Futebol na Rede
Admitir os erros
HUMBERTO PERON
Colaboração para Folha Online
Assim como na vida, no futebol agora vivemos um momento em que é mais importante aparecer do que fazer. Por isso, parece que, para quem milita no meio, para ganhar mais um pouco de dinheiro e ficar sempre bem é proibido admitir um erro, por mais banal que ele seja. Sempre é arranjada uma desculpa, que geralmente é aceita por muitos.
Dirigentes são os primeiros a arranjarem desculpas para suas besteiras. Eles adoram aparecer ao lado dos jogadores quando eles fazem uma contratação. Mas são os primeiros a dizer, quando o atleta não desempenha o esperado, que o jogador foi pedido pelo técnico e que não podem fazer nada.
Também os dirigentes são festivos quando anunciam grandes projetos que devem gerar milhões de reais em receita para o clube. Mas quando essas aventuras naufragam, sempre sobram desculpas para o parceiro que não conseguiu executar o que foi planejado. Sem dizer o eterno problema de atraso de salário que sempre é atribuído a problemas de fluxo de caixa, falta de pagamento das cotas de TV ou, mais recentemente, pela crise mundial.
Por fim, quando não há estoque de desculpas, apela-se para a mais fácil que é fazer um protesto contra a arbitragem.
Treinadores também têm um grande repertório de desculpas. O discurso de alguns técnicos engana tanto que eles conseguem, algumas vezes, transformar grandes derrotas em "acidentes de percurso". Aceita-se com muita facilidade treinadores dizendo que não têm boas opções para escalar o time, mas esses "professores" após as vitórias nunca reclamam disso.
Ainda espero ansioso um treinador aceitar que foi incapaz de parar as principais jogadas do adversário. Nenhum técnico admite que não teve competência para após uma semana de trabalho mudar o estilo de o time jogar, ou, no mínimo, dar um padrão de jogo para sua equipe.
Sem dizer que as desculpas são variáveis. Um time ficar sem jogar muito tempo significa, em caso de derrota, que vamos ouvir que o equipe perdeu o ritmo. Se existem dois jogos, já sabemos que a culpa será do calendário e da grande sequência de jogos.
Até a torcida agora serve para esconder erros. É comum dizer que os torcedores não apoiaram ou que deixaram o time muito ansioso e que as vaias a alguns atletas prejudicaram o desempenho do time.
Agora, até os auxiliares, que teoricamente teriam toda confiança dos treinadores, também são usados como desculpa. Indiretamente, técnicos insinuam que os adversários jogaram de maneira diferente do que o "espião" tinha observado.
Existe também a famosa frase, que me soa de um pedantismo extremo: "eu trabalho a semana inteira com os meus jogadores e sei o que acontece". Ela é sempre usada quando o time perde uma partida, depois de invenção sem tamanho do treinador. Outra frase absurda é: "eu estou há mais de 20 anos no futebol". Ou seja, com tanto tempo no meio já era para o técnico ter aprendido algo, ou no mínimo, saber assumir a derrota.
Para os técnicos, quando o estoque de desculpas acaba sempre sobra para a arbitragem.
Os jogadores também têm um estoque de desculpas para escapar da responsabilidade. Começando pelos goleiros, que agora adoram reclamar da bola. Sou obrigado a concordar com eles, que as novas pelotas favorecem os atacantes, pois mudam de trajetória a qualquer chute, mas já passou da hora de os arqueiros se acostumarem com as características das bolas modernas. O estranho é que quando eles fazem uma grande defesa nunca reclamam da bola.
E por aí vai. Os zagueiros não se cansam de reclamar dos volantes que colaboram na marcação. Os meias acusam os atacantes de não se movimentarem, e finalmente os atacantes reclamam que são poucos acionados ou jogam extremamente isolados. Ninguém faz uma crítica sobre o seu desempenho, ninguém fala de seu erro individual. Os erros na finalização nunca vão ser admitidos pelo atacante, que vai achar como desculpa a má manutenção do gramado.
É lógico que sempre existem, para os jogadores, a opção de jogar a responsabilidade pelo resultado ruim para o árbitro.
O futebol e seus profissionais ganhariam muito mais credibilidade se todos admitissem seus erros, pois em qualquer ramo não existe um trabalhador ou cidadão perfeito.
Por incrível que pareça, sempre acusados por todos, alguns árbitros atualmente assumem seus erros.
Até a próxima.
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Para o treinador Celso Roth, que, como no ano passado, quando fez uma campanha excelente com o Grêmio, vai conseguindo deixar o Atlético-MG entre os primeiros do Campeonato Brasileiro. O bom trabalho do treinador, de novo, é uma resposta para os que perguntam, toda vez que ele assume um clube, quantas rodadas ele vai resistir. O treinador pode não ser um gênio, mas com certeza é muito melhor do que alguns que estão sempre bem cotados.
Independentemente do resultado contra o Paraguai, é necessário dizer que o Brasil fez uma boa atuação contra o Uruguai. O que preocupa é que todas as boas atuações do time de Dunga acontecem quando o time rival ataca a seleção brasileira e sobram espaços para o contra-ataque. Agora, contra um time fechado, marcando atrás da linha da bola, o Brasil ainda não encontrou um padrão de jogo. Só para lembrar: em Copa do Mundo, são poucas as seleções que ousam enfrentar o Brasil partindo para cima, assim com fizeram o Chile, em Santiago, e o Uruguai, no estádio Centenário.
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Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br |
