Futebol na Rede
Muita gente entende
HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online
No Brasil, muita gente que acompanha futebol entende do assunto. Uma pena que alguns perdem a razão quando tentam explicar que sabem mais da matéria que o restante, ou se perdem inteiramente levados pela paixão. Aliás, só quem conhece mesmo do esporte sabe que existem várias maneiras de se analisar uma partida de futebol. Da mesma maneira que não existe apenas uma fórmula correta para se armar um time.
Por tudo isso, fico irritado com as declarações dos treinadores --aqui neste texto quando falo dos técnicos me refiro a todos eles-- que adoram se defender das críticas afirmando que os jornalistas não acompanham os treinos e não conseguem analisar um time de futebol.
O que os treinadores não falam é que os principais treinos das equipes hoje são secretos. Quando se treina alguma formação diferente é impossível acompanhar as experiências que são feitas. No momento em que os jornalistas têm acesso aos treinos, eles podem, no máximo, acompanhar um rachão ou um treino de finalização.
Também tem uma coisa que os treinadores parecem esquecer. É possível não se observar a semana de treinamentos, mas com 10 ou 15 minutos na partida do final de semana já é possível observar como um time foi muito mal preparado para a partida.
É possível, por exemplo, observar que um time está perdido no gramado com os três setores --defesa, meio de campo e ataque-- distantes um do outro e dando muito espaço para os adversários. Isso deveria ser treinado durante a semana. Também se percebe que o time não tem nenhum padrão tático e não tem opções de jogadas para tentar escapar da marcação do adversário.
Aliás, me recuso a chamar de bom técnico um treinador só porque o time dele faz muitos gols de bola parada. Desculpe, mas todo time atualmente faz muito gols dessa maneira. Um técnico excelente é aquele que faz o time tomar poucos gols nas bolas aéreas e que os cruzamentos sejam apenas mais uma opção para se tentar marcar um gol e não a única.
Nessa mania dos treinadores de mostrar que só eles entendem de futebol fica fácil ver como alguns deixam de fazer o óbvio para melhorar o desempenho de suas equipes. Quantas vezes não observamos que um treinador não coloca um jogador que melhora o time só para provar que ele está com a razão?
Não faltam casos de jogadores que são deixados de lado pelos treinadores --mesmo após provarem em muitas partidas que são úteis, ficam esquecidos nos banco. Sem dizer quando o treinador tem a cara-de-pau de dizer que colocou o jogador que a imprensa e a torcida pediram, mas que nada aconteceu. Mas ele só esquece que a substituição foi realizada faltando apenas cinco minutos para terminar a partida.
Dentro dessa arrogância de sabedoria dos treinadores, como já disse, eles esquecem que existem várias maneiras de se armar uma equipe.
Afirmo que a maioria das críticas que os nossos técnicos sofrem surge do fato de eles ousarem pouco. Nossos técnicos atualmente só se preocupam com a parte defensiva das equipes.
Eles poderiam ser mais ousados, colocando seus times mais no ataque, arriscando uma marcação no campo adversário, procurando uma formação tática que surpreenda. Mas, infelizmente, eles não fazem isso. Não é porque uma fórmula deu certo numa equipe, ou até em único jogo, que ela é perfeita. Isso é muito fácil de comprovar. Quantas vezes um time que não funciona com treinador só com a troca de técnico muda totalmente de comportamento?
Por sorte, a sabedoria do futebol não é restrita para cinco ou seis sábios. Isso é bom porque eu, você e os treinadores --quando eles querem-- podemos discutir uma partida e sempre vamos ter assuntos que rendem longos bate-papos. Porque de uma coisa eu tenho certeza: muita gente entende de futebol no Brasil.
Até a próxima.
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Nessa fase final do Campeonato Brasileiro em total equilíbrio, vou arriscar a fazer algumas previsões. Entre Palmeiras e São Paulo será o campeão aquele que conseguir fazer mais pontos no confronto que ambos vão fazer contra o Grêmio em Porto Alegre. Para os rivais paulistas, uma vitória no Olímpico vai significar o título. Já para Atlético-MG e Flamengo só há uma opção: vencer o confronto entre os dois no domingo no Mineirão. Só assim, mineiros ou cariocas continuarão sonhando com a taça. Infelizmente, mesmo com chances matemáticas, acho que Cruzeiro e Internacional saíram da luta pelo título com as derrotas.
Nada contra Presidente Prudente, mas a cidade receber os três confrontos entre Palmeiras e Corinthians no ano já é um exagero. Tanto que no último domingo o público da partida foi pífio, pouco mais de 18 mil pessoas. Um clássico como esse deveria ser jogado em São Paulo. Já passou da hora de os clubes grandes em troca de um pouco mais de reais ou até por superstição barata tirarem esse clássico da capital. Também é bom dizer que na fase atual do campeonato não é nada bom para uma equipe se deslocar 500 km, além de todos saberem que nessa época do ano o calor no interior de São Paulo é insuportável.
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Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a Folha Online às terças-feiras. E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br |
