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Futebol na Rede

01/09/2009

A questão não está nos esquemas

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HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Na última semana falei dos problemas que o uso errado do 3-5-2 causaram no nosso futebol. Nada contra o esquema, que, quando bem utilizado, com os três zagueiros não jogando em linha, com um líbero que saiba sair jogando, com os alas atuando como autênticos armadores pelos lados do campo e sem três volantes defensivos no meio, pode ter sucesso contra o 4-4-2 por uma razão muito simples: o domínio do setor de meio-de-campo, local onde se decidem as partidas.

Há muito tempo eu penso da seguinte forma. O bom esquema é aquele que casa com as características do time. Por exemplo: não adianta nada escalar um time com três zagueiros pesados e lentos em linha. O ataque adversário vai fazer a festa, usando a velocidade.

Mas, independentemente do esquema usado, influencia muito mais na partida como o técnico coloca seu time em campo. Me incomoda muito os técnicos brasileiros armarem suas equipes com poucas ambições ofensivas. Eles sempre pensam em proteger a defesa antes de qualquer coisa. Em qualquer esquema, ele sempre é usado da maneira mais defensiva possível.

O problema é que, agindo dessa maneira, muitos técnicos acabam equilibrando equipes mais fortes tecnicamente com times ruins. Já disso aqui neste espaço e volto a repetir. Quando você tem um time mais forte que o adversário você é obrigado a armar seu time para que essa superioridade apareça.

Tudo o que um time mais fraco espera é que o mais forte tenha receio em atacar, assim menos riscos ele correrá. Isso pode parecer óbvio e ridículo, mas acontece quase sempre. A equipe mais forte se apequena, algumas vezes, com seu treinador armando seu time para ser o clone do frágil oponente.

É obrigação do time mais forte encurralar o adversário, com marcação forte na saída de bola, evitando que o rival consiga sair jogando em boa parte do jogo. Um velho ditado, que há muito tempo não é usado no futebol, diz que a melhor defesa é o ataque. Isso no futebol é válido, já que quando você está marcando o adversário no campo dele as chances de ele atacar são mínimas.

O que os nossos técnicos com suas mentalidades retranqueiras não perceberam é que marcar a saída de bola do adversário é uma tremenda arma defensiva.

Também não me conformo: são poucos os técnicos que orientam os seus times a virarem constantemente o jogo de um lado para outro. Essa é uma maneira muito eficaz de um time ficar com a bola e surpreender o adversário. Uma virada de bola quase sempre pega o jogador que ataca de frente e o marcador de lado. No arranque a vantagem é sempre de quem ataca. Além disso, como os nossos jogadores marcam sempre a bola, é muito fácil um zagueiro tomar bola nas costas.

Estamos criando uma geração de técnicos que só sabem jogar nos contra-ataques. Chegamos a uma situação absurda. Muitos times preferem jogar como visitantes para explorar os ataques do adversário.

Aliás, aqui cabe outra explicação. Uma coisa é jogar se defendendo com os jogadores posicionados para puxar um contra-ataque. Outra, bem diferente, é ficar os onze jogadores se defendendo esperando que adversário erre um passe.

Fico chocado quando os treinadores dizem que um time, num jogo difícil, sabe que só vai ter uma chance de fazer o gol e tem que aproveitar essa oportunidade de qualquer maneira. Penso que seria muito mais fácil pressionar o adversário para criar várias oportunidades. Aliás, quanto mais oportunidades se criam, mais chances de se fazer um gol.

Não sou louco de pedir que um time atue com quatro ou cinco atacantes. Até porque já está mais do que provado que um número elevado de avantes não significa que um time vai ser ofensivo, até porque vai faltar jogadores para levar a bola para eles. Sem dizer que um time assim não vai conseguir tirar a bola do adversário.

Treinadores, por favor, independentemente do esquema, acabem com essa mania de quanto mais fechado melhor. O nosso futebol agradece.

Até a próxima.

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O Fluminense vai precisar de um milagre para escapar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O time, minado por sérios problemas administrativos, sem dizer as inúmeras contratações equivocadas, não parece ter força para ganhar os 30 pontos que precisa nas últimas 16 partidas para escapar da degola. O time não se acerta, muda técnico, Cuca assume agora, troca jogadores e o time não reage nem mostra evolução. O Fluminense é um grande exemplo que só ter dinheiro não garante sucesso a nenhum clube. Pelo contrário: usado de forma errada o investimento se transforma num grande prejuízo.

Jogadores importantes vão desfalcar seus times por causa do Mundial Sub 20. O Sport, por exemplo, vai perder o seu artilheiro Ciro numa hora que o clube precisa dos seus gols para tentar escapar do rebaixamento --missão quase tão impossível quanto a do Fluminense. Já o Santos deve perder Paulo Henrique, o Ganso, que é o principal armador do time e que vem marcando vários gols. Já o Internacional corre o risco de ficar sem Sandro e Giuliano. Com novatos cada vez mais titulares em seus times, agora nem só a seleção principal atrapalha os clubes.

Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br

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