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Futebol na Rede

08/09/2009

O futebol carioca parou no tempo

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HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Não dá para esconder a decadência do futebol carioca. Atualmente, os quatro grandes times do Rio de Janeiro vivem em péssimas situações. O Flamengo, o melhor time do Estado no Campeonato Brasileiro, não tem a mínima chance de conquistar o título ou uma vaga na Taça Libertadores.

Outros dois times cariocas, Botafogo e Fluminense --que a cada rodada se afunda mais na lanterna do torneio--, lutam desesperadamente para escapar do rebaixamento. Já a torcida do Vasco comemora a boa fase, mas esquece que o time está na Série B.

O grande problema que eu vejo na situação atual dos times cariocas é que eles pararam no tempo, tanto fora do campo quanto dentro.

No gramado, os times do Rio de Janeiro ainda resistem e tentam jogar como atuavam nas décadas de 1960, 70 e 80. Ou seja: um ritmo mais cadenciado, jogando lentamente sem muita força física e dando muito espaço para os adversários. Esse estilo de jogo funcionava quando o talento conseguia superar o preparo físico. Hoje, isso não dá certo. Sem preparo físico, o bom jogador não consegue jogar. É nítido que os times cariocas têm um preparo físico inferior aos clubes de outros centros.

Dentro desse romantismo, os jogadores se adaptaram a esse estilo mais "preguiçoso" de jogar e não parecem dispostos a mudar essa situação. Não adianta: não existe treinador que faça uma equipe carioca treinar duas vezes por dia. Existem pequenas tentativas de mudança, mas técnicos que tentam fazê-las acabam perdendo o emprego muito rápido.

Dentro desse espírito de parada do tempo, no Rio de Janeiro ainda se aceitam muitas coisas que em outros lugares não são permitidas. Se aceita com muita tranquilidade que eles se atrasem em treinamentos e, até quando os jogadores ficam muito tempo no departamento médico, claramente querendo mais um tempo de folga, no lugar de uma medida enérgica se faz piada chamando os preguiçosos de "chinelinho".

Só no Rio de Janeiro, que se orgulha de ter o torneio regional mais charmoso do país --como se isso fosse alguma coisa--, não se percebe que os torneios estaduais perderam importância e não servem de parâmetro para o que os times irão fazer no Campeonato Brasileiro.

Parados nas glórias do passado, os times do Rio de Janeiro adoram invocar a mística do Maracanã para sonhar com reações nos torneios. Mas não perceberam que o outrora maior estádio do mundo não mete mais medo nos adversários, inclusive para os clubes com pouca tradição no nosso futebol.

Agora o Botafogo joga no Engenhão, mas ainda é claro que o clube e a torcida não adotaram o estádio como sua casa. O time, quando joga no moderno estádio, parece que está atuando num campo neutro e pouco se aproveita de ser mandante.

O carioca passou a olhar tanto para o próprio umbigo que os clubes se fecharam num mercado de profissionais que só trabalham no Rio de Janeiro. Veja o exemplo dos técnicos. É incrível a ciranda de técnicos como Cuca, Renato Gaúcho, Ney Franco. O treinador preferido dos clubes cariocas, Joel Santana, só não está nesta ciranda porque está "exilado" como técnico da África do Sul.

O mesmo acontece com os jogadores. É comum um atleta sair e voltar para um clube, sem dizer que as equipes adoram trazer jogadores de qualidade duvidosa que fizeram sucesso num rival em algum medíocre Campeonato Estadual.

Os times cariocas continuam parados no tempo porque só ganham campeonatos jogados no mata-mata. Assim se explicam as conquistas da Copa do Brasil --títulos que foram facilitados pela ausência dos principais times brasileiros, que disputam no mesmo período a Taça Libertadores.

Para vencer torneios no sistema de pontos corridos é preciso estrutura e aí entra o problema dos dirigentes. Nenhum clube carioca, por exemplo, tem um centro de treinamento comparado a de clubes de outros grandes centros, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Sem dizer que os dirigentes cariocas continuam gastando muito dinheiro em contratações absurdas e caras que só geram grandes prejuízos.

Até quando os times encontraram parceiros, os dirigentes acabaram causando problemas com os investidores e as parcerias acabam em acusações de desvio de dinheiro, ou grandes desavenças.

Talvez, o único aspecto positivo de os times do Rio terem parado no tempo no futebol está nos torcedores. Os cariocas amam o esporte e, principalmente, adoram ir ao estádio, mesmo com a situação ruim que os clubes enfrentam. Por isso, não merecem a situação precária dos times atualmente.

Os clubes do Rio de Janeiro precisam entender que estão numa situação de decadência e precisam se modernizar. Ou vai ficar na história que os times cariocas já mandaram no futebol brasileiro.

Até a próxima.

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Para a nossa classificação para a Copa do Mundo. Muito bom o trabalho de Dunga nas eliminatórias. O Brasil assegurou a vaga com muita tranquilidade e sem maiores sustos. O único aspecto negativo é que o técnico, nas vitórias, deixa bem claro que mais do que vencer seus adversários parece dar uma resposta a todos que em algum momento criticaram seu trabalho. O mesmo acontecia quando ele era jogador --isso se acentuou na campanha do tetra em 1994. Dunga parece querer a toda hora calar os seus desafetos. Isso não é necessário, principalmente após uma grande vitória como contra a Argentina.

No Campeonato Brasileiro, o Palmeiras fez sua obrigação. Mesmo não jogando bem, venceu o Barueri e manteve a liderança. Mas seus maiores perseguidores, Internacional e São Paulo, conseguiram vitórias importantes fora de casa e continuam muito próximos do líder. O Internacional, mesmo com dez jogadores durante um tempo inteiro, mostrou muita autoridade, dominou o embalado Avaí e conseguiu o triunfo. Já o São Paulo foi dominado em grande parte do jogo pelo Cruzeiro, mas conseguiu a virada com dois jogadores que saíram do banco, o meia Marlos e o atacante Borges.

Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br

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