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Futebol na Rede

02/06/2009

O dono da bola

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HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Muitos podem não conhecer a expressão que dá o título dessa edição de Futebol na Rede, mas ela era sempre usada num tempo --não muito distante-- que nem todos tinham condições de ter uma bola de futebol. Para evitar ter que jogar com uma bola de meia, ou até pedra, os garotos precisavam se sujeitar aos caprichos do dono da pelota. Para evitar que quem levasse a pelota fosse embora e acabasse a partida, os outros precisavam ter muita paciência.

Pois, com o poder de decidir os destino da partida, o dono da bola --que geralmente era o pior jogador--, inventava regras para que seu time nunca perdesse, nunca entrava no gol e não cansava de tentar distorcer a realidade do que acontecia na pelada.

Esse comportamento de dono da bola, tirando as devidas proporções entre uma partida de garotos e o futebol profissional, é o que está tendo o técnico Vanderlei Luxemburgo. Com seu histórico vitorioso --isso não dá para negar--, sua fama de estrategista, descobridor de jogadores, negociador e um discurso de modernidade, que sempre aparece ligado a um projeto vitorioso de longo prazo --que a cada trabalho do treinador parece ficar mais longo--, o treinador não perde tempo em disparar em todas as direções quando o time não consegue apresentar um bom futebol ou perde.

O repertório é vasto e passa pela arbitragem e seus dirigentes, torcedores, três ou quatro jornalistas "corintianos", uma parte da torcida e a última, usada pelo treinador após o empate contra o Nacional, foi dizer que o Palmeiras não tem jogadores que decidem.

Além de atacar seus próprios comandados, que o técnico escolheu para trabalhar e que no começo da temporada chegou a comparar com o time brilhante, montado por ele, que ganhou o Campeonato Paulista de 1996, ele parece esquecer que, nas principais partidas da temporada, o Palmeiras e o próprio treinador só foram salvos por jogadas individuais.

Começando com a vitória sobre o Sport, no Recife, na primeira fase da Libertadores, com um gol de Diego Souza, passando para a classificação para as oitavas de final no torneio continental com o gol após uma jogada individual de Cleiton Xavier, contra o Colo Colo, e as defesas de Marcos, mais uma vez contra o Sport, no mata-mata, que fizeram com que o Palmeiras mantivesse as chances de conquistar a Taça Libertadores.

O que Vanderlei Luxemburgo parece não identificar, enquanto se acha dono da bola, é que muitos dos problemas que o Palmeiras tem enfrentado, inclusive amargando uma sequência de cinco partidas sem vencer, passam por erros do seu treinador.

A principal delas é que o técnico ainda não conseguiu dar um padrão de jogo ao Palmeiras. Já estamos em junho e o treinador parece que não encontra a formação ideal do time, incluindo o esquema tático e escalação.

O pior é que o treinador usa nas partidas mais importantes a pior formação possível, quando insiste com o 3-6-1. O primeiro equívoco do treinador é que com os zagueiros que o Palmeiras tem no seu elenco atualmente fica impossível jogar com três no setor defensivo.

Sem um zagueiro rápido, que consiga fazer a cobertura dos outros dois, ou que tenha facilidade de sair jogando, o time tem tudo para fracassar. Talvez, no elenco, só Edmílson consiga fazer essa função. O problema é que o veterano está contundido.

Agora, com Maurício Ramos, Danilo e Marcão, com características parecidas e jogando em linha, a defesa do Palmeiras não existe. Nem vou falar sobre a colocação do time na bolas aéreas, que deveria ser consertada em treinos pelo treinador.

Do jeito que o treinador está armando o time no meio com uma linha de quatro (Wendel ou Capixaba, Souza, Pierre e Armero), Cleiton Xavier mais no meio e Diego Souza tentando encostar no Keirrison, o Palmeiras fica com um time com os compartimentos muito distantes. Por isso, os três zagueiros e os volantes ficam tocando a bola, até que um deles resolve tentar um lançamento --ou melhor, um chutão para frente.

Com o posicionamento errado, Cleiton Xavier se torna fácil de ser marcado, já que ele rende muito mais quando parte com a bola dominada, de frente, e tem toda a visão para enfiar as bolas para os companheiros. Diego Souza também não rende jogando de costas para os adversários. Ele precisa partir para cima dos zagueiros, para na velocidade tentar fazer a jogada. Quanto a Keirrison, isolado e em péssima fase, pouco pode fazer.

Contra o Barueri, o treinador tentou o esquema, mas sem treino, a equipe teve alguns bons momentos, mas mostrou os mesmos problemas, principalmente defensivos, que um treinador como Vanderlei Luxemburgo tem a obrigação de corrigir.

Aliás, o treinador parece ter perdido a sua capacidade de observação das partidas. O técnico sempre foi muito bom em mudar para melhor o ritmo das partidas, mas nos últimos jogos ele tem mexido muito mal e suas substituições não mudam o time. Luxemburgo também conseguia surpreender seus adversários e preparava armadilhas para os técnicos adversários. Atualmente, ele é muito mais surpreendido do que causa surpresa nos outros times.

Apesar de tudo, ainda são poucos os jogadores que não falam bem e não poupam elogios ao método de trabalho do treinador, mas já está na hora de ele acabar de agir como o dono da bola. Com certeza, se ele, pelo menos uma vez, reconhecer os seus erros, Luxemburgo deixará de enxergar tantos fantasmas que só ele insiste em apontar.

Até a próxima.

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Por mais que seja importante o título da Copa do Brasil, não acho correto o caminho que Corinthians, Coritiba e Vasco estão tomando em abandonar a Campeonato Brasileiro neste início de competição. Diferentemente do Internacional, que tem um elenco muito bom e consegue vitórias com o time mesclado, esses três times não têm tantos jogadores de qualidade. Um fracasso deles na Copa do Brasil vai comprometer todo o restante da temporada. O Corinthians pode ficar fora da luta pelo título e de lutar por uma vaga na Libertadores dentro do Brasileiro. Já o Coritiba selou seu destino e vai ficar muito tempo lutando pelo rebaixamento, enquanto o Vasco nunca deveria se distanciar do seu principal objetivo no ano, que é voltar para a Série A em 2010.

Agora já temos as cidades para a Copa de 2014. Algumas que, com certeza, construirão verdadeiros elefantes brancos para sediar três ou quatro jogos no máximo. Vamos parar de fazer o jogo do contente e cair na realidade. Dificilmente o dinheiro público não vai ser usado para que o Mundial seja realizado, até porque alguns planos de investimento de parceria não passam apenas de cartas de intenções. Só resta, para a sociedade, fiscalizar como vai ser gasto o dinheiro e se ele vai ser usado de maneira certa. Que não se admitam erros tão grosseiros de orçamento como aconteceu no Pan do Rio de Janeiro. Os nossos dirigentes precisam lembrar que a Fifa vai cobrar o que está nos planos apresentados em cada candidatura e não vai tolerar que algumas obras essenciais sejam esquecidas.

Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br

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