapassagens pelas laterais do campo e viradas de bola, que sempre pegam o adversário de surpresa. Não adianta correr atrás do adversário para tentar recuperar a posse de bola e logo depois, em um passe errado, devolver a bola para o adversário.

Um time tem que ser eficiente também na marcação. Aqui é obrigatório que todos os jogadores marquem. Uma equipe em que os atacantes têm um índice de roubos de bola grande, o setor de meio e a defesa ficam menos sobrecarregados e conseguem desarmar mais sem precisar abusar no número de faltas.

Falei tanto em eficiência, mas é bom não confundir as coisas. Não se pode classificar como um time bom aquele que entra em campo apenas para se defender e fazer faltas. Que não se escondam atrás de uma falsa eficiência técnicos retranqueiros e medíocres ou jogadores, com vontade, mas sem as mínimas condições técnicas.

Até a próxima.

Para a festa dos artilheiros no Campeonato Paulista. Nas primeiras partidas os contratados Keirrison (Palmeiras) e Washington (São Paulo) e o velho conhecido da torcida santista Kleber Pereira não estão negando fogo. Com isso aumenta a expectativa (e a pressão) pela a estreia de Ronaldo no Corinthians. Também não se pode deixar de citar Pedrão, do Barueri, que balançou a rede em quatro oportunidades nas duas primeiras rodadas.

Planejamento continua não fazendo parte do vocabulário de muitos dos nossos times. Não há como explicar a dispensa de um técnico após a primeira partida do ano, como fez a Portuguesa. O ato acabou com todo o planejamento que poderia ter sido feito para a temporada. Se os dirigentes tinham dúvidas do trabalho do técnico Estevam Soares não poderiam delegar a ele o trabalho de armar o time para 2009, durante a pré-temporada.

Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br

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