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Futebol na Rede

26/05/2009

Surpresas que não deveriam ser

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HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Atualmente nos preocupamos com um monte de besteiras no futebol e deixamos de prestar atenção em muitas coisas importantes --quando elas aparecem, nem sabemos qual a origem do fato. Preocupados com uma declaração estúpida de um sub-diretor adjunto que cuida do arquivo morto de um clube, nos esquecemos de apurar detalhes importantes.

Num futebol cada vez mais jogado com a boca e longe dos gramados vamos deixando de ler regulamentos, acompanhar alterações nas leis do futebol. Nem percebemos os acidentes que vão acontecer na próxima semana.

Pensei que após o problema do regulamento do Campeonato Paranaense, que só foi resolvido no tapetão e que fez o Atlético-PR ter todos os mandos de campo na fase final, as pessoas --me incluo no bolo-- ficariam mais atentas.

Mas não é bem isso que acontece.

Por exemplo: enquanto se discutia se dirigentes de um clube deveriam ir, ou não, na festa de premiação de um torneio regional, o novo regulamento de competições da CBF passava, sem que ninguém percebesse, que os jogadores não poderiam se transferir para outro clube caso atuassem em uma partida do torneio.

Os clubes só souberam disso menos de uma semana antes do início do Campeonato Brasileiro, o que gerou um enorme descontentamento. Por fim, a CBF, que teria que, no mínimo, ter avisado os clubes da mudança, teve que mudar o seu regulamento para que os atletas pudessem se transferir durante o campeonato.

A mesma coisa já tinha acontecido quando foram criadas as janelas de transferência de jogadores que atuavam no exterior e que deveriam voltar para atuar nos nossos gramados. Aí não teve jeito, mas os nossos clubes apelaram à Justiça comum pelo direito de inscrever suas novas contratações.

Agora ficam todos perplexos pela Copa das Confederações, que vai tirar jogadores dos clubes que estão disputando as finais da Copa do Brasil e da Libertadores. A grande verdade é que ninguém se preocupou com isso até a convocação do técnico Dunga na semana passada. Os mais afoitos até não se cansavam de pedir mais jogadores que atuam no Brasil para a disputa das eliminatórias e do torneio da Fifa.

Ninguém cobrou ou pediu antes da convocação a dispensa de seus jogadores à CBF ou ao treinador. Agora, e, principalmente, após os resultados ruins, não vão faltar dirigentes e técnicos atribuindo a bagunça do calendário a eventuais desastres nas competições.

Os absurdos surgem do nada, criam grande confusão. Há pouco tempo foi publicado que o cruzamento dos brasileiros já deveria acontecer nas quartas de final para evitar uma possível final entre times do mesmo país na Libertadores.

Os brasileiros foram os últimos a "descobrir" que o regulamento da competição mudou em 2007 para evitar uma final de clubes de mesmo países, quando dois times estivessem nas semifinais. Para não ter mais uma "comida de bola" se noticiou a novidade sem a devida checagem para ela ser desmentida no outro dia.

Bom, não custa nada lembrar que no ano que vem tem Copa do Mundo. E é bem possível que os clubes só descubram que vão jogar no mesmo dia da estreia do Brasil no Mundial quando o hino nacional começar a tocar numa cidade da África do Sul --pode parecer um absurdo, mas se tratando do nosso futebol a situação pode acontecer.

O mais importante do futebol é o que interfere no que vai acontecer no gramado. Vamos deixar de lado quem só quer aparecer com o esporte. Assim, com certeza, não seremos mais pegos de surpresa no que realmente importa.

Até a próxima.

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Além do início perfeito do Internacional, que desponta como o time a ser batido, merecem elogios as excelentes campanhas de Atlético-MG e Náutico na largada do Campeonato Brasileiro. As duas equipes conseguiram sete pontos, em nove disputados, com nada menos do que quatro pontos somados na casa dos adversários. Com bom início, e sem ter que se preocupar com outras competições por enquanto, as duas equipes estão conquistando pontos importantes e devem fazer uma campanha bem melhor do se esperava antes do início do torneio.

Pouca foi contestada e ninguém consegue apontar uma grande injustiça na lista de Dunga para os jogos das eliminatórias e da Copa das Confederações. Acho isso muito preocupante, pois mostra que a quantidade de jogadores que tínhamos está acabando. Não existe mais aquela história de que o Brasil poderia formar no mínimo três ou quatro seleções de bom nível. Por exemplo, nos 23 convocados não temos um único armador de ofício, temos apenas volantes ou meias-atacantes. Sem dizer que o problema da lateral-esquerda que está muito longe de ser resolvido.

Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br

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