Futebol na Rede
Perguntas e respostas
HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online
Na edição dessa semana de Futebol na Rede, vou responder algumas perguntas que foram feitas nas últimas semanas. Os temas que provocaram mais questões passam pelos técnicos Dunga e Cuca, erros de comentários e Atlético-MG. Vamos a elas.
Agora com o Brasil já praticamente classificado para a Copa da África do Sul, vocês jornalistas do eixo Rio-São Paulo vão parar de criticar o Dunga?
Realmente pelos números e retrospecto, o trabalho de Dunga como técnico da seleção chega a ser muito bom. Ele venceu bem times fortes como Itália, atual campeã do mundo, Argentina e ganhou a Copa América. Bom, classificar o país para uma Copa do Mundo não chega a ser proeza, pois sofrendo alguns sustos ou não nós sempre estivemos em Mundiais. Deixando a parte numérica de lado, continuo achando que Dunga não é o nome ideal para a seleção.
Acho que ele só tem uma forma de armar o time taticamente, que é o 4-4-2, com apenas uma variação, com dois ou três volantes. Por isso, as grandes atuações do time de Dunga são quando o Brasil é pressionado e consegue ter o contra-ataque. Quando a equipe precisa tomar a iniciativa do jogo, sofre grandes problemas para furar o bloqueio defensivo do adversário. Pelos jogadores que têm, o Brasil tem obrigação de fazer atuações melhores e ser um time menos irregular, capaz de realizar em curto espaço de tempo uma partida muito boa e outra medíocre, como tem acontecido nos últimos tempos. Agora, como Dunga vai ser o nosso técnico em 2010, só nos resta torcer para que em pouco mais de um ano ele consiga dar regularidade ao time e fazer com que seus convocados atuem tão bem na seleção como jogam nos seus clubes. Até porque não faltam exemplos de times que foram campeões, até em Copas do Mundo, comandos por técnicos que estavam longe de serem gênios.
Na edição chamada "Admitir os erros" você diz que jogadores e técnicos não assumem suas falas, mas você se esqueceu de citar os comentaristas que falam besteiras, previsões equivocadas e depois dizem que o futebol é emocionante porque é imprevisível. Foi corporativismo?
Dou minha opinião baseada em algumas observações. Não sou louco de sair falando uma porção de besteiras apenas para criar polêmica. Pode não parecer, mas o índice de acerto dos comentaristas é muito maior do que se pensa. O que eu procuro fazer quando erro de maneira feia é tentar explicar porque a minha tese não vingou. Aliás, seguem três fundamentos básicos que eu procuro seguir quando vou fazer uma análise.
1 - Usar a frase "tudo pode acontecer". O comentarista tem que emitir sua opinião e dizer porque algo vai acontecer --ou não está acontecendo. Ao citar essa expressão, vou passar ao leitor a sensação de que minha opinião está toda baseada em palpites e chutes.
2 - Desenvolver uma tese e insistir nela. Existem comentaristas que ficam o jogo todo falando a mesma coisa. Qualquer lance já é motivo para ele lembrar o público de sua brilhante descoberta. Quem usa essa técnica é o mesmo que fica perseguindo um jogador durante toda a transmissão.
3 - Não reconhecer o erro. Não custa Nada reconhecer que a opinião emitida estava equivocada, até porque não faltam meios e fatos que podem acabar com suas teses.
Antes do início do Campeonato Brasileiro, você afirmou que o Atlético-MG poderia ficar perto da zona do rebaixamento. Hoje o time é líder. A sua previsão como é que fica?
Realmente a campanha do Atlético-MG nesse início de Nacional é muito boa. O time vem fazendo boas partidas e tem alguns jogadores jogando muito bem, como o veterano Júnior, e o artilheiro Diego Tardelli voltou a marcar gols. Só que não vamos esquecer que o torneio está só no início e que o campeonato é longo. Eu acho que o time pode cair de produção quando precisar dos reservas. Posso estar errado, de novo, mas acho que o Atlético-MG não vai ter fôlego para ficar entre os primeiros durante todo o Campeonato Brasileiro.
Você achou certa a permanência do Cuca, mesmo após os dois vexames do Flamengo, contra o Sport e o Coritiba?
A pessoa que tem menos culpa da situação do Flamengo no momento é o Cuca. Ele sofre com os vários problemas administrativos que o clube passa, como, por exemplo, o atraso de salários. Por isso, a diretoria aceita, sem tomar providências sérias, atos de indisciplina de jogadores, como atrasos e brigas em treinos. A contratação do Petkovic mostra a bagunça do clube, já que foi definida pelo departamento financeiro sem a aprovação do departamento profissional. O pior é que agora o clube também vai virar refém do Adriano e de seus atrasos e faltas de treinos. Agora resta saber se Cuca consegue conviver com todos esses problemas ou se pedirá demissão.
Até a próxima.
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Depois de um começo muito ruim, os times do Paraná iniciaram uma reação na última rodada do Campeonato Brasileiro, com duas importantes vitórias. O Atlético-PR conseguiu um triunfo muito importante ao vencer o Sport jogando na Ilha do Retiro, tarefa que sempre é muito complicada. Já o Coritiba conseguiu uma exibição excelente contra o Flamengo e atropelou o time carioca, mesmo sem ter na partida o seu principal jogador, Marcelinho Paraíba, e com a expulsão absurda do atacante Ariel.
Parabéns pelos 90 anos completados por Oberdan Cattani, no último dia 12. O arqueiro, que brilhou nas décadas de 1940 e 1950 no Palmeiras, tornou-se mítico principalmente pelo tamanho de suas mãos, que, segundo jornalistas de época, tinham imãs que atraiam os chutes dos adversários, e pela sua habilidade para cortar cruzamentos dando fortes socos na bola. Não é nenhum exagero dizer que Oberdan criou a tradição do Palmeiras de ter grandes goleiros --seguida por Valdir, Leão, Veloso e Marcos, só para citar alguns nomes.
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Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br |
