Futebol na Rede
Ajustes no calendário e palpites
HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online
Por muito tempo, o grande problema do nosso futebol foi o calendário. Os campeonatos começavam e não tinha data para terminar --muitas vezes só terminavam no ano seguinte. Nos últimos anos, a situação mudou bastante. Com alguma antecedência temos a divulgação das tabelas dos torneios, e os clubes, principalmente os que disputam as Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro, sabem o que enfrentarão durante o ano todo.
Mas ainda há algo para melhorar. É lógico que essas mudanças precisam ser feitas de acordo com a realidade do nosso futebol. O ideal seria unificar a nossa temporada, como o que acontece na maioria dos países, com os torneios começando em agosto e terminando em junho, mas isso é praticamente impossível na realidade no nosso futebol. Esta transição dificilmente acontecerá nos próximos anos, até porque todo o planejamento dos clubes televisões e patrocinadores são anuais. Teria que haver uma grande revolução para a mudança.
Também não dá para mudar o calendário da Sul-Americana. O que seria melhor para os clubes brasileiros, com a Taça Libertadores e a Copa Sul-Americana sendo realizadas simultaneamente e esticadas até o final do ano, também não vai acontecer. Para a confederação intercontinental é extremamente lucrativo que os torneios aconteçam de forma separada.
A primeira coisa que deveria ser feita é a criação de uma janela entre o final dos torneios estaduais e o Campeonato Brasileiro. Não se pode acreditar no que acontece hoje. Da maneira que é feito atualmente não sobra tempo para a comemoração do título e, muito menos, para a promoção do início do torneio nacional.
Com o começo imediato do Brasileiro, os times não têm a chance de contratar jogadores para se reforçarem. Em uma semana fica impossível reforçar um elenco.
Não dá também para se recuperar um time em uma semana. Como se exigir que um clube que acabou de ganhar um campeonato, portanto chegou ao seu auge, tenha poucos dias depois que jogar uma primeira rodada de Campeonato Brasileiro? Todos nós sabemos que o Nacional não é fácil. Duas derrotas nas rodadas iniciais, os clubes já esquecem a festa da quinzena anterior.
Sem dizer que entre a final dos Estaduais ainda existem as rodadas da Copa do Brasil. Já que não se pode mudar a Taça Libertadores, a CBF e os clubes deveriam alongar um pouco mais o nosso torneio mata-mata. Alongar a Copa do Brasil traria muitos benefícios. O primeiro está no fato de que os clubes não precisariam jogar tantas partidas no início do ano.
Com o torneio terminando, em setembro, por exemplo, poderia se criar uma janela que protegesse os times que chegam às finais dos Estaduais --da maneira como está hoje, os clubes acabam sendo punidos por chegarem às finais dos torneios que disputam. Também faria com que todos os clubes disputassem o Campeonato Brasileiro com total interesse. Do jeito que estamos atualmente, o vencedor da Copa do Brasil disputa o Nacional como se fosse um simples campeonato amistoso.
Além de tudo isso, se acabaria com distorção no nosso futebol de que os clubes que participam da Taça Libertadores não disputam a Copa do Brasil. Você tira, teoricamente, dos cinco melhores times do país a chance de ganhar um torneio nacional. Não dá para entender, até porque só um deles, se for campeão, terá a vaga garantida no torneio continental no próximo ano.
Ser campeão é ótimo, mas com a possibilidade de perder um jogo importante três dias depois o sabor não é o mesmo.
Palpites do Campeonato Brasileiro
Todo ano penso duas vezes se devo ou não fazer prognósticos para o Campeonato Brasileiro. Penso que o torneio é o mais equilibrado do planeta, que os times vão mudar muito suas formações e que as chances de eu errar em tudo é muito grande. Mas, mas não perder o costume, não resisto e faço as previsões. As respostas só em dezembro --mas já podem me cobrar desde agora.
Times que vão realmente brigar pelo título
Cruzeiro, Internacional e São Paulo
Com alguma chance de terminar com a taça, mas devem, no máximo, lutar por uma vaga na Libertadores
Corinthians, Palmeiras e Grêmio
Não vão correr riscos, mas também não vão ter chances de conquistar o título ou vaga na Libertadores
Botafogo, Flamengo, Fluminense --ou seja, os cariocas vão ser coadjuvantes no torneio--, Santos e Sport
Sonham com a Sul-americana, mas podem namorar com o rebaixamento
Atlético-PR, Atlético-MG, Coritiba, Goiás e Vitória
Escapar da Série B já será lucro
Avaí, Barueri, Náutico e Santo André
Até a próxima.
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Para o técnico Cuca, do Flamengo. Depois da conquista do Estadual do Rio, parece que finalmente vão acabar os comentários que o técnico não ganha nada. A pressão que era feita contra ele era uma grande injustiça. Ele talvez seja um dos poucos treinadores no Brasil que tenta ousar, talvez por isso possa cometer alguns erros. Também já passou da hora de dizer que um técnico só pode ser considerado grande se tiver uma grande quantidade de títulos. Até porque não faltam pernas-de-pau e treinadores medíocres que, pela sorte de estarem no lugar certo e na hora certa, deram muitas voltas olímpicas sem merecer.
Leão foi demitido do Atlético-MG. Não vou entrar no mérito se a diretoria atleticana já tinha desde o começo do ano como preferência contratar Celso Roth, mas o ex-goleiro vem criando, nos últimos tempos, a fama de ser um treinador com prazo de validade curto e que não consegue mais resultados expressivos ou títulos. É impressionante como em poucos dias ele consegue destruir o seu trabalho, como aconteceu agora no Atlético-MG, quando montou um time com alguns jogadores desprezados por outros clubes e novatos, mas em apenas uma semana o time perdeu o rumo, com direito a perda do título mineiro e a quase eliminação na Copa do Brasil.
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Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br |
