Futebol na Rede
Os novos solitários do futebol
HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online
Sempre se disse que a posição de goleiro é a mais solitária do futebol. Também pudera: os arqueiros ficam debaixo das traves e durante boa parte da partida não têm nenhuma companhia ao seu lado. Mas, da maneira que o futebol está se desenvolvendo e do jeito que os técnicos insistem em armar suas equipes, não é nenhum exagero dizer que em um curto espaço de tempo os centroavantes --ou atacantes-- vão ficar tão isolados quanto os goleiros.
Hoje, os atacantes se tornaram uma ilha cercada por zagueiros por todos os lados.
Já faz tempo existiam dois pontas abertos, um meia-armador e um ponta de lança para municiar o atacante para que ele finalizasse. Nem gostaria que se voltasse a falar da linha de ataque com cinco atacantes, como Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, nem sonharia com um ataque formado por Valdomiro, Dario e Lula, mas já sinto falta de equipes com pelo menos dois jogadores ofensivos.
Os atacantes não recebem mais lançamentos perfeitos, só recebem bolas divididas e sempre precisam trombar com os zagueiros para tentar arranjar um espaço.
É lógico que alguns jogadores, como Ronaldo (Corinthians) e Adriano (Flamengo), conseguem se destacar, mas atletas desse nível são cada vez mais escassos.
O caso de Keirrison é exemplar. Bom finalizador, o seu futebol caiu muito no Palmeiras quando perdeu a companhia no ataque. Obrigado a sair da área, o jogador, que não tem tanta habilidade para isso, viu seu futebol e, principalmente, os gols sumirem.
Agora é raro para um atacante conseguir finalizar quatro ou cinco vezes ao gol durante uma partida. Em condições claras de gol, a coisa se torna pior ainda. Se tiver duas, tem que agradecer aos céus.
Nos últimos tempos começou a se exigir demais do atacante para que ele faça múltiplas funções em campo --sem esquecer que continuamos cobrando deles gols, cada vez mais.
O centroavante precisa segurar os zagueiros adversários, proteger a bola dos defensores, fazer o pivô para esperar um companheiro chegar --e esses colegas de equipe estão demorando muito mais tempo para aparecer-- e ainda puxar os contra-ataques.
Sem dizer que os atacantes a cada escanteio para o adversário precisam atravessar todo o gramado para marcar os zagueiros do inimigo.
É humanamente impossível que um jogador consiga fazer todas essas funções. É lógico que quando o centroavante precisa fazer uma finalização está cansado e fracassa. Pode reparar: os nossos atacantes hoje --e vai ser cada vez mais comum-- só marcam gols em bolas espirradas, rebotes do goleiro, de cabeça, ou de pênalti.
Já está provado que usar meias para realizar a função de atacante não funciona, principalmente com os jogadores que temos na posição no Brasil no momento. Os nossos jogadores ofensivos de meio-campo se transformaram em atletas que correm com a bola. Ou seja, só funcionam quando conseguem ter espaço para correrem com a bola.
Eles não fazem companhia para o atacante único, simplesmente porque não conseguem jogar de costas para os defensores. Incomodados com a marcação dos zagueiros, eles recuam para atuar no meio e deixam os atacantes de oficio no mais completo esquecimento.
Por isso, para que os atacantes sobrevivam no nosso futebol, já passou o momento de os técnicos abandonarem de vez o 3-6-1 --que na verdade, pela cabeça retrancada dos nossos treinadores, é um 5-4-1, sendo que dos quatro jogadores do meio três são volantes marcadores.
Está certo que o jogo se ganha na zona de meio-campo, mas com a região tão povoada não existe nenhuma possibilidade de se levar vantagem no setor.
O futebol sempre viveu dos gols dos atacantes, por isso é um crime o que os técnicos estão fazendo com eles. Com certeza artilheiros conseguem marcar gols muito mais bonitos do que os frequentes gols de cabeça dos zagueiros.
Até a próxima.
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Para o Internacional, que depois de um período de turbulência reagiu muito bem no Campeonato Brasileiro e, pelo menos em pontos perdidos, terminou a rodada de final de semana como o time que menos perdeu pontos. Outra equipe que cresceu muito no final da primeira fase do campeonato foi o São Paulo, que deu um salto muito grande na tabela e faz a sua torcida sonhar com mais um título, o quarto consecutivo.
Com tantas opções de uniformes é preciso que os clubes e os árbitros tenham mais cuidado na escolha. Há pouco tempo, Coritiba e Santos precisaram trocar de camisa de uniforme no intervalo, pois estavam confundindo os jogadores.
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Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br |

