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Futebol na Rede

27/10/2009

Números, exceções e não regras

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HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Leio, mas confesso que não dou a mínima importância para as probabilidades de título e rebaixamento que nos são apresentadas após o final de cada rodada do Campeonato Brasileiro. Agora, então, com o torneio na fase decisiva e tão equilibrado, a cada dia somos bombardeados com porcentagens diferentes.

Respeito quem faz essas análises, mas eu acho que quem publica esse tipo de informação deveria, no mínimo, dizer que a informação que está sendo apresentada é apenas um retrato do que acontece no momento e que não passa apenas de previsão.

Na verdade, apesar dos números imponentes --como 53% e 98%-- eles só dizem o óbvio. É lógico que matematicamente um time que tenha cinco pontos de vantagem tem muito mais chances de ficar com a taça. A mesma coisa para o último colocado que está a oito pontos de escapar dos últimos quatro piores --ele tem muitas chances de cair para a Série B.

Também não se precisa recorrer a derivadas e integrais para afirmar que o Flamengo, jogando no Maracanã, é favorito para ganhar do Santo André. Mas dizer quanto o time de Andrade é "mais favorito", isso é impossível.

Descarto esses números porque felizmente ninguém vai criar uma fórmula matemática ou uma equação com todas as variáveis possíveis que acontecem numa partida de futebol. É impossível quantificar qual a probabilidade correta que um time tem de ganhar uma partida. Isso é impossível. Pode ser um chavão batido, mas é verdade: "futebol não tem lógica".

Todos nós já participamos de um bolão para acertar resultados. Vocês já repararam quem geralmente ganha esse tipo de gincana? Com certeza vence aquela pessoa que menos entende, ou melhor, acompanha futebol. Isso mostra quanto o jogo de futebol é imponderável, e o acerto de resultado é baseado até mais na sorte do que em probabilidades matemáticas ou no conhecimento das equipes.

Vou repetir. Respeito muito quem faz esses cálculos de probabilidades, e eles podem afirmar que têm um bom número de acerto nas suas previsões. Mas arrisco, com toda certeza, que qualquer um que fizesse esses palpites baseados no seu conhecimento, ou até na sorte, teria um índice de acerto muito próximo dos matemáticos.

Ainda na questão dos números, me irrita manchetes do tipo "campeão brasileiro de 2009 terá o pior aproveitamento dos pontos corridos". Isso é outra bobeira sem tamanho. O vencedor desse ano fará menos pontos por uma razão bem simples. Como temos muitos candidatos ao título é óbvio que os pontos acabam mais divididos. Uma coisa é quando duas equipes disparam --outra é uma corrida com cinco ou até seis equipes.

Penso de uma maneira totalmente diferente. O campeão de 2009 pode ser o que menos pontos fez na era dos pontos corridos, mas com certeza foi o que mais teve que lutar para ficar com o título.

Agora também está na moda ficar chutando quantos pontos um time precisa fazer para ganhar um torneio --o mesmo vale para o rebaixamento-- baseado em torneios anteriores. Isso também não existe, cada campeonato tem história e times diferentes.

Juro que não aguento mais comparações com outras edições do torneio. Adoro a história do futebol, sempre me lembro dela neste espaço, mas não cabem comparações entre torneios. É bom sempre lembrar da história, mas ficar procurando coincidências com o que está acontecendo agora já é um exagero.

Sem dizer que só são citadas as exceções e não as regras. Dizer que um time tirou 16 pontos de vantagem num ano qualquer, num campeonato em qualquer parte do mundo, não quer dizer que isso irá acontecer de novo. Pode ser uma esperança para os torcedores de algum time que vive uma grande arrancada no torneio, mas não quer dizer que em todo torneio isso aconteça.

Quem bom que uma partida de futebol se decide no campo e não nas calculadoras nem em resultados históricos --se isso valesse o Uruguai estaria em todas as Copas do Mundo--, ou ninguém precisaria assistir um campeonato que já estaria decidido antes de começar.

Até a próxima.

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Bom, para quem estava querendo um campeonato com mata-mata, não é nenhum exagero dizer que aos postulantes ao título do Campeonato Brasileiro as últimas rodadas se transformaram em partidas eliminatórias. Uma derrota agora poderá eliminar o time da disputa do título. Também para quem gosta de partidas decisivas não vai faltar, até o final do torneio, vários confrontos diretos com times lutando para ficar com a taça.

Dois técnicos sempre muito contestados estão fazendo grandes trabalhos no Campeonato Brasileiro. No Atlético-MG, Celso Roth, como fez no ano passado com o Grêmio, deixou o clube mineiro entre os primeiros durante todo o torneio. Já no Internacional, Mário Sérgio conseguiu acertar a equipe, principalmente na marcação. Com ele no comando o time gaúcho voltou a ser concorrente direto na briga pelo título.

Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br

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