Colunas

Futebol na Rede

29/09/2009

Apitos em xeque e seleção

Publicidade

HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

A arbitragem no Campeonato Brasileiro está um desastre. Isso não é nenhuma novidade. Em todas as rodadas acontecem várias reclamações e os árbitros interferem diretamente no resultado das partidas. O erro de arbitragem sempre vai acontecer no futebol, mas no atual momento os árbitros e seus auxiliares cometem falhas além do que seria aceitável.

Está certo que os mais desesperados conseguem observar, no mínimo, cinco pênaltis, a favor do seu time de coração, mas olhando com o máximo de imparcialidade é possível observar vários erros. Os equívocos não se restringem apenas aos lances de pênalti ou gols irregulares, mas também em lances que são fáceis para a arbitragem e que os árbitros não poderiam errar.

Tudo bem que é muito difícil ser árbitro no Brasil. Além de os jogadores não colaborarem, não existe nenhuma barreira para proteger o árbitro. No nosso futebol, eles recebem pressão de todos os lados --nos estádios, dos dirigentes, da torcida e até de ex-colegas de profissão agora transformados em comentaristas de arbitragem.

Sem dizer a crueldade de se julgar o árbitro depois do quinto replay. Para ser honesto com eles, a opinião de quem analisa deveria ser feita no momento do lance, sem a ajuda da câmera lenta. Quantas vezes, por exemplo, você tem a impressão de que houve um pênalti claro e ao ver a repetição observa que não aconteceu nada?

Não acho que os árbitros sejam os maiores culpados pelo mau momento. Está certo que atualmente no futebol brasileiro não temos árbitros para "meter" medo nos jogadores. Nem os árbitros que fazem parte do quadro da FIFA conseguem isso.

Eu diria que falta aos nossos árbitros personalidade na hora de conduzir uma partida. As decisões deles são muito mais contestadas porque até os próprios árbitros em alguns lances não têm a mínima convicção do que marcaram. Quando o árbitro fica muito tempo tentando explicar com gestos o que ele marcou --ou a razão de não ter marcado-- se percebe claramente que quem comanda a partida ficou com dúvida na anotação. O gestual todo se torna uma ferramenta para até ele acreditar na sua interpretação.

Mas o grande problema da arbitragem brasileira no momento é a falta de comando. Como já disse, os árbitros são deixados de lado e ficam com toda a responsabilidade dos erros. Nas grandes crises, ninguém da comissão de arbitragem se manifesta. A direção deixa os árbitros expostos ao julgamento da opinião pública.

O trabalho da comissão de arbitragem se limita a escalar os árbitros para os sorteios e afastar os mesmos. Aliás, na geladeira, ninguém sabe o que acontece com o árbitro. Não se tem notícia de um curso de reciclagem. Será que ele ficando parado, só assistindo partidas, vai melhorar seu desempenho? Lógico que não.

O certo seria o árbitro apitar partidas de divisões menores para não cometer mais o mesmo tipo de lambança. Sem dizer que depois que os árbitros voltam à ativa, como eles foram marginalizados pelos seus comandantes voltam sob suspeita da sua competência.

Por tudo isso, falta à comissão dirigir realmente a arbitragem. Por exemplo: não se vê nenhum esforço para a padronização de critérios de faltas, cartões e parte disciplinar. Cada árbitro tem o seu. Lances idênticos têm interpretações totalmente diferentes. Não se vê nenhum movimento para melhorar a colocação dos árbitros e auxiliares, causa principal dos erros nas partidas.

Faltam também mais cursos de reciclagem --se eles são feitos, além da falta de divulgação não estão apresentando resultados. Atualmente, fica nas mãos de alguns sindicatos a atualização dos árbitros.

Segundo quem dirige a arbitragem no Brasil em 2014 teremos um quadro de apitadores de primeiro nível. Não acho que será possível o nosso futebol conviver mais cinco anos com arbitragens desastrosas.

Seleção

Mais uma vez a seleção vai atrapalhar os clubes no Campeonato Brasileiro. Em rodadas decisivas os times ficarão sem os seus principais jogadores convocados por Dunga --aliás, a seleção do Mundial Sub-20 também já está atrapalhando os seus clubes.

A situação é complicada. Mas numa disputa como essa, a seleção sempre vai levar vantagem.

Não dá para culpar o treinador por falta de bom senso. Aqueles que acusam o técnico de convocar os jogadores para confrontos que não valem nada para a nossa classificação para o Mundial se esquecem que após as partidas contra Bolívia e Venezuela o Brasil não vai realizar muitos jogos amistosos até a Copa. Então, essa pode ser uma das poucas oportunidades que o treinador terá para conhecer novos jogadores durante a semana de treinamento.

É lógico que o jogador também quer estar na seleção. Pois é a chance de ficar entre os 23 que vão para a Copa do Mundo.

Os clubes reclamam, mas adoram que seus jogadores sirvam a seleção, pois uma convocação, além de valorizar o atleta, abre um caminho para uma possível venda na próxima janela de transferências.

Quem reclama são os torcedores e as pessoas de bom senso. Os fãs porque os seus times jogam desfalcados partidas importantes; e os equilibrados não se conformam porque a CBF não respeita o seu principal campeonato, marcando rodadas no mesmo período de jogos das eliminatórias.

Até a próxima.

Para quem quiser conferir pitacos diários confira no meu Twitter

Para muitos a diferença de cinco pontos é pequena, mas o Palmeiras conseguiu abrir uma vantagem importante, já que na última semana, mesmo com um jogo a menos, ele estava empatado em pontos com o São Paulo. Bem ou mal, o time de Muricy Ramalho conseguiu abrir duas rodadas de vantagem faltando apenas 12 para o final do torneio e faz com que os seus perseguidores não possam mais tropeçar. Resta saber entre Goiás, São Paulo, Internacional e Atlético-MG quem vai conseguir arrancar e brigar pelo título com o Palmeiras.

Na Série B, tirando o Vasco que já tem vaga praticamente garantida para a primeira divisão, vale destacar as campanhas de Atlético-GO e Guarani. Para muitos, as duas equipes não iriam permanecer por muito tempo entre as mais bem colocadas do torneio. Mas as duas equipes conseguiram manter o ritmo e estão muito perto do acesso. Na briga também estão São Caetano e Ceará, que tiveram reações impressionantes, e o Figueirense. Mesmo com chances de subir, a Portuguesa, pelo time que tem, deveria estar numa condição muito mais tranquila.

Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br

Leia as colunas anteriores

FolhaShop

Digite produto
ou marca