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Futebol na Rede

07/07/2009

Os esforçados

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HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Uma das expressões que não uso e que eu mais abomino no futebol é a seguinte: "o torcedor não vê, mas fulano joga para o time". Isso não existe. Felizmente quem acompanha realmente o esporte sabe que todo o trabalho de um jogador dentro do gramado é notado.

Quem sabe o que acontece dentro do gramado percebe facilmente aquele jogador que só está enganando e que se esconde na partida. Os esforçados podem não ter o mesmo nível técnico de alguns craques, não fazem jogadas de efeito, vários não conseguiram marcar gols, mas quem observa a importância de cada jogador no seu time percebe claramente aqueles que fazem funções especiais. Eles são fundamentais no andamento e no sucesso das equipes.

Esse tipo de jogador sempre existiu no nosso futebol. Um exemplo disso foi Dudu, volante companheiro de Ademir da Guia no Palmeiras e que fazia muito bem esse papel. Se Ademir era o cérebro, Dudu era a alma e liderava a equipe comandando o sistema de marcação graças a um excelente senso de colocação no gramado.

Não precisando ir tão longe no tempo, no São Paulo de Telê Santana, que ganhou dois títulos Mundiais, não faltaram jogadores esforçados como Ronaldão, Adílson, Sidney, Suélio, Dinho e Pintado que seguravam os adversários para que o time pudesse ter um forte poder ofensivo.

Aliás, o próprio Telê Santana pode ser classificado como um jogador operário. Numa época em que os pontas atuavam apenas pelas laterais do campo, Telê, além de jogar como um ponta ofensivo, voltava para ajudar na marcação. Quando seu time, o Fluminense, estava sem a bola, ele atuava como um jogador de meio-de-campo fechando o espaço do adversário. Hoje, isso não é nenhuma novidade, mas no início da década de 1950 era uma revolução --que muitos não aceitavam-- e tanto.

Zagallo, outra formiguinha, fez a mesma função na seleção brasileira bicampeã do mundo nas Copas de 1958 e 1962, só que fazendo esse recuo pelo lado esquerdo do campo. Além de ajudar na marcação da zona central, Zagallo também auxiliava muito o lateral Nilton Santos em anular os pontas adversários.

Atualmente, no Campeonato Brasileiro, o símbolo desses jogadores que se esforçam ao máximo é o volante Fernando, do Santo André. Aos 42 anos, seguramente ele é o jogador que dá o equilíbrio ao time. Com sua experiência, o volante ainda tem fôlego --além de um conhecimento dos atalhos do campo-- para estar presente no tempo certo em todas as coberturas aos laterais da equipe, fechando a cabeça de área do time do ABC.

Mesmo com a idade avançada, não faltam lances em que o volante aparece no campo do adversário para tentar finalizar contra o gol do adversário.

Poderia dar vários exemplos de jogadores como Pierre (Palmeiras), Guiñazu (Inter) e Kleberson (Flamengo) que fazem um trabalho incansável durante as partidas. Mas não são apenas os volantes que têm função de dar sustentação aos times. Jogadores de outras posições também podem ser muito importantes.

No Corinthians, por exemplo, dois dos atletas mais importantes taticamente da equipe não atuam no meio-de-campo. São eles o lateral Alessandro e o atacante Jorge Henrique.

Nas partidas do time paulista, Alessandro, além de fazer a função de lateral, marcando o seu setor e chegando na linha de fundo para fazer cruzamentos, em alguns momentos da partida se transforma em um terceiro volante para ajudar Cristian e Elias --aliás, o desempenho dessa dupla é outro segredo do time de Mano Menezes. Em várias oportunidades ele funciona como um terceiro zagueiro, fazendo a cobertura pelo meio da defesa dos zagueiros Chicão e William.

Graças à versatilidade de Jorge Henrique, Mano Menezes conseguiu armar o Corinthians com três atacantes. Depois de um começo ruim no clube paulista, ele se tornou fundamental no time. Com facilidade de jogar pelos dois lados do campo ele é usado pelo treinador conforme o adversário. Se o lateral esquerdo do oponente é mais ofensivo, lá vai Jorge Henrique anular a principal jogada do adversário.

Com isso, os dois outros atacantes do time, Ronaldo e Dentinho, sempre encontram espaço para jogar. Mas se é importante na marcação, Jorge Henrique, principalmente nos jogos finais da Copa do Brasil, mostrou que é um bom atacante e marcou vários gols decisivos.

Craques são imprescindíveis, mas sem jogadores que fazem várias funções e se desdobram, um time de futebol não funciona.

Até a próxima.

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O mês de julho pode ser decisivo para a definição do Campeonato Brasileiro. Além de ser o período da janela de transferência, com os clubes tentando se reforçar, ou no mínimo querendo substituir os atletas que vão para o exterior, a partir de agora até o início de agosto teremos rodadas completas também no meio da semana. Uma maratona em que quem conseguir um bom aproveitamento de pontos vai brigar para o título no final do torneio. A sequência também é um tormento para os treinadores, que além de ficarem ameaçados a cada três dias, terão pouco tempo para treinarem seus elencos.

Não tenho dúvidas em afirmar que o atacante Kleber, do Cruzeiro, é o melhor jogador em atividade no Brasil, no momento. O jogador, que sempre mostrou muita garra, de nunca desistir das jogadas e infernizar os zagueiros adversários, melhorou muito tecnicamente no Cruzeiro. Agora, o atacante se movimenta mais e consegue fazer muitas jogadas para que os companheiros concluam. Foi assim nas partidas decisivas contra o São Paulo e contra o Grêmio pela Libertadores. Para que o jogador possa ter uma chance na seleção é esperado que ele se controle um pouco mais e evite expulsões tolas.

Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br

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